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ANÁLISE E HISTÓRIA

Convocação, dúvidas e as versões que o tempo inventa

Tostão analisa as dúvidas de Ancelotti na convocação final e relembra bastidores das Copas de 66 e 70

Tostão
Por Tostão
Carlo Ancelotti ainda tem dúvidas sobre a lista final
Carlo Ancelotti ainda tem dúvidas sobre a lista final -

Na lista final dos convocados para a Copa do Mundo, Carlo Ancelotti ainda deve ter algumas dúvidas, especialmente do meio para frente, com quatro jogadores — Andrey, Paquetá, Rayan e Neymar — para duas vagas. A polarização sobre Neymar, se ele deve ou não ir ao mundial, está tão radical quanto a da política brasileira.

Ancelotti será o juiz e espera-se que tenha a sabedoria para decidir. Ou a melhor solução seria jogar a moeda para cima e ver se deu cara ou coroa?

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Tensão antes da convocação

Os jogadores que ainda não estão garantidos na Copa certamente vivem dias de ansiedade. Nos dois mundiais que disputei, em 1966 e 1970, também corri riscos de ficar fora, por razões diferentes.

Em 1966, foram convocados 44 jogadores e apenas 22 viajariam para a Inglaterra. Alguns eram cortados durante treinos e amistosos. Passamos 20 dias na Suécia, e a lista final só sairia pouco antes da viagem. Eu tinha 19 anos, era reserva de Pelé e disputava espaço com outros concorrentes.

Na véspera do anúncio dos convocados, encontrei no hall do hotel o supervisor Carlos Nascimento, homem austero e de poucas palavras. Por distração, convicção ou prepotência, perguntei a ele sobre o horário da viagem para a Inglaterra. Ele apenas me olhou duramente e não respondeu.

Passei a noite sem dormir, imaginando ter cometido uma enorme gafe e que seria cortado. Felizmente, no dia seguinte, meu nome estava na lista.

Risco antes da Copa de 70

Na Copa de 1970, o drama foi ainda maior. Eu havia sido operado de descolamento de retina e deveria ficar seis meses em repouso absoluto. O país inteiro discutia se eu teria condições de disputar o mundial. Mesmo sendo artilheiro das eliminatórias, apresentei-me depois dos demais jogadores e treinava separado.

Com a liberação médica, consegui mostrar que estava apto a jogar. Restava convencer Zagallo de que eu deveria ser titular ao lado de Pelé.

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SUBSTITUTO?

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O time da Copa praticamente nasceu após um jogo-treino em Guanajuato, no México. Naquela partida, Zagallo escalou Piazza como zagueiro, Rivellino mais recuado pela esquerda formando um trio no meio-campo com Gérson e Clodoaldo, e eu como centroavante ao lado de Pelé e Jairzinho.

Quando o treino terminou, Zagallo entrou sorrindo no campo. Não precisou dizer nada. Pelo olhar, ficou claro que aquele seria o time do mundial.

Seleção de 70 e os mitos do futebol

Com o passar do tempo, a história costuma ser contada de maneiras diferentes. Muitas pessoas deformam a realidade e reconstroem os fatos de acordo com aquilo que gostariam que tivesse acontecido. As versões frequentemente se tornam mais sedutoras que a verdade.

A seleção brasileira de 1970 encantou o mundo porque reunia muitos craques, mas também porque era extremamente coletiva, organizada e equilibrada. Havia um trio sólido no meio-campo e outro no ataque. Para a época, era um time revolucionário, que marcava e atacava com muitos jogadores.

Mesmo assim, o discurso repetido até hoje é o de que aquela seleção era apenas ousada, ofensiva, formada por cinco camisas 10 e cheia de jogadores livres para fazer o que quisessem em campo.

Não era assim. Existia talento, claro, mas também havia estratégia, disciplina tática e organização coletiva.

Futebol, política e contradições

Logo após o título mundial, até pessoas que afirmavam não torcer pela seleção por causa da nefasta ditadura militar saíram às ruas comemorando, enroladas na bandeira brasileira. Entre elas, inclusive, estavam políticos e figuras públicas que mais tarde seriam acusados de corrupção.

O futebol, como a vida, é cheio de contradições. Une emoção, memória, paixão, ideologia e fantasia. Talvez por isso continue fascinando tanta gente.

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Ancelotti copa do mundo neymar seleção brasileira tostão

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