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Treinadoras? Queremos!

Juliana Lisboa
Por Juliana Lisboa
Emily Lima é a primeira mulher a treinar a seleção brasileira de futebol feminino
Emily Lima é a primeira mulher a treinar a seleção brasileira de futebol feminino - Foto: Lucas Figueiredo/CBF / Divulgação
Nesta semana, os dois times baianos que participam do Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino afastaram seus treinadores: Quinho, do Vitória, e Ivo de Deus, do São Francisco. Nos dois casos, o que se alegou foi mau rendimento, já que nenhuma das equipes sequer ganhou uma partida na competição.
Os substitutos – ainda que interinos, como é o caso do Vitória – foram, novamente, homens.
Existem bons treinadores de futebol feminino? Sem dúvida. Muitos homens conhecem bem a modalidade e estão aptos para comandar equipes de atletas mulheres.
Mas existem maus treinadores também? Sim. Treinadores que enxergam o futebol feminino da mesma forma que o masculino. Que acham que basta repetir a fórmula de treinamento dos homens para colher os mesmos resultados com mulheres.
E isso sem falar no machismo e no preconceito, que infelizmente ainda rondam o futebol feminino.
Então, por que, em pleno 2017, ainda é tão raro ver treinadoras mulheres? Num raro momento em que as equipes poderiam se espelhar na CBF, que pela primeira vez na história colocou uma técnica, Emily Lima, à frente da seleção feminina, o que se vê é a repetição de uma velha fórmula: o futebol pode ser feminino, mas a comissão é masculina.
E por que? Será que não existem mulheres capazes de treinar equipes femininas? Só na Bahia temos uma ex-jogadora de seleção brasileira, Solange Bastos, que já fez curso de arbitragem e comandou o Flamengo de Feira – clube que a revelou – no último Baianão.
Temos também Rosana Vigas, ex-jogadora e ex-árbitra, que chegou a treinar a equipe feminina do Redenção, tradicional time soteropolitano.
Temos Margarete Pioresan, a Meg, primeira goleira da seleção brasileira e ex-colega de Solange. Será que nenhuma delas poderia acrescentar algo de positivo às nossas duas maiores equipes?
Fora do futebol

Não é apenas no campo que a representatividade feminina na comissão técnica é escassa. Até mesmo nas modalidades em que o país tem tradição feminina – como o vôlei, por exemplo – a maioria dos treinadores é homem.

Isso acontece até nas seleções: de todas as equipes e atletas individuais, quantas são treinadas por mulheres? De imediato, apenas uma vem à cabeça: a ginástica rítmica, com a técnica Camila Ferezin.
Isso quando temos atletas incríveis, que são referência no esporte. Como são Magic Paula e Hortência no basquete, por exemplo; Fabiana Beltrame, no remo; Sandra e Jackie, no vôlei de praia. O Brasil bem que poderia posar de vanguarda a investir mais em mulheres no esporte – e não apenas como atletas. E por que não começar na Bahia?
Baianos de ouro
Parabenizo aqui os baianos Maicon Junior e Hoseanne Ilbes, que conquistaram a medalha de ouro no futebol de 5 e no goalball, respectivamente, nos Jogos Parapan-Americanos de Jovens.
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