ARMANDO AVENA
Os candidatos e a infraestrutura da Bahia
Candidatos precisam dizer que posição terão com relação à Ferrovia Centro Atlântica


Os candidatos ao governo do Estado precisam falar mais sobre os temas relacionados com a infraestrutura, pois este é o maior gargalo da economia baiana. Precisam falar mais da Ferrovia Oeste Leste – o maior projeto de infraestrutura em execução na Bahia, que pode criar um corredor de transporte capaz de alavancar a produção de minérios e o agronegócio – e de como pretendem viabilizar sua conclusão, especialmente dos trechos que ligam Caetité a Barreira e daí ao entroncamento com a Fico – Ferrovia de Integração Centro Oeste, pois só com este traçado será possível criar um corredor de exportação de grãos. E precisam dizer como vão estimular a geração de oportunidades de negócios ao longo da ferrovia e como dinamizar centros urbanos e a área portuária de Ilhéus. Aqui vale lembrar que a Fiol vai mexer no mapa urbano da Bahia e cidades como Caetité, Brumado e Jequié vão se tornar pólos de oportunidade de negócios, bem como o eixo Ilhéus/ Itabuna, que ampliará seu papel de metrópole regional.
Os candidatos precisam dizer que posição terão com relação à Ferrovia Centro Atlântica, a única ferrovia ligando a Bahia e o Nordeste à região Sudeste, e se vão aceitar a renovação da concessão nos termos atuais, o que pode significar, se não houver garantia de novos investimentos, aceitar seu abandono atual por mais 30 anos. Além disso, precisam dizer como pretendem fazer a interligação portuária dessas ferrovias, quais as suas propostas para estimular a vocação portuária de Salvador e que investimentos pretendem propor para o Porto de Aratu.
Os candidatos precisam também se posicionar em relação à ponte Salvador-Itaparica, que pode criar um novo vetor de crescimento em uma cidade que possui uma única saída rodoviária com o Sudeste, mas não dizendo apenas se são contra ou a favor. Precisam se posicionar sobre o custo de oportunidade do projeto, no sentido de responder se vale a pena investir na ponte ou colocar esses recursos em outros programas fundamentais para a população do Estado. E precisam se posicionar também com relação a BR 324, a Salvador-Feira, um exemplo de rodovia mal administrada, que não cumpriu os ditames do contrato de concessão e vale-se de instrumentos jurídicos para seguir sem fazer investimentos, tornando-se um dos piores gargalos da infraestrutura baiana.
E, do mesmo modo, precisam comentar a falta de linhas de transmissão que impede um crescimento maior da Bahia na produção de energia eólica e solar, uma vocação do estado. Em relação ao semiárido, os candidatos precisam falar mais sobre o projeto do Canal do Sertão, a perna baiana da Transposição do Rio São Francisco, que levará água para 44 cidades do interior da Bahia e deverá beneficiar 1,2 milhão de pessoas. E com respeito às outras regiões listar os projetos no âmbito do escoamento da produção e de sua armazenagem em regiões como o Oeste, o Extremo Sul e outras. E precisam ainda discorrer sobre a duplicação da BR 101 e da BR 116.