O jogo de futebol, na média, especialmente entre as melhores equipes do mundo, vive um ótimo momento. Foi o que presenciamos novamente nesta semana pela Liga dos Campeões, com belas partidas e muitos gols.
O período, mais ou menos, entre 1954 e1974, durante uns vinte anos, foi de encantamento com um futebol muito bonito, criativo, ofensivo, com grandes times e supercraques, como o Santos de Pelé, o Botafogo de Garrincha e Didi, o Real Madrid de Puskas e Di Stefano, as seleções brasileiras de 1958, 1962 e 1970, a Holanda de 1974 de Cruyff e tantos outros times e craques que fascinaram o mundo.
A partir dos anos 80 ou 90, com o desenvolvimento progressivo da ciência esportiva, criou-se um grande dilema, um confronto entre o jogo bonito, inventivo, imprevisível e o futebol mais programado, tático, disciplinado e mais defensivo com o recuo da marcação para fechar os espaços e contra-atacar. Um time esperava o outro e nada acontecia. Obviamente, grandes craques existem em todas as épocas.
Leia Também:
Nas últimas duas décadas, especialmente nos anos recentes, houve uma conciliação entre o dever, o jogo programado, tático com o prazer, talento individual, a inventividade e a improvisação. O jogo está mais eficiente, intenso, ofensivo, com mais gols, mais pressão para recuperar a bola, mais compactação, mais troca de passes desde o goleiro e tantos outros detalhes. É a união da arte e da técnica.
Como os times tentam trocar passes desde o goleiro e pressionam para recuperar a bola mais próxima do outro gol, ocorrem mais riscos de perder a bola na própria intermediaria e de deixar muitos espaços na defesa. O Barcelona está sempre próximo de golear, ser goleado ou de vencer ou perder em uma partida com muitos gols para os dois lados. Os jogos são emocionantes e deliciosos.
O Manchester City, contra o Real Madrid, começou melhor e perdeu por 3x0. O time inglês jogou no ataque em Madrid da mesma maneira que enfrenta os últimos colocados do campeonato inglês. O PSG goleou o Chelsea por 5x2 em um jogo equilibrado. Os meio-campistas europeus são importantíssimos, o que ainda não é habitual no futebol brasileiro. Vitinha, do PSG, e Valverde do Real Madrid, foram os grandes destaques. O São Paulo, dirigido por Crespo ou Roger Machado, segue esse modelo com um excelente trio de meio-campistas que alternam suas posições durante a partida.
No Brasileirão, Flamengo e Cruzeiro fizeram um jogo discreto, previsível. Gerson, pelo que já jogou, criou uma enorme expectativa. Tenho a impressão que Gerson e Gabigol atingiram um grande prestigio no Flamengo e não souberam lidar com suas carreiras. Perderam o senso crítico e o intenso brilho.
Como lembrou o excelente jornalista André Rizek do Sport TV, Gerson foi titular e atuou bem na primeira partida da seleção sob o comando de Ancelotti e depois nunca mais foi convocado. Não está nem na pré-lista para os dois amistosos contra França e Croácia. O próprio jogador, Tite, a psicologia e o clube precisam tentar ajuda-lo, dentro e fora de campo.
Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia.
Participe também do nosso canal no WhatsApp.
Compartilhe essa notícia com seus amigos
Siga nossas redes

