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ARMANDO AVENA

O debate e a economia

Previsão de crescimento do PIB para 2023 é de apenas 0,37%

Armando Avena
Por Armando Avena
O crescimento econômico não se sustenta, pois os juros tendem a permanecer altos, e não 
só porque a inflação ainda não cedeu
O crescimento econômico não se sustenta, pois os juros tendem a permanecer altos, e não só porque a inflação ainda não cedeu - Foto: Marcello Casal Jr | Agência Brasil

O debate entre os candidatos à presidência da República frustrou todo mundo que esperava uma luz para a economia brasileira. De um lado, Bolsonaro dizendo que a economia vai maravilhosamente bem e que ninguém passa fome no Brasil. De outro, candidatos com propostas cheias de boas intenções, mas pouco factíveis. Comecemos por Bolsonaro. Os indicadores da economia brasileira realmente melhoraram, com o desemprego se reduzindo um pouco, a inflação em queda e uma previsão de crescimento do PIB de 2%. O problema é que esses números não se sustentam. A queda na taxa de desemprego, o aumento da arrecadação e o crescimento do PIB são resultantes da retomada do pós-pandemia, pois só agora os serviços se recuperaram, da inflação que cria um falso ambiente de crescimento. O problema é que o crescimento econômico não se sustenta, pois os juros tendem a permanecer altos não só porque a inflação ainda não cedeu, já que sua queda foi focada em combustíveis e energia, mas também porque os trabalhadores vão começar a exigir reposição salarial.

A previsão de crescimento do PIB para 2023 é de apenas 0,37%. E isso no meio de uma bomba fiscal montada pelo governo, pois os gastos extraorçamentários já furaram o teto e a redução de impostos está sendo compensada com o aumento inflacionário da arrecadação. E mesmo com a melhora, o legado da era Bolsonaro é uma inflação que será o dobro da meta prevista, uma taxa de desemprego que registra quase 10 milhões de desempregados, 6 milhões de desalentados e informalidade recorde. E bastaria o presidente dirigir sua moto para as periferias do país para ver a fome ao vivo e em cores.

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O ex-presidente Lula, por outro lado, continua sem indicar como será sua política econômica e prevê o futuro acenando com o passado, ou seja, relembra seus dois mandatos, que tiveram bons indicadores, mas não aponta um caminho novo. Se coloca contra o teto dos gastos, mas não diz como vai controlar a bomba fiscal que está se formando e nem como vai garantir os bilhões do auxílio emergencial mantido em 600 reais. Ciro Gomes apresenta propostas novas, mas está prometendo muito, como um auxílio emergencial de mil reais e a promessa de acabar com a inadimplência dos brasileiros. Soraya Thronicke tem no imposto único sua única proposta, que não existe em nenhum país do mundo e é de difícil aplicabilidade.

Já Felipe D’Ávila tem boas ideias, mas foca todo seu discurso na possibilidade de gerir o Estado como se fosse uma empresa privada. A régua do lucro, da produtividade e da gestão acima de tudo, não se aplica totalmente ao Estado, não só porque o povo não pode ser demitido, mas porque a régua pública é a igualdade e o fornecimento de serviços básicos. Por fim, Simone Tebet, que tem foco e se mostra com os pés no chão, mas tampouco adiantou suas ideias sobre economia.

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