Busca interna do iBahia
HOME > colunistas > ACRÉSCIMOS

ACRÉSCIMOS

Dá no Marinho!!!

Jornalista l luiz.teles@grupoatarde.com.br
Por Jornalista l [email protected]
No futebol, há em quase todos os momentos de gol um lance ‘gatilho’. No Vitória, ele se chama Marinho
No futebol, há em quase todos os momentos de gol um lance ‘gatilho’. No Vitória, ele se chama Marinho - Foto: Raul Spinassé l Ag. A TARDE

“Dá no Marinho! Dá no Marinho!!!”. Era assim, aos berros, que o técnico Argel Fucks resumia em algumas palavras todo o esquema tático do Vitória para vencer o Atlético-PR, no último domingo, no Barradão. E, apesar de parecer, não quero aqui ser irônico com esta afirmação tão determinista e totalitária. Vida de treinador não é fácil e, às vezes, o melhor que se tem a fazer à beira do gramado é gritar pelo óbvio.

O jogo contra o Furacão não exigia estratégia, muito menos serenidade por parte de Argel. O bê-a-bá de movimentação na área de atacantes e meias já havia sido treinado, e não seriam os decibéis elevados dos ‘conselhos’ do técnico que fariam o Leão marcar.

Tudo sobre Acréscimos em primeira mão! Compartilhar no Whatsapp Entre no canal do WhatsApp.

No futebol, há em quase todos os momentos de gol um lance de ‘gatilho’ que praticamente determina a jogada que termina com a bola na rede. No Vitória, esse ‘gatilho’ se chama Marinho. Claro que a equipe vai acabar marcando de outras maneiras também, mas é dos pés do endiabrado atacante – um dos destaques do campeonato e a melhor contratação do futebol baiano em anos – que saíram e ainda vão sair as principais chances de triunfo do Rubro-Negro.

Não considero Argel um bom técnico, mas ao se observar o Vitória com Marinho em campo (porque sem ele a postura é outra), o que vemos é um time que roda a bola rapidamente em busca do seu craque e que tem uma estratégia e formação tática voltada para que essa situação seja criada. E com o pouco tempo que teve para implantar sua filosofia no clube, o treinador gaúcho teve, sim, um papel importante no crescimento exponencial do camisa sete nessa reta final do Brasileirão.

Mancini, com meses de treino e planejamento, podia se dar ao luxo de pensar o elenco como um todo. Já tinha Marinho como destaque, mas não forçava quase todas as jogadas nele. Argel, com a corda no pescoço diante da ameaça real de rebaixamento, apostou todas suas fichas na criatividade e boa forma do atacante. Quando o perdeu por contusão, viu a equipe chegar rapidamente à zona de degola. Com o craque 100%, saiu dela na mesma velocidade e pode escapar da queda justamente por esta opção. Se ficar para 2017, seu grande desafio será ampliar seu leque de possibilidades ofensivas.

Já ouvi muitos amigos comentaristas falarem que a maior contribuição de Argel desde sua chegada foi sua postura forte, com a qual teria “ganhado o vestiário”. Não enxergo isso. Ele pode até ser ‘amigo-paizão’ dos jogadores e controlar os egos e a pressão psicológica no dia a dia do clube, mas durante os jogos só consegue a atenção dos mesmos por períodos muito curtos. De maneira geral, vejo um Vitória que sofre constantemente com a desconcentração individual e coletiva.

Quem consegue motivar a equipe e ativar esse foco é a referência de Marinho pelas laterais do campo (aliás, outro ponto para Argel foi fazer com que Marinho trocasse a direita pela esquerda, e vice-versa, com mais constância do que o atacante fazia com Mancini). Argel logo percebeu isso. A torcida, há muito, também já sabe disso. Então, na hora do aperto, só resta mesmo gritar “dá no Marinho!”. Pareceu ridículo na transmissão da tevê, mas aposto que até Guardiola teria feito o mesmo.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Google Noticias Siga o A TARDE no Google Noticias

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no Email

Relacionadas

Mais lidas