LEVI VASCONCELOS
E será que o Canal do Sertão agora vai? No sertão, o otimismo é forte
Conforme Jerônimo, se tudo correr como previsto, as obras começarão no segundo semestre de 2024


Jerônimo levou a Brasília, no pacote de pedidos, um que fala forte aos baianos do Semiárido, a área mais seca do estado, o projeto do Canal do Sertão. É aquela obra que todo mundo é a favor desde sempre, mas não acontece.
Trata-se de um canal de 300 quilômetros de extensão, começando em Juazeiro e passando por 44 municípios. Foi idealizado por Lula, como compensação baiana do projeto de transposição, que seguiu no rumo norte, mas empacou cá por conta, na época, da greve de fome desencadeada por Dom Luís Cappio, bispo de Barra. O governo de Bolsonaro até autorizou a realização do projeto básico, ainda em andamento. Conforme Jerônimo, se tudo correr como previsto, as obras começarão no segundo semestre de 2024.
Ajustes —Antes de Jerônimo embarcar para Brasília a fim de tratar do assunto, anteontem, Flávio Henrique, o superintendente de Recursos Hídricos do estado, reuniu-se com as lideranças que historicamente defendem a obra para coletar subsídios.
O canal vai se conectar com as bacias dos rios Salitre, Tourão-Poções, Itapicuru e Jacuípe, começando em Juazeiro e terminando em Várzea da Roça.
Na trajetória uma população de 1,2 milhão de pessoas, da qual mais de 90% serão diretamente beneficiados, incluindo mais de 70 mil agricultores entre grandes e pequenos, além de gerar 45 mil empregos com a construção da obra em si.
Zé do Povo (UB), prefeito de Ourolândia, diz que há um consenso regional:
— Para nós, isso é muito mais que obra. É revolução.
Cláudia Oliveira pede escola de ensino médio em Trancoso
A deputada Cláudia Oliveira (PSD) requereu, em indicação na Alba, a construção de uma escola de ensino médio em Trancoso, Porto Seguro. O documento é endereçado ao governador Jerônimo Rodrigues e à secretária da Educação, Adélia Pinheiro. Cláudia aponta escassez de escolas de ensino médio por lá e traz informações de estudos para justificar o pleito: “Da análise dos dados obtidos pelo Inep (2021), tem-se que a distorção idade-série no ensino médio é de 53,6% em Porto Seguro, enquanto nos anos iniciais é de 18,2%, demonstrando uma elevada proporção de alunos com mais de 2 anos de atraso escolar no ensino médio. Do mesmo modo, há um índice de abandono de 18,54% no ensino médio (Inep, 2021)”. Que o apelo possa ser atendido: boa educação sempre cai bem.
Apadrinhando nossos idosos
O deputado Roberto Carlos (PV) apresentou projeto que cria o Programa de Apadrinhamento Afetivo do Idoso, que prevê a criação de núcleos de acolhimento, especialmente nos finais de semana.
Diz ele que o mercado está mudando, com a inclusão de entes familiares, também as mulheres, e resulta que estão faltando cuidadores.
Que pena. A ideia é boa, mas deputado não pode fazer projeto que gera despesa.
Do jeito que vai, lagostas estão sendo exterminadas
Pescadores de lagosta que atuam no litoral baiano, de Subaúma, em Entre Rios, a Mucuti, dizem (com reservas, claro) que alguns segmentos da indústria pesqueira há tempos decidiram colocar carcaças de veículos no fundo do mar que viram armadilhas e isso está aniquilando a espécie. Explicando: botam o carro lá, marcam o lugar, algum tempo depois voltam, forram a entrada da carcaça com a rede e batem um ferro, as bichinhas batem em retirada e dançam.
Um deles confidenciou: ‘Antigamente quem pescava lagosta se dava bem sempre. Hoje, dá até medo comprar os apetetrechos porque temem não conseguir pagar. Nós, os pequenos, também viramos espécie ameaçada de extinção”...
POLÍTICA COM VATAPÁ
Ladrão arranjado
Três vezes deputado federal, cinco vezes prefeito de Itabuna, Fernando Gomes, o Fernando Cuma, falecido em julho do ano passado aos 83 anos foi condenado por improbidade administrativa por ter contratado duas funcionárias sem concurso público. Recebeu a notícia com desdém:
— Eu, condenado por isso? Aí está um caso que não me atinge. É o tipo da coisa que bate na roupa branca e não deixa nem uma noadoazinha.
Alguém perguntou:
— E o senhor tem algum pecado que lhe deixa nódoas?
— Ah, sim. Mas tenho os meus, que não vou falar, e os que me arranjam.
— E quais são os que lhe arranjam?
— Outro dia eu ia passando na Av Cinquentenário junto com Carlito (um secretário dele, que estava prefeito) e José Oduque (ex-prefeito), quando alguém gritou: ‘Aí um corno, um veado e um ladrão!”. Eu disse logo: o ladrão sou eu, que sou prefeito. Aí, esse ladrão me arranjaram.
E gargalhou.