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ARMANDO AVENA

A Bahia e os data centers

Confira a coluna de Armando Avena

Everton Santos
Por
Imagem ilustrativa da imagem A Bahia e os data centers
Foto: Reprodução

A corrida pelos data centers chegou ao Brasil e dois Estados já ocupam posições de destaque: São Paulo e Ceará. Mas a Bahia também está implantando datas centers e tem condições excepcionais para entrar nessa disputa. Estima-se em US$ 50 milhões os investimentos com intenção declarada de se implantar no Brasil, segundo o BNP Paribas, valor apenas da infraestrutura física, sem os chips e os processadores. Mas vale a pena para um estado do Nordeste receber esse tipo de investimento?

São Paulo saiu na frente por razões óbvias. É o maior mercado consumidor, concentra empresas de tecnologia, bancos e grandes corporações e possui a melhor infraestrutura de conectividade do país. São Paulo, Campinas e Barueri formam hoje o principal polo de data centers do país, com cerca de 38% da capacidade em MW.

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O Ceará tem energia eólica e solar abundante e seu grande diferencial é o terreno oferecido e a infraestrutura para receber os data centers, montada no Porto de Pecém e que possui uma zona de processamento de exportação. Além disso, Fortaleza tem conectividade internacional e é um importante ponto de chegada de cabos submarinos que ligam o Brasil à Europa e à América do Norte. Essa combinação produziu resultados.

O Ceará está construindo um gigantesco data center da ByteDance, controlado pelo TikTok, com investimento anunciado que pode chegar a R$ 200 bilhões e capacidade de 200 MW. E a francesa Voltalia recebeu autorização para um data center de 322,5 MW, com investimento previsto de R$ 181,7 bilhões.

A Bahia também tem a matéria-prima energia renovável, é líder nacional em geração eólica, com 37% da produção, e tem enorme capacidade solar. E existem projetos de data centers sendo executados ou em estudo no Estado, especialmente associados a parques eólicos, a exemplo da Renova Energia, com investimento estimado de cerca de R$ 900 milhões, integrado a sua infraestrutura eólica.

Em Gentio do Ouro, a Serena já instalou um pequeno data center e tem projetos que, somados, podem chegar a 270 MW. E há o projeto da Axia Energia, em Casa Nova, que opera uma planta híbrida de R$ 90 milhões combinando energia eólica, solar, baterias e data center como projeto de P&D e testando tecnologias que podem ser aplicadas a data centers de IA e computação em nuvem. E há anúncios de outras empresas, a exemplo da Excellence AI, em conjunto com o BRICS Fórum e da Ecoton, que pensa inclusive em treinamento de modelos de IA.

Mas a Bahia pode ampliar isso, especialmente no Polo Industrial de Camaçari, que já tem indústria, infraestrutura, proximidade de Salvador, porto, mão de obra qualificada e está se tornando um polo da indústria de energia limpa. É hora, portanto, de montar uma política específica para atrair data centers de grande escala, afinal, o Senado aprovou o Redata, regime de incentivos para data centers, com exigência de utilização de fontes renováveis ou de baixa emissão, com foco no Nordeste.

Mas aqui vale uma colocação: É verdade que os grandes data centers ajudam a absorver a energia gerada localmente, mas essas estruturas consomem quantidades gigantescas de energia e também de água, utilizada nos sistemas de refrigeração, e são intensivas em capital, gerando poucos empregos.

Ora, sendo assim, para a Bahia, só será interessante se os projetos vierem acompanhados de uma estratégia mais ampla de desenvolvimento tecnológico. Em outras palavras: a presença dessas empresas precisa vir acompanhada da criação de centros de pesquisa, formação de profissionais, desenvolvimento de empresas locais de software e inteligência artificial. Sem garantir que parte da capacidade computacional seja acessível às empresas e instituições baianas, a implantação de Data Centers será um novo enclave.

É bom atrair grandes data centers, mas desde que eles não causem problemas ambientais e garantam contrapartida, como determina o Redata.

A infraestrutura e os equipamentos para fazer funcionar os grandes data centers podem trazer bilhões em investimentos, mas é preciso garantir investimento em transmissão, uso eficiente da água, formação de mão de obra, contratação de fornecedores locais, pesquisa em inteligência artificial e, principalmente, impostos e participação efetiva da economia baiana no negócio.

Data centers são bem vindos, desde que tragam juntos pesquisa, desenvolvimento e avanço tecnológico.

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