Del Feliz, o baiano que espalha o remelexo do forró mundo afora
Confira a coluna Levi Vasconcelos

Aos 53 anos, o forrozeiro Del Feliz diz que é feliz e tem boas razões para ser levado a sério. Ele nasceu pobre, vendendo geladinho e afins pelas ruas de Riachão do Jacuípe, sua terra, para ajudar a botar o pão em casa. Hoje, é o embaixador do forró, já tendo se apresentado mais de 50 vezes em países como a França.
Como artista, ele virou o Embaixador do Forró. Botou o pé na estrada há 26 anos. E, com o primeiro dinheiro que ganhou, resolveu uma questão de honra: dar uma casa decente para a mãe, D. Licinha, que morava num barraco tipo no teto e nos lados tudo arrombado.
"Foi uma enorme alegria para mim, poder dar uma mão a quem me deu a alma, pessoa que tanto amo".
Se quem semeia flores colhe amores,Del tem razão de se dizer feliz. Como artista é plenamente respeitado. No São João que está vindo, por exemplo, entre 18 de junho e 4 de julho ele já lotou a agenda, em 20 cidades. E dia 6 próximo, se apresentará na Concha Acústica do Teatro Castro Alves junto com a Orquestra Sinfônica da Bahia (Osba).
CARTORIAL E REAL – Del é também autor de belíssimas músicas como 'Hino ao São João da Bahia' e 'Eu sou o São João', mas no, ápice da carreira, não esquece de lembrar os tempos difíceis para reafirmar porque virou Feliz.
E é uma história interessante. O nome original dele, em cartório, era Adelídio Ramos de Oliveira, daí é que todos o chamavam de Del.
Dois anos após o pai estar morto, fez o teste do DNA e bateu. Com anuência da Justiça, foi no cartório e mudou o nome. Adelídio virou simplesmente Del, acrescentou o Feliz e ficou Del Feliz Ramos de Oliveira Santos.
BURCA GUARDADA – O Feliz aí é pra valer. Quando ele resolveu botar o forró no circuito internacional, de início pagou para estar em Portugal. Acertou e hoje colhe bons frutos.
No Brasil, já cantou ao lado de estrelas do forró como Adelmário Coelho, Luci Alves e outros do mesmo naipe. Mundo afora, já cantou nos melhores espaços culturais, como o famoso Cabaret Sauvage, em Paris, na França, ou também o Le Paison Rouge, em Nova Iorque, nos EUA. Ele diz ter lembranças muito legais dos lugares por onde passou, mas um ele não esquece.
"Foi na Turquia. Vi um monte de meninas jovens chegarem para o show com a burca, aquela indumentária da cultura deles que cobre a maior parte do rosto. E elas foram lá num canto qualquer, guardaram as burcas, eram meninas muito bonitas, se trajaram conforme a nossa cultura e caíram na gandaia."
Tem também o caso da Lavage de La Madeleine, na França, para onde foi com os jornalistas Wanda Chase e Marrom, para fazer um programa para o Bahia Revista, da TV Bahia. Fez dois, um para a Lavage, outro para ele.
Del é casado com Elen e tem dois filhos, o mais velho, Lucas, com 24 anos , já médico; e o mais novo, Tom Tom, de 4 anos. Em família, ele também é Feliz.
Leia Também:
Política com Vatapá - 'Sêu Tatá'
Antigamente, a disputa política em Valença, no Baixo Sul, era entre Chupimbigos, governistas, e Tupamaros, opositores da ditadura. Natanael, funcionário da prefeitura, por todos chamados de Tatá, se candidatou a vereador pelos Chupimbigos. Botou o pé na rua cheio de panfletos: “Com Tatá tá tudo certo”. “Tatá lá, você também tá”.
Ganhou as rodas de brincadeiras nas quais contavam que alguém bateu na porta dele:
– Ô de casa? ‘Sêu Tatá’
tá?
Alguém respondeu:
– Não. ‘Sêu Tatá’ não tá, mas a mulher dele tá, é a mesma coisa que ‘Sêu Tatá’ tá!
Sucesso na campanha, urnas abertas, só teve 33 votos. E ganhou um turbilhão de gozações:
“‘Sêu Tatá’ até tá, mas o povo não tá nem aí pra ‘Sêu Tatá’”. Ou: “‘Sêu Tatá’ tá tão retado que em casa diz que não tá”.
E alguém bateu na porta, ele atendeu:
– Me disseram que ‘Sêu Tatá’ não tá, mas ele tá aí.
– ‘Sêu Tatá’ tá, mas tá mandando todo mundo ir sifu.
Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia.
Participe também do nosso canal no WhatsApp.
