Vendas de motos devem crescer 16,7% este ano

Fenabrave revisa para cima as projeções do setor, que vive a expectativa da Isenção do IPVA, após aprovação de projeto

Publicado quarta-feira, 13 de julho de 2022 às 05:30 h | Atualizado em 12/07/2022, 23:53 | Autor: Núbia Cristina
Projeção da Fenabrave é de 1,35 milhão de motos emplacadas até o fim do ano
Projeção da Fenabrave é de 1,35 milhão de motos emplacadas até o fim do ano -

O segmento de duas rodas deve contabilizar bons resultados até o final de 2022. Revisadas para cima, as projeções da Fenabrave, entidade que representa o setor de distribuição de veículos no Brasil, preveem 1,35 milhão de motocicletas emplacadas até o fim do ano, resultando em alta de 16,7% sobre 2021. Esse seria o melhor desempenho desde 2014.

Em janeiro, a previsão era de 1,23 milhão de unidades e acréscimo de 6,2% sobre os licenciamentos de 2021. Além de outros fatores, uma notícia recente eleva o otimismo do setor.

O Plenário do Senado aprovou no dia 06.07 um projeto de resolução, o PRS 3/2019, que permite reduzir a zero a alíquota do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) para motocicletas de até 170 cilindradas. De acordo com a proposta, a alíquota "zerada" não é impositiva, servirá apenas como uma sinalização para os estados e o Distrito Federal. 

Agora o texto vai a promulgação. Como se trata de um projeto de resolução do Senado, não precisa ser votado pela Câmara dos Deputados e nem ser sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro, segue direto para a promulgação.

“A Fenabrave demorou para rever essa previsão, e o crescimento deve ser ainda maior. O número que a gente sempre bateu e continua apostando firme e forte é 1 milhão e 450 mil unidades emplacadas”, projeta o economista Raphael Galante, que trabalha no setor automotivo há mais de 20 anos e atua como consultor na Oikonomia Consultoria Automotiva.

Ele destaca que embora não seja uma imposição aos estados zerar o IPVA, o projeto vai motivar a redução do imposto, estimulando ainda mais as vendas de motos mais baratas e de menor cilindrada.  

“Será muito bom para a indústria, mesmo não sendo proposta impositiva tende a dar um gás ao mercado de motocicletas”, diz. 

Para o doutor e mestre em Administração Eder Polizei, professor da Baiana Business School, a novidade terá um impacto muito grande nas pequenas cidades do interior. “Principalmente no Norte e Nordeste, onde podemos encontrar cidades em que a participação de motos de baixas cilindradas, quando comparada aos carros, é bem significativa”.

Números

As vendas de motos em junho, segundo a Fenabrave, somaram 120,9 mil motos, resultando em queda de 9,4% em relação a maio - que teve mais dias úteis e foi o melhor mês do ano. Entretanto, a média diária de vendas em junho permaneceu perto de 6 mil unidades, como no mês anterior. O acumulado dos seis meses já teve 636,7 mil motos licenciadas, o melhor resultado para o período em sete anos. Na comparação com a primeira metade de 2021 houve alta de 23,1%. 

De janeiro a junho deste ano, a Honda vendeu 486,4 mil motos no País, 25% a mais que no mesmo período do ano passado. A Yamaha, segunda colocada, teve 104,5 mil motos entregues, mas cresceu apenas 9,4% no período. Destaque para o acréscimo de 100,7% nas vendas da terceira colocada, a Shineray, com 10,7 mil motos licenciadas no primeiro semestre.

Fatores

Polizei ressalta que nunca um fenômeno mercadológico se deve a um único fator. E destaca três principais causas para o aumento das vendas de motos. “A alta do combustível tem um uma influência nessa escolha – principalmente para uso urbano”, pontua.

“Mas há ainda o efeito “share of wallet” ou o tamanho do bolso do consumidor – explico melhor: em momentos de crise, os indivíduos necessitam maximizar as suas escolhas em relação aos benefícios – ao comprar um carro ou uma moto, buscam em última instância o benefício da “locomoção” – como os carros estão muitos caros e as motos bem ou mal podem suprir essa lacuna, existe uma clara transferência do dinheiro no bolso do consumidor (que é finito), para itens de valores menores”, explica. 

Esse conceito é também visto em outros setores quando os consumidores “descem um degrau” no consumo. “Se em momentos de mercado aquecido eles viajariam para o exterior nas férias, na crise, fazem uma viagem doméstica, se costuma comer picanha em mercados aquecidos, na crise optam por carnes menos nobres para o churrasco”, pontua.

Outro fator é que o financiamento de motos é muito mais acessível do que financiamento de carros. “Na crise, os bancos limitam os montantes de financiamento. Isso implica em dizer que para o banco é muito mais negócio ofertar financiamentos para cinco consumidores com baixo risco (em função dos valores) do que para dois indivíduos com valores mais altos e, portanto, de maior risco”, diz.

Raphael Galante destaca o crescimento do consórcio de motos. “Que vai continuar crescendo sistematicamente, devido à alta na taxa de juros. Isso está gerando uma carteira futura de entrega e confirmando o crescimento do setor de motos no futuro”. Ele também destaca o incremento do delivery, gerado pela pandemia, com um dos fatores que estimulam o mercado de duas rodas.

O professor Eder Polizei concorda que esse efeito fez aumentar o mercado de motocicletas de baixas cilindradas. Isso implica em dizer que o comportamento pós-pandemia elevou o teto ou a demanda total de motocicletas no Brasil. “Por outro lado, as pessoas estão voltando a sair de casa e o e-commerce, por exemplo, está sofrendo quedas substanciais, quando comparado ao mesmo período do ano anterior, isso porque parte dos consumidores deixaram de comprar pela internet e voltaram a comprar em lojas físicas. O mesmo fenômeno está ocorrendo e vai se acentuar no delivery”, pondera.

Publicações relacionadas