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ARMANDO AVENA

Os eixos logísticos da Bahia

Confira a coluna de Armando Avena

Armando Avena
Por Armando Avena
Projeto ferrovia Fiol Trecho 1
Projeto ferrovia Fiol Trecho 1 - Foto: Divulgação/Bamin

A Bahia vive um momento de reorganização estrutural de sua logística de transporte, no qual destacam-se alguns eixos fundamentais. Cinco deles, que estão em níveis variados de proposta ou execução, vão reestruturar a economia baiana, integrando-a de modo competitivo à economia nacional e internacional.

Os cinco eixos compreendem duas ferrovias, a FIOL – Ferrovia Oeste-Leste e a FCA – Ferrovia Centro Atlântica; duas ligações rodoviárias estratégicas, a BR-324/BR-116 e a BR 242; e o chamado Sistema Viário do Oeste, que inclui a ponte Salvador-Itaparica.

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A FIOL vai integrar a região Oeste ao Sul da Bahia. E a longo prazo, será uma espécie de espinha dorsal econômica que ligará a região Centro Oeste ao mar do Nordeste. É o embrião da ferrovia bioceânica, que ligará o oceano Atlântico ao Pacifico. E reduzirá custos, ampliará a competitividade e colocará a Bahia nos grandes fluxos globais de comércio.

O Corredor Minas/ Bahia da Ferrovia Centro-Atlântica é outro eixo estratégico, pois moderniza a ponte ferroviária entre a Bahia e o Sudeste. Liga o Polo Industrial de Camaçari ao Sudeste, já transporta as commodities minerais, derivados de petróleo, insumos químicos e outros e pode ampliar e diversificar a pauta.

O projeto da FIOL está em tratativas para ser encampado por uma multinacional, a construtora portuguesa Mota-Engil, e já conta com financiamento de R$ 6 bilhões para a construção do Porto Sul. Já a FCA, leia-se VLI, entrou em acordo com o Ministério dos Transportes para a renovação da concessão, que deve ser assinada em 2027 e prevê, entre outros investimentos, a modernização do trecho Corinto a Salvador/Aratu; a construção do contorno de São Félix / Nova Ponte e a adequação e melhorias na bitola mista no trecho entre Tocandira, em Minas, e Brumado.

Há muita polêmica em relação ao Porto Sul, inclusive no relacionado a sua viabilidade comparada aos portos da RMS. É uma discussão focada em interesses dos grupos econômicos, que procuram potencializar sua posição ou evitar a competição. Mas há 70 anos se sabe que um porto no Sul da Bahia é estratégico.

Outro eixo rodoviário fundamental é a BR-324/ BR-116, a Rota 2 de Julho, cuja concessão está prevista para novembro de 2026. A BR 324 é a porta de Salvador e praticamente tudo entra e sai da capital passa por ela. Por isso, concessionar a BR-324/ BR-116 a uma empresa com capacidade e vontade de investir significa recuperar a principal artéria econômica do estado e dar um upgrade em vários setores, inclusive o agronegócio e a indústria instalada em Camaçari e RMS e na entrada de Salvador.

Ao mesmo tempo, é preciso modernizar a BR-242, a estrada do agronegócio, que liga a região Oeste aos portos e ao litoral baiano e se constituí no eixo de integração entre o cerrado nordestino e o oceano Atlântico. A BR 242 complementa a Fiol e deveria ser duplicada. Juntas viabilizam o transporte de grandes cargas e a capilaridade indispensável no sistema logístico.

O quinto eixo é o Sistema Viário do Oeste, com a ponte Salvador-Itaparica, outro projeto polêmico. Há quem não queira uma ponte na maravilhosa paisagem da Baía de Todos do Santos e há quem proponha projetos alternativos. Infelizmente, no mundo moderno, onde a competitividade é o principal determinante e o mercado é global, não há como trocar uma rota direta curta por uma rota alternativa longa e cheia de reentrâncias físicas, econômicas, administrativas e políticas. Tampouco é possível fazer da Bahia um paraíso turístico inteiramente protegido.

Salvador é uma cidade enclausurada pela geografia e a ponte Salvador-Itaparica vai viabilizar uma nova saída rodoviária para a península e vai criar uma nova opção logística, uma ligação direta com o sul da Bahia e com o sistema rodoviário que leva ao Sudeste do Brasil, sem depender da BR-324. É um vetor de expansão urbana e econômica, gerando investimentos em turismo, logística, indústria leve, agro e mercado imobiliário. Mas, claro, o estado precisará organizar essa expansão, será indispensável elaborar planos diretores e de expansão imobiliária para as cidades e será fundamental a organização da mobilidade, a dotação de segurança pública e tudo aquilo que é obrigação do Estado.

Esses eixos logísticos são estratégicos. E permitirão à Bahia, um estado maior que a França, ampliar as conexões e acabar com o isolacionismo de sua estrutura econômica. O litoral e o interior não podem continuar desconectados, é preciso consolidar as conexões existentes e criar novas.

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