Busca interna do iBahia
HOME > colunistas > ARMANDO AVENA

ARMANDO AVENA

A Bahia e a política de céus abertos

O que muda com o novo mercado aéreo único sul-americano

Armando Avena
Por Armando Avena
Novo acordo entre Brasil, Chile e Argentina pode ser a salvação
Novo acordo entre Brasil, Chile e Argentina pode ser a salvação - Foto: Will Recarey / Divulgação

O Brasil assinou esta semana um acordo para criar o mercado aéreo único na América do Sul. Brasil, Argentina, Paraguai e Chile assinaram um memorando de entendimento para que seja possível, em até 12 meses, abrir o espaço aéreo às companhias desses países.

O modelo é inspirado no mercado único da União Europeia e abre caminho para que empresas estrangeiras possam operar voos domésticos no Brasil e que empresas brasileiras façam o mesmo nos países vizinhos, mediante reciprocidade. O objetivo é ampliar a concorrência, aumentar a oferta de voos e reduzir o preço das passagens.

Tudo sobre Armando Avena em primeira mão! Compartilhar no Whatsapp Entre no canal do WhatsApp.

Para a Bahia, essa pode ser uma oportunidade histórica, pois pode resolver alguns gargalos do turismo baiano, a exemplo do custo elevado das passagens e da limitada oferta de voos.

A Bahia já é um destino consolidado para argentinos e cerca de 100 mil deles aportaram aqui em 2025, mas também para uruguaios, chilenos e outros. Com voos mais numerosos e tarifas mais competitivas, esse mercado poderá crescer significativamente. E o potencial vai além. Salvador pode transformar-se em um centro de distribuição de voos para o Nordeste, recebendo passageiros de diversos países da América do Sul e conectando-os aos demais destinos turísticos baianos e nordestinos.

Leia Também:

ARMANDO AVENA

O tarifaço de Trump é político ou econômico?
O tarifaço de Trump é político ou econômico? imagem

ARMANDO AVENA

Vai Brasil: o que o País ganha e perde com a Copa
Vai Brasil: o que o País ganha e perde com a Copa imagem

ARMANDO AVENA

A economia do forró já começou
A economia do forró já começou imagem

Os benefícios são óbvios, a começar pelo fim da dependência das três grandes empresas que controlam o setor. E, vale lembrar: não existem mais companhias aéreas brasileiras. A Latam tem controle chileno; a Gol é controlada pela Avianca, com investidores internacionais e colombianos; e a Azul tem controle norte-americano.

O acordo é bom, pois permite viabilizar a operação de voos de baixo custo (low cost) e contribui para a redução da sazonalidade diminuindo a dependência das férias de verão e do Carnaval e gerando maior estabilidade para empresas e trabalhadores do setor.

Para que esse potencial se transforme em resultados concretos, governo do Estado e prefeituras precisam agir imediatamente. Em primeiro lugar, estimulando a implantação o mais rápido possível do acordo, que pode incluir outros países da América do Sul, mas ainda depende da harmonização regulatória entre eles e de eventuais mudanças na legislação nacional. E, ao mesmo tempo, é preciso negociar, em parceria com as companhias aéreas e as concessionárias dos aeroportos, novas rotas internacionais para Salvador e Porto Seguro e, no futuro, para outros destinos turísticos do estado. Não basta esperar que as empresas descubram sozinhas o potencial baiano, é preciso disputar esses investimentos.

Também será fundamental fortalecer a promoção da Bahia nos mercados do Cone Sul. Argentinos, chilenos, uruguaios e paraguaios já conhecem o estado, mas há espaço para ampliar significativamente esse fluxo. Campanhas permanentes de divulgação, participação em feiras internacionais e ações conjuntas com operadoras de turismo podem consolidar a Bahia como um dos principais destinos da América do Sul.

Salvador e Porto Seguro já tem alguma infraestrutura aeroportuária e turística, mas é preciso ampliá-la. O crescimento do número de visitantes exige aeroportos eficientes, boas rodovias de acesso, sinalização adequada, segurança, qualificação profissional e serviços públicos compatíveis com um destino internacional. No caso de Porto Seguro, embora a nova concessionária e o governo tenham realizado melhorias na pista, na segurança operacional e no terminal de passageiros, ele não dá conta do fluxo turístico na região. É fundamental avançar e construir o novo Aeroporto Internacional Costa do Descobrimento.

Já o Aeroporto Internacional de Salvador tem melhores condições, mas a concessionária, ao invés de estar preocupada em ganhar alguns tostões com o famigerado e inadequado sistema Kiss & Fly, deveria estar mais preocupada em melhorar sua infraestrutura de serviços e atrair mais voos.

A política de céus abertos deveria ser estendida para outros países, inclusive os Estados Unidos e países da Europa, sempre através de acordos que preservem os interesses de cada parte, mas estimulando a competitividade e o fim da reserva de mercado.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Google Noticias Siga o A TARDE no Google Noticias

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no Email

Relacionadas

Mais lidas