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Preconceito velado

juliana.lisboa@grupoatarde.com.br
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Jogadora de vôlei, Camila Brait briga para não ficar sem clube durante gravidez
Jogadora de vôlei, Camila Brait briga para não ficar sem clube durante gravidez - Foto: Reprodução de Facebook

Além de todas as dificuldades e preconceitos que as mulheres enfrentam ao trabalhar com o esporte – especialmente atletas – as que resolver ser mães durante a carreira podem sofrer um revés ainda maior.

Em matéria transmitida neste domingo, 27, no Esporte Espetacular, da TV Globo, o universo das atletas que decidiram ser mães se mostrou ainda mais difícil do que as que preferiam engravidar após a aposentadoria ou optaram por não ter filhos.

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Isso porque, no Brasil, são poucos os clubes esportivos e confederações que têm a cultura de pagar os salários dessas profissionais durante a gravidez e dar a licença maternidade, como prevê a CLT.

Com contratos com tempo determinado, a maioria das atletas se vê desempregada logo depois de anunciarem oficialmente a gravidez. E normalmente só são recontratadas um ano depois de dar à luz. Ano este sem receber salário, vale ressaltar.

Foi o que aconteceu com as jogadoras de vôlei Camila Brait e Dani Lins,e a atleta de salto ornamental Juliana Veloso. Essa última teve até o plano de saúde cancelado pela CBDA durante a gravidez do primeiro filho, o que é proibido por lei.

Essa cultura penaliza atletas que querem ser mães. Ao não dar o mínimo de apoio garantido às mulheres por lei, as atletas se vêem, muitas vezes, tendo que optar pela carreira ou pelo sonho de ser mãe.

E qualquer profissional sabe que não precisa, necessariamente, ser assim. A mulher pode optar pela maternidade exclusivamente se ela quiser – mas isso deveria ser uma opção, e não uma imposição. Afinal de contas, ninguém questiona a capacidade de homens atletas em conciliar paternidade com a carreira.

Do outro lado

Outra matéria chamou a atenção sobre o preconceito com mulheres no esporte – mas dessa vez, especificamente, com jornalistas esportivas. Mais especificamente, as que cobrem futebol.

A revista Babel, da Universidade de São Paulo (USP), mostrou como repórteres mulheres que escolheram trabalhar com futebol no Brasil são submetidas, diariamente, a provações, humilhações e todos os tipos de insultos.

De acordo com um levantamento do UOL Esporte, apenas 13% da reportagem esportiva de TVs fechadas é composta por mulheres.

Jornalistas como Gabriela Moreira, Marcela Rafael, Clara Albuquerque, Lívia Laranjeira, Monique Dornello são exceções que confirmam a regra.

O que mostra que não estamos acostumados a ver mulheres na TV falando de esporte, comentando futebol, analisando jogos, questionando treinadores e atletas.

E deixamos isso muito claro com xingamentos no estádio, piadinhas em entrevistas, desmoralização nas redes sociais, com “elogios” ao físico delas.

Ouso dizer que o preconceito vai além: mesmo em jornais, sites e rádios a presença feminina ainda é pequena.

E enquanto for normal achar que futebol é coisa só de homem, perdemos a chance de conhecer e estimular profissionais incríveis.

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