MADE IN BAHIA
A Europa mais perto da Bahia
Confira a coluna Made in Bahia


Acordos comerciais não produzem resultados sozinhos. Eles abrem portas, mas atravessá-las exige preparo. O Acordo Mercosul–União Europeia ab re uma porta para o empresariado baiano e eleva a competição. Assinado em 17 de janeiro de 2026, o acordo teve sua parte comercial aplicada. provisoriamente a partir de 1º de maio. Ainda há etapas para a aprovação definitiva, mas o movimento começou. Cada empresário deve perguntar: “como minha empresa pode se beneficiar?”
Nossa pauta exportadora indica caminhos na agroindústria, frutas, cacau, café e mel; na química e petroquímica; na mineração estratégica e nas energias renováveis. Mas a grande oportunidade não está somente em vender mais soja, minério ou frutas in natura.
Está em processar, certificar, industrializar e construir marcas. A Bahia que exporta cacau deve ambicionar vender mais chocolates e derivados; a que vende minerais deve avançar no beneficiamento; e nossa liderança em energia limpa pode atrair tecnologia e investimentos. Não são ganhos automáticos, mas caminhos que o acordo pode ampliar.
O selo Made in Bahia, criado pelo Business Bahia e transformado em lei, reforça a ambição de converter origem e identidade em qualidade e maior margem. A Europa, contudo, é exigente. Regras sanitárias, ambientais e de rastreabilidade serão barreiras para quem não se preparar. Ao mesmo tempo, vinhos, queijos, azeites, máquinas e tecnologias europeias poderão chegar mais competitivos. Isso beneficia consumidores e empresas, mas amplia a concorrência. Rever custos, produtividade, qualidade e posicionamento deve começar agora.
Minha relação com a Europa é antiga. Estudei na Universidade do Porto, fiz MBA na ESADE e há sete anos atuo na Câmara Portuguesa aproximando empresas e instituições. Também vivo o comércio exterior em minhas empresas, com mais de 30 acordos internacionais. Aprendi que mercado externo exige presença, parceiros e constância. Espanha e Portugal podem ser portas naturais para empresas baianas na União Europeia. Por reconhecer a importância deste momento, o Business Bahia colocou o acordo no centro do almoço de seus oito anos. Com os cônsules dos dois países, discutiremos como transformar nossa proximidade em negócios. Meu conselho é direto: coloquem suas equipes para estudar o acordo e identificar oportunidades e ameaças. Busquem certificações, adaptem produtos, formem parceiros e entendam como o Estado pode apoiar. Procurem câmaras, federações e instituições que sirvam como ponte.
O acordo não garante mercado a ninguém. Mas premiará quem começar agora. Para oempresário baiano preparado, a Europa deixa de ser distante e passa a ser uma possibilidade real.
*Bruno Pena é presidente da Câmara de Comércio e Indústria Norte e Nordeste–Israel e vice-presidente da Câmara Portuguesa de Comércio na Bahia.