Busca interna do iBahia
HOME > colunistas > A TARDE AGRO

A TARDE AGRO

Safra 2026/27, safra da superação

Produtores buscam prudência financeira e inovação sustentável para superar ciclos

José Luiz Tejon
Por José Luiz Tejon
Imagens de plantação e colheita de algodão
Imagens de plantação e colheita de algodão - Foto: Abapa | Divulgação

Atenção para a inteligência emocional nesta safra 2026/27. O cenário da incerteza, dos desequilíbrios dos fatores incontroláveis, das agitações de tarifaços, investigações, guerras de redes sociais, e ano de eleição, coloca a atividade rural e a saúde mental de produtoras e produtores num severo teste que vai exigir o máximo do talento e competências de superação.

Além dos riscos de “El Niño”, dos custos elevados, de juros altos, de não termos resolvido assuntos que há décadas debatemos como logística, armazenagem, seguro rural, plano nacional de fertilizantes, irrigação, ausência de um planejamento estratégico de estado para a integração e segurança do sistema de agronegócio reunindo o antes, dentro e pós-porteira das fazendas, temos ainda um agro concorrente poderoso e ganancioso: USA de Trump, que ataca o mundo mas de olho total no seu mega competidor China que atinge um PIB de mais de US$ 20 trilhões, ameaçando a supremacia norte-americana com um PIB hoje na casa de US$ 32 trilhões.

Tudo sobre A TARDE Agro em primeira mão! Compartilhar no Whatsapp Entre no canal do WhatsApp.

E por acaso esse alvo de Trump e também o nosso principal cliente. Portanto, precisamos calma, pensamento equilibrado, inteligência emocional e fazer desta safra crítica um aprendizado que nos faça valer a pena o que iremos enfrentar.

Conversando com amigos produtores ouço deles que estão analisando com muito cuidado os fatores dentro de suas porteiras e ouvi a expressão: “vamos fazer uma safra baratinha”, com o menor desembolso possível.

Leia Também:

METAS

Brasil projeta queda de até 92,6% em emissões da pecuária até 2050
Brasil projeta queda de até 92,6% em emissões da pecuária até 2050 imagem

A TARDE AGRO

Brasil incinera 230 toneladas de agrotóxicos ilegais
Brasil incinera 230 toneladas de agrotóxicos ilegais imagem

A TARDE AGRO

Jornalista de A TARDE é homenageada na Bahia Farm Show
Jornalista de A TARDE é homenageada na Bahia Farm Show imagem

De outros, ouço que não terão uma decisão única na sua estratégia de safra, isso irá depender de cada área da sua propriedade conforme tenha melhor palhada, áreas de maior preservação, com práticas regenerativas e previsões climáticas. Observo também que nas crises há o estímulo para inovações essenciais, como por exemplo a economia circular transformando dejetos e desperdícios em biogás, biometano, bioeletricidade e biofertilizantes.

A hora e a vez dos biocombustíveis, do ILPF, de outras possibilidades para recursos financeiros de modelos como Fiagro para setores como os hortifrutigranjeiros e outros.

Estive na Coocacer esta semana na celebração da safra do café, o clima está bem mais ameno do que nas áreas de grãos e cana, por exemplo, com preços bons na saca de café, mas já vem uma carga de tarifaços novos dos EUA de 25% mais 12,5% no solúvel colocando o Cecafé em estado total de alerta, além dos mesmos dramas nos custos. Idem na pecuária onde os preços sustentam, no corte, mas seguimos complicados demais no leite.

Este ano para quem seguiu os velhos e bons conselhos irá se sair bem melhor. A prudência e a sabedoria, como eu mesmo tive a sorte de ouvir aos meus 24 anos quando no meu primeiro emprego, na Jacto em Pompeia (SP), nos idos de 1977 ouvi de Shunji Nishimura, seu fundador, esta pérola sagrada:

“Quando tudo vai bem se prepare para ir mal, se você estiver preparado vai se sair bem mesmo na baixa dos negócios, para isso quando vai bem investe em inovação e faz segurança financeira de caixa”. Assim como o brilhante economista chefe da Farsul Antônio da Luz afirma: “Agricultor não quebra na baixa, quebra na alta”.

Esta grave crise estrutural, e impulsionada fortemente por algo absolutamente impensável, o presidente do maior país do mundo, Estados Unidos, disputando uma brutal guerra de percepções planetária provoca por um lado medo, polarizações e tira o foco do que de fato pode e precisa ser organizado para superar a fase e criarmos aprendizados que nos levem a mitigar no futuro novas situações como esta. E nos coloca sob investigações do USTR em áreas delicadas como etanol e desmatamento.

Daniel Goleman, criador da inteligência emocional, revela que 11% dos seres humanos vão na frente com competência, 19% podem seguir os 11%. O problema sério está em 50% indiferente esperando que milagres aconteçam e outros 20% terroristas atacando tudo e todos e apontando culpados: os outros.

Precisamos nesta hora de uma convergência das lideranças empresariais brasileiras, todas as nossas confederações empresariais reunidas para um plano emergencial de suporte aos produtores rurais, e ações de negócios e joint venture internacionais nas áreas comerciais, industriais e de serviços no contexto do complexo do agribusiness brasileiro.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Compartilhar no Whatsapp Clique aqui

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no X Compartilhar no Email

Tags

a tarde agro agronegócio

Relacionadas

Mais lidas