VISÃO E SUSTENTABILIDADE
‘Se o Brasil liderar, o mundo o seguirá’ (Rattan Lal, Nobel da Paz)
O prêmio Nobel da Paz Rattan Lal aponta o Brasil como guia global da agricultura sustentável e do mercado de carbono


Entrevistei o dr. Rattan Lal, Prêmio Nobel da Paz (2007), a respeito do agro brasileiro e quais seriam suas três mensagens vitais para os líderes do Brasil. Ele disse:
- Parabéns, o Brasil se transformou no líder mundial da exportação de alimentos nos últimos 50 anos, isso é um feito que merece elogios.
- Tem os desafios doravante que envolvem a sustentabilidade, produzir mais com menos, menos recursos ambientais, menos água, com total compromisso com a natureza.
- E atender os Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis da ONU, combate à fome e à pobreza, ação climática, paz e justiça para todos, e tratar produtores rurais como agentes da saúde total do planeta, desenvolvendo o mercado de carbono, remunerando os produtores com crédito de carbono e por serviços ambientais, a legítima saúde em todos os sentidos. E acrescentou: “Se o Brasil liderar, o mundo o seguirá”.
Significa que não temos tempo a perder com desarranjos e conflitos ruins a respeito do desenvolvimento e prosperidade do complexo do agro brasileiro. Necessitamos de uma escalada vertiginosa de velocidade, integração de plano estratégico, reunindo a iniciativa privada com a pública.
Nosso agro poderá dobrar de tamanho em 12 anos, indo para a meta de superar, na soma das cadeias produtivas, US$ 1 trilhão, e impactar decisivamente o total do PIB do País nesse período. Esta visão eu diria se tratar de um sonho, um desejo forte, veemente e exequível. E “sonho que se sonha junto vira realidade” (assim Raul Seixas cantava).
Fizemos o inimaginável nos últimos 50 anos quando retornamos a 1976. Agora, precisamos deixar velhas ideologias e guerras, ódios e conflitos para trás, compreender que conflito só é bom quando está alicerçado na confiança dos debates, na liderança de caráter e confiável, caso contrário não teremos o bom conflito criador e, sim, o mau conflito destruidor.
Divisões e polarizações não interessam mais ao País, e muito menos em um plano estratégico do agro na condução da voz do futuro do planeta, como afirma Lal.
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A proteína animal com todas relações em todas as cadeias produtivas significa uma alavanca poderosa do Brasil para o mundo. Inclua-se nisso o biogás e seus derivados energéticos, em paralelo ao potencial gigantesco dos biocombustíveis, e iremos também ver uma integração de biomassas com milho e cana.
O Brasil tem toda condição de orquestrar, organizar a voz do agro consciente daqui para frente. Somos um País feito com todos os povos do mundo, aqui somos todos imigrantes e nos misturamos entre todos, incluindo os povos originários. Formamos o maior “melting pot” genético humano do planeta, e pesquisas sobre a percepção da Marca Brasil no mundo neste ano apresentaram quatro fatores da percepção do Brasil: natureza, povo afetivo, turismo e agro, e realidades apontadas pelo dr. Rattan nos permitem, de fato, liderar o destino planetário além dos alimentos, também com a preservação da vida na Terra. Temos competência, biodiversidade e dimensão para tanto.
Que agora tenhamos uma reunião público-privada com plano de estado, e que sejamos um País, uma Nação, um agro, desde as famílias agrícolas com o cooperativismo, até as organizações agroindustriais no antes e pós-porteiras das fazendas, passando por novos modelos empresariais de alta tecnologia dentro das porteiras.
Podemos fazer, e se o Brasil fizer, o mundo nos seguirá. Hora de irmos para frente, uma “Nação da paz”, como o dr. Roberto Rodrigues sempre repete.


