ESPORTE A TARDE
Resenha rubro-negra - Tristeza estampada no olhar

Era finalzinho da noite de quarta-feira. Como há muito não se via, lá estava o Vitória para um jogo em rede aberta de televisão para parte do país. A novidade parou por aí. Em campo, o mesmo time cheio de desacertos, que, merecidamente, está na zona de rebaixamento da Série B. Esse, pelo menos, é o entendimento da grande maioria dos rubro-negros que tiveram o desprazer de assistir à derrota para o Botafogo e os demais jogos, tirando a solitária vitória sobre o Brusque e o empate em 1 a 1 com o Guarani na estreia.
Torcedor é paixão e amanhã, contra o Goiás, iniciará assistindo ao jogo com as esperanças de sempre, mesmo ciente que uma nova decepção não será surpresa. Não que o time goiano seja uma super equipe ou que sugira um pé atrás por parte do torcedor do Vitória pelo fato de estar no G-4, com 15 pontos. Pesa muito mais a própria incapacidade do time treinado por Ramon, que tem sofrido para alcançar um dos objetivos que traçou desde sua chegada: “Colocar em campo um time que tenha o prazer de jogar futebol”.
Pois bem, o que vemos é um time que vai para um lado, para o outro, e quase nunca consegue criar. Muda o esquema, joga com três zagueiros, adianta os laterais para dar o suporte ofensivo, e nada. As mudanças também ocorrem no meio, no ataque, e nada também. Pra completar, ainda toma um gol improvável como aquele do Botafogo. Simplesmente você chega à conclusão de que nada pode esperar além de chateação.
Uma tristeza estampada no olhar de quem ama o Vitória. Basta encontrar um rubro-negro por aí e tentar puxar papo sobre o time. Muitos vão preferir o silêncio ou buscar outro assunto, pois num momento já de desgaste emocional diante de uma pandemia que parece interminável, é conveniente buscar distrair a mente. O torcedor encontra até dificuldades para identificar um alvo e direcionar sua raiva. Não é ‘jogador X’ que está empenando o baba. É o time em si.
Ramon se esquivou ao ser perguntado sobre a necessidade de reforços após a derrota no Rio, a terceira seguida do Vitória na Série B. Reafirmou sua confiança no elenco e disse que a questão estava sendo discutida internamente. Mas não precisa ser nenhum gênio da bola para saber que essa é uma missão de extrema urgência caso a ideia seja fazer com que o time tenha condições de se recuperar a tempo de evitar uma tragédia ainda maior, que seria o rebaixamento à Série C, com o qual o Rubro-negro namorou fortemente nas últimas duas temporadas.
Essa é a realidade que se impõe para um time que, infelizmente, integra o grupo de cinco equipes que só venceram uma vez após oito rodadas. Mais. O Leão somou apenas 25% dos pontos que disputou, aproveitamento idêntico aos últimos dois colocados na tabela. O alerta de perigo novamente chegou cedo para a equipe, que vê (se é que consegue), o Sampaio Corrêa nove pontos à frente, fechando o G-4 – algo que não faz parte da realidade do Vitória desde o rebaixamento à Segundona, em 2018.
Já são duas rodadas seguidas na zona e muita pressão, o que não favorece nem um pouco a ideia inicial do clube para a temporada, de forte presença dos jogadores da base na equipe. Prova disso é que, dos principais destaques que pintaram no início do ano, apenas Pedrinho permanece entre os titulares. David, nitidamente sem a confiança de antes, perdeu espaço, assim como Samuel, que não resistiu ao jejum de gols e à sombra de Dinei. Mas é aquela coisa, né? Com ou sem os jogadores da base, o que importa no momento é encontrar uma solução para respirar. Algo que não me parece algo fácil de acontecer.