ANÁLISE
Ancelotti mantém dúvidas na Seleção Brasileira mesmo após amistosos
Tostão analisa a vitória sobre o Egito e destaca a evolução da marcação por pressão
Os amistosos contra Panamá e Egito não alteraram significativamente a percepção sobre as chances da Seleção Brasileira na Copa do Mundo. Para Tostão, o principal aspecto positivo da vitória sobre os egípcios foi a melhora na marcação por pressão, executada de forma mais eficiente do que nos jogos anteriores.
Essa estratégia permitiu ao Brasil recuperar bolas em zonas avançadas do campo e participar diretamente da construção dos dois gols da partida. Ao mesmo tempo, o modelo aumenta os riscos defensivos, já que deixa mais espaços nas costas da marcação quando a recuperação não acontece.
Pressão alta ainda gera vulnerabilidades
Durante o primeiro tempo, Casemiro, Bruno Guimarães, Paquetá e Raphinha atuaram muito centralizados, deixando os laterais expostos. O Egito aproveitou esses espaços e criou oportunidades importantes.
Por isso, apesar da vitória, permanecem as dúvidas sobre a formação ideal para a estreia na Copa do Mundo. As muitas experiências realizadas por Carlo Ancelotti ao longo dos amistosos mantiveram indefinidas algumas posições da equipe.
Quatro titulares parecem definidos
Na visão de Tostão, apenas quatro jogadores do meio para frente parecem ter lugar garantido: Casemiro, Bruno Guimarães, Vinicius Junior e Raphinha.
As demais vagas seguem em disputa e dependem do desenho tático escolhido pelo treinador italiano.
Quando Ancelotti afirma que pretende utilizar o 4-4-2, a interpretação mais provável é que ele esteja se referindo ao momento defensivo da equipe, com quatro jogadores protegendo a linha de defesa.
O debate sobre esquemas táticos perdeu sentido
Para o ex-jogador, a discussão sobre jogar no 4-4-2, 4-3-3 ou 4-2-4 tornou-se ultrapassada no futebol moderno.
As equipes atuais mudam constantemente de posicionamento durante as partidas. Pontas atacam e defendem, meias avançam, atacantes recuam e os desenhos táticos se transformam a cada instante.
Mais importante do que o sistema registrado na prancheta é a capacidade de compactação, intensidade e adaptação ao contexto do jogo.
As mesmas dúvidas de 1970
Tostão lembra que discussões semelhantes ocorreram antes da Copa de 1970. Na época, o debate girava em torno da presença de um terceiro homem de meio-campo e da utilização de um centroavante clássico ou de um atacante com características mais móveis.
Segundo ele, Zagallo defendia a necessidade de fortalecer o meio-campo para enfrentar as grandes seleções europeias, uma preocupação que permanece atual mais de cinco décadas depois.
A imagem de Pelé no cinema
Ao comentar o filme "Brasil 70 – A Saga do Tri", exibido pela Netflix, Tostão afirma que a produção é emocionante, bem realizada e reproduz com qualidade vários momentos históricos.
Porém, ressalta que se trata de uma obra de ficção e que muitas situações foram dramatizadas ou inventadas para aumentar o impacto narrativo.
Ele também contesta a ideia de uma pressão explícita de Pelé para sua escalação. Segundo Tostão, se houve influência, ela aconteceu de forma silenciosa, por meio de conversas e gestos discretos.
Para ele, Pelé era um atleta extremamente equilibrado, consciente e forte emocionalmente, qualidades que ajudaram a transformá-lo no maior jogador da história do futebol.