Indústria baiana voltou a crescer, mas na rota tem eleição e guerra

Alban diz que os números negativos dos últimos anos se deve ao fechamento da Ford e a Refinaria de Mataripe

Publicado sábado, 16 de julho de 2022 às 06:15 h | Atualizado em 16/07/2022, 08:44 | Autor: Levi Vasconcelos
Alban: “Estamos melhor, mas o momento requer cautela”
Alban: “Estamos melhor, mas o momento requer cautela” -

Ricardo Alban, presidente da Federação das Indústrias da Bahia (Fieb), que entre as lideranças empresariais desponta como forte candidato à presidência da Confederação Nacional da Indústria (CNI), diz que após três anos crescendo abaixo do nível nacional, a indústria baiana reagiu. Cresceu no último quadrimestre 3,5%, enquanto a produção nacional caiu 4,8%.

Alban diz que os números negativos dos últimos anos se deve basicamente a dois fatores, o fechamento da Ford e a Refinaria de Mataripe, que nos seus últimos dias sob o controle da Petrobras vinha tendo um desempenho bem abaixo do possível.

— Só a refinaria, hoje sob o controle do Grupo Mubadala, representa um terço da indústria de transformação da Bahia. O funcionamento pleno é bastante expressivo.

infraestrutura —Mas Alban ressalva que nem por isso vivemos uma situação em que se pode respirar tranquilamente. Além das eleições, que sempre geram algumas expectativas com repercussões na economia, tem também a guerra na Ucrânia com os seus imbricamentos econômicos mundo afora.

— Temos alguns atrasos em obras de infraestrutura, o que também prejudica, além dos efeitos da guerra na Ucrânia. Precisamos saber até que ponto vai a recessão no planeta. Hoje, por exemplo, a indústria petroquímica dá sinais de declínio.

Mas apesar dos pesares a Bahia deve crescer, talvez não tanto como poderia, mas num cenário bem mais favorável do que o dos últimos anos.

 Alban ressalva que uma das boas apostas baianas é a produção de hidrogênio verde, com tecnologias ainda em desenvolvimento, mas sem dúvida uma grande aposta para o futuro...

Ensino federal pede socorro

A deputada Lídice da Matta (PSB), coordenadora da bancada baiana em Brasília, conseguiu reunir outros nove deputados federais para um encontro com dirigentes da UFBa, UFRB, Ufob e UFSB, mais do IFBA e IF Baiano, para discutir as perdas da educação com corte de verbas. 

Eles vão tentar emplacar R$ 36,9 milhões em emendas para mitigar o déficit.

Cenário ruim assusta Otoniel

Presidente da Associação dos ex-deputados da Bahia, Otoniel Saraiva (a base principal dele é Alagoinhas) diz que ao  longo da vida, sempre acompanhando a política de perto, pior do que o clima raivoso dos dias atuais só mesmo a ditadura:

— Nunca vi nada como nos dias atuais. Eu até pensei em me candidatar este ano, mas tá difícil.

Lula e Rui, a aposta de Vítor

O deputado Vítor Bonfim (PV) foi o único entre os 63 presentes quinta na Assembleia. Estava no restaurante ao lado de familiares e também de José Nicolau, ex-prefeito de Muquém do São Francisco, mas o foco principal é a campanha:

— Tô me virando. Lula está forte e Rui Costa também. Transfere isso? É o que queremos fazer.

Primeiro debate já tem data, será em 7 de agosto

Dizem que as redes sociais vão imperar quase absolutas nas disputas políticas, mas embora elas marquem uma presença significativa, ainda não será desta vez.

A TV Bandeirantes abre 7 de agosto a série de debates com os candidatos a governador da Bahia, que envolvem também TV Record e TV Aratu, até fechar com a TV Bahia já na boquinha das eleições, como sempre acontece.

O prazo para a realização das convenções vai de 20 de julho até 5 de agosto, é o período em que os agora pré-candidatos viram candidatos de fato. O jogo começa na Band.

POLÍTICA COM VATAPÁ

Lições do cárcere

Essa vem da lavra de Sebastião Nery em 350 histórias do Folclore Político Brasileiro. Eurico Gaspar Dutra, presidente da República, veio à Bahia, foi recepcionado por Octavio Mangabeira, governador. Os dois seguiram para Barreiras. Lá, José Mariano de Souza, agente do IBGE, mas também rábula conhecido em todo o oeste baiano e também famoso orador, foi instigado a saudar os ilustres visitantes:

— Que felicidade estar entre dois arautos das boas obras. Com eles aqui foi feito o hospital. instalado o serviço de água, inaugurado o ginásio e construída uma nova cadeia, com xadrezes amplos e confortáveis!

Octavio fechou a cara. Na saída, chamou Orlando Carvalho, o chefe político da época:

— Quando eu for embora mande prender esse sujeito.

— Mas por que, governador?

— Eu já fui preso várias vezes e nunca vi xadrez amplo e confortável. Esse cretino precisa aprender que cadeia e carcereiro não se elogia.

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