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LEVI VASCONCELOS

Que tal presentear Salvador tombando as obras de Paraíso?

Projeto para reconhecimento da obra do artista plástico já conta com mais de 800 assinaturas

Levi Vasconcelos
Por Levi Vasconcelos
Juarez, 88 anos, uma lenda do embelezamento da vida em Salvador
Juarez, 88 anos, uma lenda do embelezamento da vida em Salvador - Foto: Gilberto Junior | Ag. A TARDE

Salvador, a nossa Soterópolis, completa 474 anos (da ocupação portuguesa). Que tal se o canto do parabéns viesse acompanhado do tombamento das obras do artista plástico Juarez Paraíso?

A ideia não é obra do acaso. É o Projeto Tombamento das Obras do Artista Plástico Juarez Paraíso, bolado e deflagrado pelo pessoal da Escola de Belas Artes da UFBa, que já conta com mais de 800 assinaturas e pretende chegar já a mil.

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São mais de 60 obras espalhadas pela cidade em prédios particulares e logradouros públicos, algumas bem conservadas, outras nem tanto, segundo o próprio Juarez.

— A do Hospital Roberto Santos, por exemplo, está muito bem. Já a da entrada da Secretaria da Agricultura, não.

A ideia é que a Prefeitura de Salvador e o Governo do Estado tombem as obras, o que permitirá ao poder público investir dinheiro para preservar.

No Palacete — Claro que a obra de Juarez é bem maior. Filho nativo de Rio de Contas e adotivo de Salvador, onde chegou em 1950, aos 16 anos (está com 88), Juarez desde então tornou-se escultor, pintor, gravador, desenhista e professor, além de imortal da Academia de Letras da Bahia (cadeira 39).

Ele se diz muito agradecido pelo grupo de trabalho que abraçou a causa do tombamento e também da exposição que está sendo organizada no Palacete das Artes a partir do dia 16 próximo.

O grupo é formado por José Dirson Argolo, João Silva, Angela Andrade, Tatiana Paraíso, Marcia Magno, Angélica Borges e Waldemar Silvestre. Salvador fica antecipadamente grata com eles.

POLÍTICA COM VATAPÁ

Palavra final

Conta Sebastião Nery em “1950 histórias do folclore político brasileiro” que na 2ª Guerra Mundial o senhor absoluto da audiência em Salvador era Demóstenes, dono de uma rede de alto falantes na Liberdade, num tempo em que o rádio ainda estava engatinhando e televisão nem pensar.

A guerra acabou e ele, empolgado com a enorme popularidade obtida, resolveu se candidatar a senador, anunciou.

Ninguém deu bola, ele recuou, decidiu se candidatar a deputado federal, anunciou. Mais uma vez o povo levou na brincadeira, e também de novo recuou, baixando para deputado estadual.

Outro fracasso, ninguém ligou, decidiu se candidatar a vereador, aí colou, todo mundo acreditou, passaram a chamá-lo de ‘vereador’’.

Na véspera da eleição, o TRE-Ba cassou o registro do Partido Operário Trabalhista, o POT. Dia seguinte, na hoje Praça Nelson Mandela, tinha uma faixa com letras garrafais:

“Demóstenes avisa a todos que não é mais candidato a merda nenhuma!”.

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