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Conjuntura Política

Por Cláudio André de Souza*

ACERVO DA COLUNA
Publicado segunda-feira, 07 de julho de 2025 às 6:13 h | Autor:

Lulismo com ou sem mobilização social?

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Presidente Lula durante cortejo ao 2 de Julho, em Salvador, na última semana
Presidente Lula durante cortejo ao 2 de Julho, em Salvador, na última semana -

A presença do presidente Lula no 2 de Julho foi mais do que uma simples reverência histórica à independência da Bahia, mas serviu como um start para uma virada política importante na agenda do Planalto. Se a celebração da nossa independência neste ano ganhou um tom especial com o envio de um novo projeto de lei que torna o dia 2 de Julho uma data nacional, o que vimos nas ruas foram apoiadores lulistas cobrando a taxação dos super-ricos e responsabilizando o Congresso pela derrubada do ajuste do IOF, algo que não ocorria no país desde 1992.

Como negar que o Brasil entrou em uma espiral que inverte a lógica da relação entre o Executivo e o Legislativo, quando o nosso presidencialismo de coalizão vem dando sinais “semipresidencialistas”? O que está dado é que o Legislativo eleva as prerrogativas que seriam atribuídas ao chefe do Executivo em um regime presidencialista. Sem ilusões e às claras, o Legislativo captura cada vez mais o orçamento e as emendas se tornaram o “novo normal” no dia a dia de planejamento das políticas públicas, colocando as instituições na posição frágil de simples captadoras de recursos nos corredores do Congresso.

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Sem dúvidas, a derrota do reajuste do IOF no Congresso acendeu um sinal de alerta no governo, em especial, porque Lula se viu isolado, o que levou a uma nova narrativa de diálogo social e político testada na última semana: na comunicação com as redes sociais, a conversa foi que o presidente tenta resolver o Brasil e o Congresso atrapalha a melhoria de vida das pessoas.

A pressão sobre os “super-ricos” esteve nas ruas no 2 de julho, emparedando o Congresso como uma instituição defensora dos que menos contribuem e mais se beneficiam. Mas qual o método visto no cortejo cívico baiano? A resposta de Lula foi política: deslocar o centro do discurso de perseguição para as ruas, convocando as classes médias e a classe trabalhadora ampliada a defender publicamente a agenda redistributiva do governo.

A mobilização no 2 de julho deu certo e a repercussão em Brasília levou a um recuo do Legislativo nos últimos dias. O presidente da Câmara, Hugo Motta, começou a falar em resolver os impasses com uma alteração nas isenções fiscais parar melhorar a arrecadação tributária do país. Na sexta (4), o STF anulou a decisão do Congresso sobre o IOF, o que coloca os parlamentares na defensiva.

No final das contas, a estratégia de Lula em sair das cordas foi testada na Bahia e agora é um desafio nacional, já que a retomada das mobilizações sociais e políticas em defesa das pautas do governo já pode ser vista como um novo componente que deseja equilibrar as disputas de interesse. O objetivo é reconectar rapidamente o lulismo com uma parcela mais ampla do eleitorado brasileiro. Vai dar certo?

* Cláudio André é professor Adjunto de Ciência Política da UNILAB e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (UFRB). E-mail: [email protected].

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