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Investimento de R$ 66 milhões vai revolucionar segurança em aeroporto baiano

Instalação pode incrementar a distância disponível para decolagem e pouso

Igor Pires
Por Igor Pires
aeroporto de Congonhas-SP
aeroporto de Congonhas-SP - Foto: EMAS

O anúncio da instalação do sistema EMAS (Engineering Materials Arresting System) no Aeroporto Jorge Amado, em Ilhéus, representará um dos investimentos mais relevantes em infraestrutura aeroportuária realizados recentemente no Nordeste. Embora a iniciativa tenha sido apresentada principalmente como uma medida de segurança operacional, a instalação do dispositivo poderá incrementar a distância disponível para decolagem e pouso, influenciando positivamente a capacidade operacional do aeroporto.

No Brasil, em aeródromos públicos, o EMAS só existe no aeroporto de Congonhas em SP um dos mais movimentados do Brasil e notoriamente cercado por vias e construções públicas.

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Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, serão investidos cerca de R$ 66 milhões na implantação do sistema, tornando Ilhéus o segundo aeroporto brasileiro a receber a tecnologia.

Aeronave parando sobre EMAS em aeroporto dos EUA
Aeronave parando sobre EMAS em aeroporto dos EUA - Foto: Zodiac Aeroespace

O que é o EMAS?

O EMAS é uma área de escape construída com concreto de alta absorção de energia, instalada após o final da pista. Quando uma aeronave ultrapassa os limites da pista durante um pouso ou decolagem abortada, o trem de pouso afunda gradualmente no material, que se rompe de forma controlada e dissipa a energia cinética do avião até a parada completa.

Em vez de depender exclusivamente de extensas áreas pavimentadas ou gramadas após o final da pista, o EMAS permite atingir um nível equivalente de segurança em locais onde a expansão física é inviável.

Aeroporto de Ilhéus

O aeroporto de Ilhéus é o segundo aeroporto de maior movimentação de passageiros do interior do Nordeste, atrás apenas do aeroporto de Porto Seguro também na Bahia.

Apesar disso, possui uma das duas menores extensões de pista de pousos e decolagens entre aeroportos que operam aviação comercial no Nordeste. Enquanto a distância disponível de decolagem na cabeceira 29 é de até 1577m (valor muito baixo), pela cabeceira 11 (a mais usada), as distâncias de pouso e decolagem disponíveis são de apenas 1467m, dado que a cabeceira 29 é deslocada, para distanciar mais a operação das aeronaves das áreas públicas.

A média de comprimento de pista dos 5 aeroportos que mais movimentam passageiros no Nordeste, excluindo, Ilhéus é próxima a 2000 metros.

Perguntamos ao MPOR se de fato o sistema também poderá incrementar as distâncias declaradas de pousos e decolagens, mas até a publicação da Coluna, não recebemos atualização.

Limitações geográficas

A pista de pouso e decolagem de Ilhéus está implantada em uma área costeira limitada, próxima ao mar (na cabeceira 29) e a uma lagoa (na cabeceira 11). Assim, em Ilhéus, a expansão convencional das áreas de segurança exigiria obras complexas, de elevado custo e grande impacto ambiental.

Acidente de Ubatuba

No aeroporto de Ubatuba-SP, um acidente ocorrido em 2025, chamou atenção quando um jato executivo Cessna Citation CJ1+ ultrapassou os limites da pista e acabou no mar. A cabeceira 27 também é bastante próxima de vias públicas e do mar, como em Ilhéus (aproximadamente 200 metros)

O episódio mostrou o risco existente em aeroportos costeiros quando a aeronave não consegue parar dentro das distâncias disponíveis: feridos nas vias públicas e óbito do piloto.

As situações de Ubatuba e Ilhéus não são idênticas, mas compartilham um elemento comum: a escassez de área livre além dos limites da pista. Em cenários como esses, não existem muitas alternativas entre parar a aeronave dentro do aeroporto ou permitir que ela alcance obstáculos, vias públicas, construções ou o próprio oceano.

O EMAS foi criado justamente para atuar nessa última camada de proteção.

Segurança e capacidade ao mesmo tempo

Além de reforçar a segurança, a implantação do EMAS permitirá ampliar em aproximadamente 100 metros o comprimento operacional da pista, que passará de 1467 para 1577 metros.

“O sistema de frenagem representa um avanço importante para a operação do Aeroporto Jorge Amado. Além de aumentar a segurança, a solução permitirá ampliar o comprimento operacional da pista, oferecendo melhores condições para as operações aéreas”, destacou Saulo Pontes, secretário estadual de Infraestrutura da Bahia (Seinfra),

Isso é especialmente relevante para aeronaves como Boeing 737-800 e Airbus A320, que necessitam de distâncias de pelo menos 1800 metros para não operarem com restrições de peso de decolagem.

Em pistas relativamente curtas, pequenas diferenças nas distâncias declaradas podem resultar em restrições de peso, combustível, carga paga ou número de passageiros. Além disso, para se operar em pistas mais curtas, os motores são mais exigidos e mais combustível é demandado.

Um dos aeroportos mais importantes do interior nordestino

O investimento também reflete a importância crescente de Ilhéus na malha aérea regional.

Segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil - ANAC, o terminal movimentou 543.222 passageiros entre janeiro e setembro de 2026, crescimento de cerca de 13% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Trata-se de um dos aeroportos mais movimentados do interior do Nordeste, desempenhando papel fundamental para o turismo da Costa do Cacau.

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Tags

aeroporto de ilhéus aviação Bahia

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