LEVI VASCONCELOS
Que tal presentear Salvador tombando as obras de Paraíso?
Projeto para reconhecimento da obra do artista plástico já conta com mais de 800 assinaturas


Salvador, a nossa Soterópolis, completa 474 anos (da ocupação portuguesa). Que tal se o canto do parabéns viesse acompanhado do tombamento das obras do artista plástico Juarez Paraíso?
A ideia não é obra do acaso. É o Projeto Tombamento das Obras do Artista Plástico Juarez Paraíso, bolado e deflagrado pelo pessoal da Escola de Belas Artes da UFBa, que já conta com mais de 800 assinaturas e pretende chegar já a mil.
São mais de 60 obras espalhadas pela cidade em prédios particulares e logradouros públicos, algumas bem conservadas, outras nem tanto, segundo o próprio Juarez.
— A do Hospital Roberto Santos, por exemplo, está muito bem. Já a da entrada da Secretaria da Agricultura, não.
A ideia é que a Prefeitura de Salvador e o Governo do Estado tombem as obras, o que permitirá ao poder público investir dinheiro para preservar.
No Palacete — Claro que a obra de Juarez é bem maior. Filho nativo de Rio de Contas e adotivo de Salvador, onde chegou em 1950, aos 16 anos (está com 88), Juarez desde então tornou-se escultor, pintor, gravador, desenhista e professor, além de imortal da Academia de Letras da Bahia (cadeira 39).
Ele se diz muito agradecido pelo grupo de trabalho que abraçou a causa do tombamento e também da exposição que está sendo organizada no Palacete das Artes a partir do dia 16 próximo.
O grupo é formado por José Dirson Argolo, João Silva, Angela Andrade, Tatiana Paraíso, Marcia Magno, Angélica Borges e Waldemar Silvestre. Salvador fica antecipadamente grata com eles.
POLÍTICA COM VATAPÁ
Palavra final
Conta Sebastião Nery em “1950 histórias do folclore político brasileiro” que na 2ª Guerra Mundial o senhor absoluto da audiência em Salvador era Demóstenes, dono de uma rede de alto falantes na Liberdade, num tempo em que o rádio ainda estava engatinhando e televisão nem pensar.
A guerra acabou e ele, empolgado com a enorme popularidade obtida, resolveu se candidatar a senador, anunciou.
Ninguém deu bola, ele recuou, decidiu se candidatar a deputado federal, anunciou. Mais uma vez o povo levou na brincadeira, e também de novo recuou, baixando para deputado estadual.
Outro fracasso, ninguém ligou, decidiu se candidatar a vereador, aí colou, todo mundo acreditou, passaram a chamá-lo de ‘vereador’’.
Na véspera da eleição, o TRE-Ba cassou o registro do Partido Operário Trabalhista, o POT. Dia seguinte, na hoje Praça Nelson Mandela, tinha uma faixa com letras garrafais:
“Demóstenes avisa a todos que não é mais candidato a merda nenhuma!”.