INCLUSIVA
Monotemática

Juro que procurei, desde a última sexta-feira, 22, um tema mais quente ou interessante para tratar neste espaço, tendo em vista que já tinha escrito no A TARDE um artigo (publicado no sábado) opinando sobre a demissão da treinadora Emily Lima do comando da Seleção Brasileira de futebol feminino.
Não encontrei – e, pior, esse assunto ainda está engasgado e ainda tem pontos que precisam ser explorados. Então, peço desculpas pelo monotema, mas vamos lá, mais uma vez, falar sobre a Seleção Feminina.
Fui uma das primeiras jornalistas a criticar o resultado em campo que Emily estava apresentando nos últimos amistosos, em especial contra os Estados Unidos e contra a Austrália. Na coluna da semana passada alertei que a treinadora precisaria acertar as arestas com rapidez se quisesse um resultado positivo diante do terceiro amistoso contra a Austrália, que aconteceu na última terça-feira, 18.
A nova derrota não pegou a todos de surpresa, mas os rumores sobre a possível demissão da treinadora, sim. Eu mesma estava tão certa da permanência da técnica, primeira mulher a comandar a Seleção Brasileira de futebol feminino em toda a sua existência, que não vi problemas em criticar – de forma construtiva – o trabalho dela.
Só que com a demissão de Emily a CBF mostrou que nunca teve, de fato, a intenção de manter uma mulher no comando da Seleção. Mostrou que não tem interesse na construção de um trabalho sólido, a longo prazo, com mapeamento de jogadoras no Brasil inteiro, com análise de performance e rendimento, especialmente num momento de renovação tão especial pelo qual estamos passando.
A Seleção Brasileira nunca primou pela organização e desempenho tático em campo: pelo que me lembro, sempre nos baseamos nos talentos individuais das craques para conseguir nossos melhores desempenhos (o vice-campeonato no Mundial de 2007 e a prata nas Olimpíadas de 2004 e 2008, por exemplo).
Pelo que acompanhava do planejamento de Emily, a ideia era de superar justamente isso. E agora dificilmente teremos um desdobramento desse trabalho. Porque temos a ideia de que resultados têm que chegar rápido, e continuar em ascensão eterna.
E ainda que os resultados não estivessem aparecendo em campo, a treinadora foi demitida após 13 partidas, com 7 vitórias, 5 derrotas e 1 empate, e sem disputar um jogo oficial sequer. Nenhum dos seus antecessores teve uma participação tão breve, ainda que, curiosamente, os resultados apresentados – em partidas oficiais, vale dizer – não tenham deixado saudades.
Mais curiosamente ainda, Emily provavelmente será sucedida pelo seu antecessor: Vadão, técnico que retorna à Seleção feminina depois de dez meses, sem conseguir se fixar no comando em times brasileiros nesse meio tempo. Mais do que voltar à estaca zero, damos pulos para trás. Fica difícil esperar por dias melhores no futebol feminino no nosso país.
