AUTO BRASIL
A cadeia automotiva e a maior recessão desde 1929


Especialistas em projeções, com inteligência para prever comportamentos de consumo e traçar cenários mercadológicos no pós-pandemia são muito requisitados neste momento. Na cadeia automotiva, fabricantes e revendas se movimentam para, além de gerenciar a crise do agora, planejar ações pós-quarentena.
Sabemos que não existe bola de cristal infalível ou receita de bolo no mundo empresarial, mas é fácil prever que as estruturas devem ser mais enxutas e os custos minimizados.
Não por acaso, a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, afirmou recentemente que a pandemia do novo coronavírus deve levar o mundo à maior recessão desde 1929. “O crescimento global se tornará negativo em 2020, e antecipamos as piores consequências econômicas desde a Grande Depressão”.
Com essas perspectivas está claro que algumas revendas podem não ter fôlego para superar a crise, que a indústria brasileira terá imenso desafio para escoar a produção, e que os índices de desemprego e endividamento das famílias brasileiras serão ainda maiores.
Mas há luz no fim do túnel e uma tendência de aumento do desejo de compra de veículos, novos ou usados. Isso porque, como a vacina deve demorar um ano, ou pouco mais, para ser testada e distribuída em larga escala, as pessoas tendem a querer evitar transporte público ou por aplicativo. E quem tiver recursos, vai comprar carro.
Um estudo realizado pela Ipsos mostra que após uma queda de 80% nas vendas de carros na China, em fevereiro, havia forte intenção de compra de veículo novo, devido à falta de confiança no transporte público. Porém não é efetivo fazer um paralelo entre Brasil e China, sem levar em conta algumas variáveis.
A China vendeu 21,5 milhões de carros em 2019, ao passo que o Brasil comercializou apenas 2,7 milhões, o que demonstra a gigantesca diferença entre os dois mercados.
Contudo, é simples prever que vai haver aumento da demanda por carros pela classe A/B no Brasil e que o modelo compacto das concessionárias digitais veio para ficar. Os fabricantes, tendem a ampliar sua rede de modelos digitais.