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Viola Davis revela arrependimento por papel em filme indicado ao Oscar
A artista declarou que sente como se tivesse "traído a si mesma e ao seu povo"

A renomada atriz Viola Davis reafirmou publicamente seu arrependimento por ter protagonizado o filme Histórias Cruzadas (2011). Apesar de ter sido um dos grandes destaques do Oscar de 2012, rendendo a Davis uma indicação e garantindo oprêmio de Melhor Atriz Coadjuvante para Octavia Spencer, o drama é alvo de críticas da própria protagonista.
A artista declarou que sente como se tivesse "traído a si mesma e ao seu povo" ao participar do projeto. Em entrevista ao The New York Times, Davis explicou que o problema nunca foi a equipe, mas sim a narrativa do longa-metragem.
"Uma pergunta melhor seria: eu já interpretei papéis dos quais me arrependi? Sim, e Histórias Cruzadas está nessa lista. Não em termos da experiência ou das pessoas envolvidas, porque todas foram fantásticas. As amizades que construí ali são as que levarei para o resto da vida. Tive uma excelente experiência com essas outras atrizes, que são seres humanos extraordinários. Eu não poderia pedir um colaborador melhor do que Tate Taylor", afirmou a atriz.
Apesar do carinho pelos colegas, a atriz ressaltou a falta de profundidade dada às personagens negras.
"Senti que, no fim das contas, as vozes das empregadas não foram ouvidas. Eu conheço a Aibileen. Conheço a Minny. Elas são a minha avó. São a minha mãe. E eu sei que se você faz um filme cuja premissa principal é 'quero saber como é a sensação de trabalhar para pessoas brancas e criar seus filhos em 1963', eu quero saber o que elas realmente pensam sobre isso. Nunca ouvi isso durante o filme", desabafou ao The New York Times.
Anos mais tarde, em depoimento à revista Vanity Fair, a atriz subiu o tom contra o racismo sistêmico da indústria do cinema e refletiu sobre o impacto cultural do filme.
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"Não há ninguém que não se divirta com Histórias Cruzadas. Mas há uma parte de mim que sente que traí a mim mesma e ao meu povo, porque estive em um filme que não estava pronto para contar toda a verdade", declarou Davis à Vanity Fair, completando que aceitou o papel na esperança de catapultar sua carreira, mas que hoje questiona: "As pessoas estão prontas para a verdade?".
A polêmica em torno de Histórias Cruzadas acompanha a obra desde o seu lançamento. Críticos apontam que a trama, baseada no livro de Kathryn Stockett, reforça o estereótipo do "salvador branco" ao colocar uma jovem aspirante a jornalista (Emma Stone) como a heroína que expõe o racismo na Mississipi de 1963.
Na época, o caso ganhou os tribunais. Ablene Cooper, a babá da vida real que inspirou a personagem de Viola Davis, processou a autora do livro em 75 mil dólares, alegando que sua imagem foi utilizada sem autorização e de forma "vergonhosa". A denúncia, contudo, acabou rejeitada por um tribunal local.
Outros nomes do elenco, como Bryce Dallas Howard, também já se manifestaram sobre os problemas estruturais do longa. Em suas redes sociais, Howard destacou que a produção é uma ficção contada a partir de uma perspectiva branca e criada por narradores predominantemente brancos, endossando que a indústria precisa ir além.



