FICOU FEIO!
Futebol chato e mimado: Marinho e Cacá transformam derrota no Ba-Vi em choro
Agressão à camisa do Bahia no Barradão escancara elenco descontrolado que não sabe perder


O futebol está ficando insuportavelmente chato. O esporte que se consagrou no planeta pela malícia, pelo drible desconcertante e pela provocação sadia vai sendo gradativamente sufocado por uma geração de atletas mimados, desequilibrados e que simplesmente não sabem perder. O clássico Ba-Vi do último domingo, que marcou um feito histórico com o triunfo do Bahia por 2 a 0 dentro do Barradão — o primeiro que o Tricolor venceu na era dos pontos corridos do Brasileirão —, terminou manchado por uma das cenas mais bizarras e apequenadas do futebol brasileiro recente.
Como seria o futebol sem os dribles de Garrincha, sem a mágica de Ronaldinho Gaúcho, sem as provocações de Romário e Renato Gaúcho, sem a embaixadinha de Edilson, à época no Corinthians, no clássico contra o Palmeiras em 1999? Chato demais!
Após decretar o placar e se consolidar como o verdadeiro carrasco do Leão — anotando seu quarto gol em quatro clássicos disputados nesta temporada —, o volante Jean Lucas fez o que gigantes da história do futebol mundial já cansaram de fazer. Tirou a camisa e exibiu seu nome e número à torcida adversária.
Não inventou nada. Repetiu Messi e Ronaldinho Gaúcho no Santiago Bernabéu, Cristiano Ronaldo no Camp Nou. É o gesto supremo do "eu estou aqui", do "eu sou o cara". Um ato de afirmação, de provocação dentro do espetáculo, mas longe, muito longe de ser um desrespeito institucional.
A resposta do lado rubro-negro, no entanto, foi o retrato do descontrole emocional de um elenco apequenado pela derrota.
O mico de Marinho e o ridículo Cacá
Incapazes de conter Jean Lucas com a bola rolando, Marinho e Cacá resolveram descontar na camisa do adversário. Marinho tomou o uniforme das mãos do jogador tricolor em uma crise pueril de raiva. Não satisfeito, repassou a peça para o zagueiro Cacá, que protagonizou uma cena patética: tentou rasgar o manto Tricolor com as próprias mãos, em um gesto de pura descontinuidade cognitiva e destemperamento. Faltou força e virou meme na internet e deu motivos de sobra para o Bahia e os jogadores criarem uma chuva de zoeira nas redes sociais.
A atitude não é apenas antidesportiva; é uma agressão direta à instituição Esporte Clube Bahia.
Essa postura de destemperamento e incapacidade de aceitar a provocação sadia, aliás, não é novidade do lado rubro-negro. A história recente lembra bem que o Vitória não sabe perder e carrega esse histórico de descontrole dentro do próprio Barradão. Em 2018, no polêmico Ba-Vi marcado pela comemoração do meia Vinícius (Vina) após empatar o jogo de pênalti, a resposta do Leão não foi no futebol, mas sim na violência desmedida: o zagueiro Kanu desferiu socos contra o tricolor, desencadeando uma pancadaria que terminou com expulsões em série, o jogo encerrado precocemente por falta de número mínimo de atletas rubro-negros em campo e um boletim de ocorrência na delegacia. O papelão de Cacá e Marinho tentando rasgar a camisa de Jean Lucas nada mais é do que a continuação desse mesmo enredo de desespero, desrespeito e descontrole.
O mais lamentável nessa regressão é que as cenas lamentáveis pareciam ter ficado definitivamente no passado. A temporada de 2024 havia sido o exemplo perfeito de como a rivalidade pode ser quente sem cruzar a linha do desrespeito. Vimos de tudo: os jogadores do Leão comemorando com a provocação da "pescaria", a resposta tricolor com o gesto de "imitar a galinha" e o arremesso de milho, além de cartões amarelos aplicados pela arbitragem — como o recebido por Thaciano — para conter os ânimos. Ali, a provocação saudável viveu seu auge. Ficou restrita ao folclore, ao sarcasmo do campo e ao debate acalorado de arquibancada, sem descambar para a agressão física, para a covardia de tentar rasgar a camisa do adversário ou para o descontrole emocional.
Marinho, que na entrevista pós-jogo teve a coragem de assumir abertamente que "tem raiva do Bahia", e Cacá escancararam um vestiário que não tem maturidade para lidar com a superioridade do rival. O árbitro Raphael Claus, em mais uma atuação omissa, limitou-se a amarelar os envolvidos e ignorou o escândalo na súmula. Mas o STJD tem a obrigação moral e jurídica de intervir e punir severamente a palhaçada vista no Barradão.
Provocação faz parte; o desrespeito, não
Hoje em dia, tudo vira motivo para briga. Um drible bonito é visto como "desrespeito". Uma comemoração efusiva vira "vandalismo". Uma exibição de camisa vira estopim para pancadaria. Esse moralismo de botequim que tomou conta dos gramados tenta transformar o futebol em uma reunião de condomínio, onde quem ganha precisa pedir desculpas por ser melhor.
Saber perder é pré-requisito básico para quem se propõe a ser atleta profissional. A provocação enriquece o esporte, esquenta o clássico e alimenta a rivalidade sadia das arquibancadas. O que Marinho e Cacá fizeram não foi defender a honra do Vitória; foi expor a própria fragilidade mental e apequenar a história do clássico.
O Bahia venceu com autoridade, quebrou o tabu no Barradão com gols de Alejo Véliz e Jean Lucas, e comemorou como gigante. Ao Vitória e aos seus comandados, resta engolir o orgulho ferido, juntar os cacos e aprender uma lição elementar do esporte: quem não sabe perder, não merece vencer.