NAS NUVENS
LATAM acompanha avanços em Feira de Santana e reacende expectativas de voos na cidade
Informações de fonte dão conta que a Latam esteve no aeroporto


Fonte ouvida pela coluna Nas Nuvens relata que representantes da Latam estiveram recentemente em Feira de Santana para reuniões envolvendo a concessionária do aeroporto a empresa AFS, e agentes do Governo da Bahia. Segundo os relatos, a companhia demonstrou interesse em iniciar operações tão logo as obras de infraestrutura do aeroporto sejam solucionadas.
À Coluna, a Secretaria de Turismo da Bahia compartilhou que “mantém tratativas contínuas com a Latam para a ampliação da malha aérea no estado, tendo Feira de Santana entre as os destinos selecionados. Os entendimentos prosseguem, mas a decisão da Latam depende da conclusão das obras no aeroporto do município, que ainda estão em andamento.”
Pedimos comentários da assessoria da empresa AFS, mas até a publicação da coluna, não recebemos atualização.
Nos últimos meses, o aeroporto passou por uma importante modernização. A pista foi ampliada de 1.500 para 1.800 metros de extensão (mínimo para operação de jatos categorias 3C, como Airbus A320 Neo, Boeing 737-Max, Embraer E2-195) e teve sua resistência elevada para um patamar equivalente ao antigo PCN (número de classificação de pavimento 45), que denota a rigidez de um pavimento de aeroporto. Quanto maior o número, mais possui capacidade para receber aeronaves mais pesadas e maiores.
Interesse da Latam
Existe um histórico recente que reforça a tese de que a LATAM pode enxergar oportunidades concretas na cidade de Feira de Santana.
Antes da interrupção das operações da Voepass, Feira de Santana integrava a malha da empresa em parceria comercial com a Latam, exatamente como ocorria em outros mercados estratégicos do Nordeste, como Campina Grande-PB e Mossoró-RN. Em ambos os casos, a conectividade oferecida pela parceira regional servia como complemento à rede da companhia e rendia incentivos tributários para a Latam.
Após a dissolução da Voepass, encerrando todas essas rotas, inclusive em Feira, em Campina Grande, a Latam decidiu assumir diretamente a operação e iniciou voos próprios em maio do presente ano. Já em Mossoró, no final de setembro, após manifestações públicas da Governadora do Rio Grande do Norte (Fátima Bezerra) e da própria companhia aérea, a expectativa é de que o município passe a receber operações da LATAM até o final do primeiro semestre de 2027, com vendas de passagem se iniciando em novembro de 2026.
“O início da operação está sujeito às aprovações necessárias para adequação do aeroporto”, disse a Latam em nota. É o mesmo contexto do aeroporto de Feira, Mossoró está finalizando um grande investimento de 80 milhões para adequar integralmente o aeroporto a operações de jatos categoria 3C.
Assim, os exemplos mostram um movimento interessante: mercados que antes dependiam de parceiros regionais da Latam para ter voos como a Voepass, passaram a fazer parte da estratégia direta de expansão da companhia nacional, que terá incrementado, nos últimos seis anos, sua quantidade de bases de 44 para 67 até o final de 2026.
O CEO da LATAM Brasil, Jerome Cadier, confirmou que a empresa já estuda até 18 novos destinos potenciais para uma segunda fase de expansão planejada para 2027. Nesse contexto, Feira de Santana surge como uma das candidatas mais naturais a seguir caminho semelhante.
Procurada pela coluna, a LATAM não confirmou planos específicos para Feira de Santana. Em nota, a companhia informou que:
"A LATAM Airlines Brasil avalia de forma contínua possibilidades de ampliar de maneira sustentável a conectividade de sua malha e informa que qualquer nova operação será comunicada oportunamente."
Detalhes das adequações do aeroporto
O principal gargalo hoje já não está na pista.
Segundo informações obtidas com o Professor da Universidade Estadual de Feira de Santana e entusiasta de aviação José Renato Sena, o pátio de aeronaves permaneceu com resistência inferior, em torno de PCN 30, exigindo uma adequação para compatibilização com a nova capacidade operacional do aeroporto.
Segundo José Renato, a licitação dessa obra, porém, foi homologada 18 de setembro no Diário Oficial do Estado da Bahia, e a expectativa é que os trabalhos sejam concluídos no início de 2027.
Ainda, haverá aumento da área de pátio (de 9.800m2 para 17.000m2) para estacionamento de aeronaves, bem como alargamento (de 17,8 para 25 metros) da pista de taxiway que liga a pista de pousos e decolagens (PDD) ao pátio.
Essas adequações são igualmente importantes para a recepção de aeronaves maiores.
Ainda, segundo o Professor José Renato, paralelamente, o Governo do Estado contratou a empresa Infracea para apoiar os processos de homologação e certificação ainda pendentes junto à ANAC.
Há também questões relacionadas à homologação de novas procedimentos de aproximação e partida de voos por instrumentos – IFR - do aeroporto. Apesar de já existirem procedimentos de aproximação por instrumentos (RNP- Desempenho de Navegação Requerida), que conferem maior segurança para as operações, publicados para ambas as cabeceiras, uma limitação física associada ao sítio aeroportuário e a questões judiciais históricas dificulta a resolução definitiva do tema.
Ainda assim, a contratação de uma empresa especializada reforça a intenção do Estado de avançar na solução dessas pendências.
Pedimos comentários a Infracea, mas até a publicação da coluna, não recebemos atualização.
Terminal de Passageiros
Até aqui, a área atual do terminal de passageiros não parece ter suscitado discussões sobre ampliação.
O aeroporto já recebeu operações regulares com Embraer 195 pelo ano de 2015, movimentando 32.423 passageiros com voos da Azul e, segundo o Professor José Renato, a sala de embarque poderia ser ajustada para acomodar aproximadamente 140 passageiros. Trata-se de uma capacidade compatível com operações iniciais de muitos dos equipamentos utilizados atualmente pelas companhias aéreas brasileiras, como os Embraer E2-195 que a Latam receberá ainda em 2026.

Concentração de voos
A Bahia continua concentrando a maior parte do seu movimento aéreo em poucos destinos. Salvador, Porto Seguro e Ilhéus respondem por aproximadamente 95% da movimentação do estado, enquanto grande parte do interior permanece dependente de longos deslocamentos rodoviários para acessar a malha aérea nacional.
Esse cenário chama ainda mais atenção quando observamos que a Região Metropolitana de Salvador reúne cerca de 27% da população baiana, mas concentra aproximadamente 68% da movimentação aérea estadual. Em outras palavras, milhares de baianos do interior acabam gerando movimentação para o aeroporto de Salvador porque precisam percorrer centenas de quilômetros até a capital para embarcar.
Mais do que a segunda maior cidade da Bahia, Feira é o principal entroncamento rodoviário do Nordeste, um importante polo logístico, industrial, comercial e de serviços, com influência sobre dezenas de municípios. Seu mercado potencial vai muito além dos limites do município e engloba uma vasta área do interior baiano.
Ainda assim, somada aos relatos de visitas técnicas, às melhorias em andamento no aeroporto e ao histórico recente da empresa em Campina Grande e Mossoró, reforça a percepção de que Feira de Santana voltou ao radar da aviação comercial brasileira.
Findadas as obras, se o processo de homologação avançar de forma satisfatória e se o aeroporto finalmente alcançar a configuração operacional planejada, 2027 deverá marcar o retorno definitivo de Feira de Santana ao mapa da aviação nacional.
Feira de Santana há muito tempo merece uma conectividade aérea condizente com sua importância. Após anos de espera, os ventos parecem finalmente soprar a favor do maior município do interior baiano. E, desta vez, a LATAM pode ser a protagonista dessa nova fase.