COLUNA DO TOSTÃO
O futebol mudou, mas o Brasil ainda procura seus grandes laterais
Tostão analisa a evolução dos laterais, as dúvidas da seleção brasileira e a genialidade de Messi


Na coluna anterior, escrevi que Ancelotti poderia testar um meio-campista na lateral, para marcar e apoiar. Um leitor, que encontrei em minhas caminhadas pelo bairro onde moro, argumentou que se não existem ótimos meio-campistas, eles também não vão se destacar nas laterais. Porém, são diferentes as necessidades das duas posições.
Por que o Brasil deixou de revelar grandes laterais?
O argentino Sorin, brilhante lateral da seleção da Argentina, disse, décadas atrás, quando foi contratado pelo Cruzeiro, que queria entender as razões do Brasil ter tantos excelentes laterais. Isso mudou. Hoje a pergunta é o contrário, por que não há um excepcional lateral no futebol brasileiro, jogando aqui ou no exterior?
Há várias razões. Uma é que com a presença de tantos pontas hábeis, rápidos, dribladores e que jogam abertos, não haveria necessidade de ter laterais bons no apoio. É um equivoco. Os pontas são muito marcados e necessitam da ajuda de laterais para confundir a marcação.
Laterais ainda precisam atacar, mesmo com dois zagueiros
Outro conceito é que se um time que joga com dois zagueiros, como é habitual no Brasil, o lateral não deveria avançar. Por isso, alguns treinadores preferem atuar com três zagueiros e com alas pelos lados. Outro equivoco. Os grandes times e seleções do futebol mundial atuam com dois zagueiros e laterais que defendem e avançam, no momento certo. Os laterais Bruno Mendes, Hakimi, Cucurella e outros são laterais de grande qualidade no ataque e na defesa.
Roberto Carlos mostra como a função do lateral mudou
Décadas atrás, quando o jovem brilhante lateral esquerdo Roberto Carlos, que se destacava pela velocidade, finalizações e cruzamentos, foi jogar no Inter de Milão, o escalaram na linha de armadores pela esquerda. Roberto Carlos foi contratado pelo Real Madrid onde brilhou intensamente, como fazia na seleção, de lateral esquerdo. Hoje, no Brasil, Roberto Carlos seria, provavelmente, um ala no esquema com três zagueiros.
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Os amistosos não trouxeram novas respostas para a seleção
Os três amistosos da seleção brasileira não mostraram nenhuma novidade nem aumentaram as esperanças.Tudo continua na mesma. Os jovens convocados são bons em seus times, mas ainda não demonstraram que poderão se tornar jogadores importantes da seleção. As esperanças continuam sendo Endrick e Rayan, que já estiveram na Copa, além de Estevão, ausente no mundial por contusão. Estevão e Endrick são reservas em seus times europeus e Rayan atua em uma modesta equipe inglesa.
O futebol moderno exige jogadores capazes de fazer mais
O futebol mudou. Além de muito mais intenso, os melhores jogadores são os que executam em campo mais de uma função. Os laterais e os meio-campistas marcam e avançam. Os centroavantes são ótimos finalizadores e se movimentam por todo o ataque. Haaland é exceção. O jogo bem jogado é uma mistura do coletivo com o individual, do planejamento com a improvisação, do sonho e da razão.
Simplicidade do gênio
Qual a maior qualidade de Messi, o segundo maior jogador da história do futebol? É a mesma de Pelé, a capacidade de tornar simples o que é complexo. Em poucos segundos, ações, movimentos, ele se desloca, domina, conduz a bola, dribla se necessário, finaliza com enorme precisão ou dá o passe decisivo para o gol. O genial é o simples, a concisão, sem firulas. Inesquecível. Além de tudo isso, é simples, discreto, regular e excelente profissional. Merece todos os aplausos, para sempre.


