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ARMANDO AVENA

Brasil e as maiores economias do mundo

Confira a coluna do economista Armando Avena desta quinta-feira, 22

Armando Avena
Por Armando Avena
Imagem ilustrativa da imagem Brasil e as maiores economias do mundo
Foto: © Marcello Casal Jr | Agência Brasil

O FMI – Fundo Monetário Internacional divulgou o ranking dos países com os maiores PIBs, Produto Interno Bruto do mundo, em 2023. O PIB, como todos sabem, é a soma em dólar do valor de todos os bens e serviços produzidos num país durante um ano e seu cálculo é um bom indicador do poderio econômico de cada país. Assim, os Estados Unidos possuem o maior PIB do mundo, que alcança um montante de US$ 27 trilhões. Isso significa que o PIB americano é sete vezes maior que o da Alemanha e doze vezes maior que o PIB brasileiro.

O segundo maior PIB do mundo é o da China num montante de quase US$ 18 trilhões e aqui surgem as previsões de que o país asiático vai ultrapassar os americanos até 2050. No entanto, essa previsão é baseada no passado, supondo que a China continuasse a crescer nos mesmos patamares da última década, o que parece improvável.

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A Goldman Sachs, por exemplo, afirma que só em 2075 a China e a Índia, os dois países mais populosos do mundo, terão ultrapassado os Estados Unidos. E, ainda assim, serão bem mais pobres que os americanos e os países da Europa, já que a renda média de sua população será muito menor. Vale lembrar que o país que mais cresce no mundo e tem a maior população é a Índia, o quinto maior PIB do planeta, que este ano cresceu 7,6%.

O que chamou a atenção no ranking de 2023 foi o fato da Alemanha ter se tornado a terceira maior economia do mundo superando o Japão. Mas o Japão cresceu 1,9% enquanto a Alemanha teve uma recessão de 0,3%. Como explicar isso? É simples, o cálculo do PIB é feito em dólar e o iene teve uma desvalorização de mais de 18% em relação à moeda americana nos últimos dois anos, o que fez o PIB nominal cair. Ambos os países têm problemas, como a forte dependência energética da Alemanha, mas os problemas do Japão são mais graves, como a escassez de mão de obra e o declínio demográfico, o que significa que a mudança veio para ficar.

O Brasil se posicionou bem no ranking, elevando-se duas posições e tornando-se a nona maior economia do mundo, ultrapassando o Canadá e a Rússia. Os três países tiveram crescimento do PIB da ordem de 3%, mas a economia brasileira é mais complexa e diversificada. A Rússia, por exemplo, é uma economia pequena, quinze vezes menor que os Estados Unidos e sua importância restringe-se à área da defesa, por causa do arsenal nuclear, e ao fornecimento de petróleo/gás.

E aqui vem uma boa notícia: o ano que vem o Brasil deve se tornar a oitava economia do mundo, ultrapassando a Itália, cuja economia vem patinando e cresceu apenas 0,7%. As economias do Reino Unido, que errou feio com o Brexit, e França, que possuem o sexto e o sétimo maior PIB do mundo, também estão crescendo pouco, apenas 0,1% em 2023, mas nesse caso a diferença com relação ao PIB do Brasil chega a US$ 1 trilhão. Em suma: chega de complexo de vira-lata, o Brasil é uma das maiores economias do planeta, mas tem de crescer acima de 3% ao ano continuamente se quiser se tornar mais relevante.

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