LEVI VASCONCELOS
Caiado, Zema e Renan, as vítimas da polarização entre Lula e Flávio
Confira a coluna de Levi Vasconcelos deste sábado


Ronaldo Caiado, o candidato a presidente do PSD, sempre um crítico da polarização entre Lula e o bolsonarismo, ganhou um gás novo ao criticar o tarifaço: "Essa polarização sai cara...".
E, olhando a coisa do ponto de vista da direita, sai mesmo. As pesquisas apontam Lula só subindo e Flávio só caindo, mas os votos que Flávio perde não migram para ele, Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), também direitistas, mas que aparecem lá embaixo, e de lá não saem.
A polarização, além do tarifaço, causa prejuízos gerais aos demais pretendentes. E é justo por isso que Lula sempre quis um Bolsonaro, e estes, por sua vez, querem Lula, o ladrão.
Leia Também:
LÁ E LOU
No cenário atual, Lula enfrentando um Bolsonaro deu precisamente no que foi calculado: a ajuda vem do inimigo.
Além do envolvimento com Daniel Vorcaro, o do Master, Flávio meteu-se num atrito público com a madrasta, Michelle. Um sinal bastante claro de que no entorno dele não houve costura política, mas imposição.
Aliás, o bolsonarismo é muito mais isso, um ajuntamento do que um alinhamento político trabalhado. Fica Flávio o tempo todo com o discurso clássico, chamando Lula de ladrão, sem convencer de que não é. E Lula usando as redes sociais, das quais foi vítima em 2018, como nunca.
Caiado e Zema vão ter que esperar 2030, quando Lula estará fora, com uma ressalva: Tarcísio de Freitas, ainda governador de São Paulo, é o herdeiro nato da direita.
Com mau tempo no mar e a 324 problemática, Salvador travou
Sexta-feira já é dia de tráfego intenso, com muita gente viajando ao interior para aproveitar o fim de semana, mas com o mau tempo no mar ontem, o que botou o ferry para andar devagar, e os problemas na BR-324, Salvador travou.
Jones Barbosa levou quatro horas, pela 324, para chegar a Amélia Rodrigues. Já Ellen Barreto, para atravessar pelo ferry com destino a Nazaré, demorou cinco.
É mais uma prova cabal de que a ponte Salvador-Itaparica, mais que promessa, é uma necessidade.
Aliás, ontem em São Roque do Paraguaçu, Maragogipe, os tubos que vão servir de camisa para as estacas de concreto da ponte estavam sendo soldados, enquanto as balsas que vão fincá-los no mar estão sendo montadas. Ou seja, apesar do calor da campanha eleitoral, a ponte está andando.
Cajazeira VI e o Capangueiro
A Cajazeira VI vai se firmando como um dos grandes points de Salvador em que se celebra as religiões de matriz africana.
Amanhã (11h), na Casa do Vodun Camaleão, a nação Jeje Savalu fará mais uma celebração ao Caboclo Capangueiro, entidade guardiã, segundo Leoni Dória, que coordena a festa, mais uma tradição que vai se firmando. Reúne adeptos de candomblé de toda Salvador.
Pneus furados entre os perrengues dos deputados
Deputados foram às redes para mostrar os perrengues que passam no périplo atrás de voto pelo interior afora. Sandro Régis (UB) mostra uma foto dele trocando pneu em Nova Canaã. O deputado Rogério Andrade (MDB) exibe algo similar quando estava a caminho de Casa Nova.
O deputado Raimundinho da Jr (PL), que não é candidato à reeleição, fez o protesto defendendo os colegas:
— Isso é mais um descaso com os parlamentares da nossa querida Bahia. Alugaram carros sem a mínima condição de segurança para a gente fazer nosso trabalho chegar cada vez mais longe.
Que peninha. Os carros são pagos pela Alba e o combustível também. Quer pneu infurável?
POLÍTICA COM VATAPÁ
O perdão de 1958
O Brasil partiu para disputar a Copa da Suécia em 1958 desacreditado, a torcida brasileira cheia de razão. Oito anos antes, em 1950, perdeu a final para o Uruguai em casa, o trauma ainda era forte. No time, Pelé e Garrincha, dois garotos tidos como imaturos, que eram reservas de Joel e Dida.
Rui Porto, top da crônica esportiva nacional, escreveu na revista O Cruzeiro, O Brasil na Copa, ironizando a convocação de Pelé, então com 17 anos, e de Garrincha, que tinha as pernas tortas:
"O Brasil perdeu a Copa de 50 em casa e agora vai para a Suécia levando no escrete um menino e um aleijado".
O Brasil ganhou a primeira da Áustria por 3 a 0, empatou a segunda com a Inglaterra em 2 a 2, Pelé e Garrincha entraram no time, arregaçaram. Voltaram campeões, vencendo a final contra a Suécia, dona da casa, por 5 a 2, dois gols de Pelé, dois de Vavá, um de Zagalo.
Rui Porto se penitenciou. Na mesma revista O Cruzeiro, escreveu o artigo "Perdão, meninos".
COLABOROU: MARCOS VINICIUS


