A TARDE AGRO
‘Agribusiness Plan’: o futuro está no presente
Brasil pode dobrar PIB do agronegócio em 12 anos? Veja o que falta


Enquanto fortes emoções tomam conta da Nação, precisamos casar emoção com razão. Emoção movimenta, mas é a razão que orienta. O que nos trouxe até aqui no complexo do agronegócio (soma dos fatores do antes, dentro e pós-porteiras das fazendas) impulsionou o PIB com cerca de US$ 600 bi, e se somarmos os efeitos indiretos poderíamos acrescentar outro tanto nas cadeias da indústria, governo, comércio e serviços.
O Brasil é grande e as oportunidades superam obstáculos. O maior desafio é a construção de um planejamento estratégico de Estado e, nele, um “Agribusiness Plan”, plano de negócios de todas as cadeias e elos, voltado ao crescimento do mercado interno, casado com acessos a todos os mercados mundiais.
Com essa construção criativa, creio fortemente que podemos almejar um salto no PIB do agro, o dobro em 12 anos, acima da meta do US$ trilhão. Para maior certeza de esse sonho ser real, é decisiva uma orquestração, em 2027, para um plano de negócios que aponte o que fazer, como fazer, quem vai fazer, por que fazer, quando começar a fazer e quando entregar, para quem fazer e para quem vender. E, logicamente, para que o sonho não vire apenas ilusão, quem vai liderar, barreiras a quebrar, e quais métricas e metas o irão acompanhar na administração.
Se você me chamar de otimista, me defino assim, e podemos extrair nas realidades concretas que nos trouxeram até aqui exemplos dessas visões nas quais poucos acreditavam, mas, graças a esses poucos, fizemos no mundo a maior revolução criativa tropical, o agro brasileiro maior exportador mundial sustentável e ambiental.
Agora, o País exige a convocação dos melhores quadros na ciência, academia, empreendedorismo, cooperativismo, mídia, na soma de público e privado, na política. Hora de as organizações da sociedade se reunirem para aplicação do conhecimento avançado a serviço do bem nacional e do mundo.
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Há exemplos positivos na história, a criação de IACs, da Embrapa, instituições educacionais premiadas e respeitadas no mundo, cooperativas e intercooperação, planos disruptivos (Proalcool, Renovabio, Algodão do Brasil, Indústria Brasileira da Árvore, Plano de Valorização do Café, etc), a saga dos grãos no Cerrado, segmentos da fruticultura, o sucesso da proteína animal, citricultura campeã mundial, a fumicultura com integração, biocombustíveis, biogás, carbono, etc. As oportunidades, do “A” do abacate ao “Z” do zebu, são imensas, sempre com olhar de cadeias produtivas, reunindo indústria, comércio e serviço, com a originação tropical agropecuária nacional.
Modelos inovadores – ILPF, exemplos de coordenação de cadeias, ao lado dos supermercados, como ABCS (dobrando consumo per capita da carne suína), o renascimento do ovo. Temos mercados mundiais com segmentos e nichos, arroz, feijão, cacau, seringueiras, macaúba, todas as frutas, incluindo os nossos “terroir” locais, IG, marcas regionais fomentando o agroturismo. Palma forrageira, um milagre nordestino da Empaern, empresa de pesquisa do Rio Grande do Norte. Maravilha de pesquisa!
Temos patrimônio potencial de imagem gigantesco, como “Amazônia”, e pesquisas de percepção que mostram o valor da Marca Brasil: natureza, povo afetivo, turismo, agro. E sem esquecer das dependências de importações, como trigo e fertilizantes. A Abia, indústria de alimentos e bebidas, diz: “Precisamos conquistar as gôndolas do mundo, além de celeiros”, e acrescento: conquistar as mesas do mundo e o coração dos consumidores – Agrocidadania.
O Brasil só não assumirá o papel do maior agro e turismo planetário se não reunirmos nossos melhores talentos para construir um “Agribusiness Plan” agroconsciente.


