CONJUNTURA POLÍTICA
Lula e Bolsonaro nas pesquisas eleitorais
Tendência de recuperação do atual presidente é confirmada em última pesquisa

A última pesquisa Datafolha apontou que o ex-presidente Lula (PT) segue liderando a disputa pela Presidência com 45% das intenções de voto. Em segundo lugar, o presidente Jair Bolsonaro (PL) interrompeu a trajetória de alta registrada nas pesquisas realizadas pelo Datafolha entre o final de maio e a terceira semana de agosto, quando foi de 27% para 32%, sendo que na pesquisa realizada na semana passada manteve o índice de 32%.
Esta tendência de recuperação do atual presidente é confirmada, em especial, pela tendência de alta na avaliação positiva do governo federal. 31% da população considera seu governo ótimo ou bom, ante 42% que o avaliam como ruim ou péssimo. Na rodada feita pelo instituto em junho, a taxa ótimo/bom de Bolsonaro era de 26%. Em maio deste ano foi de 25%.
Vale lembrar que na pesquisa divulgada na quinta (1) a avaliação positiva oscilou dentro da margem de erro, que é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O quer dizer isso? Que o teto da avaliação negativa do presidente foi registrado entre setembro e dezembro do ano passado, quando alcançou 53%.
Os outros três presidentes que buscaram ser reeleitos desde a redemocratização apresentaram taxas mais altas de avaliação positiva, faltando pouco tempo para as eleições. Em 1998, Fernando Henrique Cardoso (PSDB) era aprovado por 43% da população, já Lula (PT) tinha 48% em 2006 e Dilma Rousseff (PT) 36% em 2014.
O que está acontecendo com Bolsonaro? A priori, o pacote de “bondades” para salvar a sua reeleição deu sobrevida ao seu desempenho eleitoral, incluindo o Auxílio Brasil, a diminuição do preço dos combustíveis ao consumidor final e o pagamento mensal de uma “bolsa” para caminhoneiros e taxistas. Na corrida pelo voto, o presidente ganhou fôlego entre eleitores no Sudeste, o maior colégio eleitoral do país, diminuindo de 12 para 6 pontos percentuais a vantagem de Lula, em relação ao levantamento de agosto feito pelo Datafolha. O petista agora lidera em uma margem apertada por 41% a 35%.
A polarização estabelecida nestas eleições aponta para uma recuperação eleitoral de Bolsonaro, dando mais competitividade ao presidente, mas talvez não seja suficiente para uma virada a esta altura do jogo, restando menos de um mês para as eleições.
Mesmo diante da campanha do presidente propagar a narrativa de que é necessário barrar a “volta do PT”, os números se mostram favoráveis a Lula, seja em uma vitória no primeiro ou no segundo turno, algo sustentado, inclusive, pela vantagem que detém no Nordeste, onde o petista tem 40 pontos percentuais à frente de Bolsonaro (58% x 21%), segundo a pesquisa da Quaest. As mobilizações marcadas para 07/09 serão capazes de render novos votos para Bolsonaro?
*Professor Adjunto de Ciência Política da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB) e um dos organizadores do “Dicionário das Eleições” (Juruá, 2020). E-mail: [email protected]