Busca interna do iBahia
HOME > colunistas > COLUNA DO TOSTÃO

ANÁLISE E HISTÓRIAS

Brasil expõe velhos problemas contra Marrocos e aumenta dúvidas de Ancelotti

Tostão critica a pouca associação no meio-campo brasileiro e questiona se Ancelotti ainda busca a melhor formação

Tostão
Por Tostão
Brasil e Marrocos na estreia da Copa do Mundo
Brasil e Marrocos na estreia da Copa do Mundo - Foto: TIMOTHY A. CLARY / AFP

A reação ao empate da Seleção Brasileira por 1 a 1 com Marrocos mostrou mais uma vez um velho hábito nacional: no Brasil, tudo costuma ser tratado como sucesso absoluto ou fracasso completo. Muito elogiada antes da estreia, a equipe passou a ser duramente criticada após o primeiro tropeço no Mundial.

Um dos principais alvos foi Casemiro. Nos últimos meses, o volante recebeu elogios por suas atuações sob o comando de Carlo Ancelotti, tanto no Manchester United quanto na Seleção. Agora, passou a ser questionado pelos passes errados e pela falta de mobilidade.

Tudo sobre Coluna do Tostão em primeira mão! Compartilhar no Whatsapp Entre no canal do WhatsApp.

A evolução do meio-campo mundial

Mesmo que Casemiro tenha boas atuações no restante da Copa, o futebol atual exige cada vez mais jogadores capazes de marcar, construir e avançar. Os principais atletas da posição combinam intensidade defensiva, qualidade nos passes e participação ofensiva.

É o caso de nomes como Vitinha, de Portugal, Valverde, do Uruguai, e Bouaddi, jovem destaque marroquino de apenas 18 anos.

Dentro dessa lógica, Casemiro renderia mais atuando centralizado e mais recuado, protegido por dois meio-campistas capazes de percorrer o campo inteiro, participando tanto da marcação quanto da criação das jogadas.

Um problema que atravessa gerações

A dificuldade da Seleção não surgiu agora. Há décadas, o futebol brasileiro separa o meio-campo entre volantes responsáveis pela marcação e meias ofensivos encarregados da criação.

O resultado é uma equipe que frequentemente troca poucos passes pelo centro e depende de jogadas individuais para desequilibrar partidas. O golaço de Vinicius Junior contra Marrocos é um exemplo desse modelo.

Os fracassos recentes da Seleção, como o 7 a 1 diante da Alemanha e o 4 a 1 sofrido contra a Argentina, também passam por essa dificuldade de controlar o jogo através do meio-campo.

A importância dos laterais

Outro ponto levantado é a falta de laterais capazes de contribuir ofensivamente. Grandes equipes modernas não contam apenas com defensores pelos lados, mas com jogadores que ajudam na construção das jogadas e oferecem amplitude ao ataque.

Por isso, pouco muda quando a Seleção troca um lateral por outro com características essencialmente defensivas. O problema permanece estrutural.

As críticas a Raphinha e Vinicius

Raphinha também vem recebendo críticas. No entanto, sua atuação guarda semelhanças com o que faz no Barcelona. É um jogador que costuma decidir em momentos específicos da partida, sem necessariamente participar de forma constante durante os noventa minutos.

Vinicius Junior vive situação parecida. Tenta um grande número de jogadas individuais, erra algumas e acerta outras. Quando a jogada decisiva acontece, transforma-se em herói. Quando não acontece, surgem as cobranças.

Mesmo assim, ambos seguem sendo fundamentais para as ambições brasileiras.

Nenhuma favorita está livre de problemas

As dificuldades não são exclusividade da Seleção Brasileira. A Espanha encontrou enormes obstáculos para furar a retranca de Cabo Verde no empate sem gols. A França venceu Senegal por 3 a 1, mas concedeu espaços defensivos que poderiam ter mudado a história da partida.

As principais candidatas ao título convivem com dúvidas, limitações e desafios. Em uma Copa do Mundo, raramente existe uma equipe perfeita.

Dúvida ou estratégia?

A principal questão é saber se Carlo Ancelotti ainda busca a melhor formação para a equipe ou se utiliza a variedade de opções como ferramenta estratégica para escolher a solução ideal de acordo com cada adversário.

Talvez a resposta só apareça quando o torneio entrar em sua fase decisiva. Até lá, como sempre acontece em Copas do Mundo, as perguntas continuarão sendo mais numerosas do que as certezas.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Google Noticias Siga o A TARDE no Google Noticias

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no Email

Tags

copa do mundo seleção brasileira tostão

Relacionadas

Mais lidas