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PLANEJAMENTO FINANCEIRO

Como fazer uma reserva de emergência sendo autônomo?

Mais da metade da população não possui qualquer proteção financeira para imprevistos

Livia Oliveira
Por
| Atualizada em
Ter uma reserva de emergência exige controle na entrada do dinheiro e disciplina.
Ter uma reserva de emergência exige controle na entrada do dinheiro e disciplina. - Foto: Magnific e IA

Você sabia que cerca de 31% dos brasileiros não têm nenhuma reserva de emergência? A 9ª edição do Raio X do Investidor Brasileiro, pesquisa realizada pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA) em parceria com o Datafolha, também aponta que outros 20% teriam dinheiro suficiente para cobrir, no máximo, um mês de despesas.

Na prática, segundo o estudo, mais da metade da população não possui qualquer proteção financeira ou esgotaria todo o orçamento mensal em poucas semanas diante de uma emergência.

Essa realidade já é complexa para os
assalariados. Para os profissionais autônomos, que enfrentam a incerteza da renda mensal, o cenário é ainda mais desafiador. Qualquer queda no faturamento pode desencadear uma crise, e a reserva de emergência vai funcionar exatamente como o estepe do carro. Esse recurso garante que você continue “rodando” até que o faturamento voltar ao normal, sem ficar “parado na estrada”.

O desafio de organizar a vida sem um salário fixo

Eu comecei a sentir essa instabilidade mais de perto quando passei a trabalhar como pessoa jurídica (PJ).

Após anos organizando minha vida em torno de uma renda que chegava todos os meses certinho, precisei assumir responsabilidades que antes não ocupavam tanto espaço nas minhas decisões: separar dinheiro para impostos, prever períodos de menor faturamento e construir, por conta própria, a proteção que um salário fixo ajuda a oferecer.

Com a nova realidade, não tem sido fácil voltar a guardar dinheiro para imprevistos. Assim como muitos brasileiros, preciso lidar com despesas mais urgentes, atrasos no recebimento de pagamentos ou simplesmente tenho que arcar com o “depois” daquele mês que me empolguei gastando mais do que deveria em uma data comemorativa.

Por isso, resolvi pesquisar mais sobre uma dúvida que acompanha milhões de brasileiros que vivem sem renda fixa: "Como construir uma reserva financeira quando não existe garantia de como será o próximo mês?".

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Reserva de emergência: o que é e para que serve

A reserva financeira, popularmente conhecida como reserva de emergência, funciona como uma proteção para rotina. Trata-se de um valor em dinheiro guardado exclusivamente para encarar os imprevistos da vida.

O objetivo desse recurso é garantir o pagamento das suas contas em dia sem precisar recorrer a empréstimos, cheque especial ou faturas estouradas do cartão de crédito.

Construindo uma reserva de emergência do zero

No Portal do Investidor, do governo Federal, encontrei uma orientação que me trouxe um certo alívio: o valor guardado para imprevistos não precisa ser igual todo mês. Isso porque o tamanho e a construção da reserva financeira precisam considerar fatores como o custo de vida mensal (moradia, alimentação, transporte, etc) e a estabilidade profissional.

Em geral, a recomendação dos especialistas é guardar o equivalente a:

  • 3 a 6 meses do seu custo de vida: indicado para quem é funcionário público ou trabalha de carteira assinada, já que essas categorias contam com proteções como FGTS e seguro-desemprego.
  • 6 a 12 meses do seu custo de vida: indicado para profissionais autônomos, empresários, freelancers ou pessoas cuja renda varia mês a mês.

Exemplo prático: se as suas despesas essenciais para viver somam R$ 3.000 por mês e você busca uma proteção de 6 meses, o objetivo final da sua reserva será atingir o montante de R$ 18.000.

Para não travar, comece pensando em juntar o suficiente para atravessar um mês de faturamento baixo ou inexistente. Usei essa estratégia para ter um ponto de partida e funcionou. Abaixo vou compartilhar outras orientações que filtrei em buscas pela internet e venho aplicando na minha vida.

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Passo a passo para montar uma reserva financeira sendo autônomo

O segredo para o profissional autônomo garantir o seu “estepe do carro” na vida financeira é manter o controle na entrada de dinheiro e a disciplina para tratar a reserva como um compromisso fixo.

A quantia de dinheiro separada para reserva de emergência não precisa ser fixa.
A quantia de dinheiro separada para reserva de emergência não precisa ser fixa. - Foto: Adobe Stock

Confira um caminho prático para estruturar a sua proteção financeira do zero:

1. Entenda o padrão do seu faturamento

Antes de definir o valor que pretende guardar no mês, vale olhar para os últimos seis ou doze meses de recebimento. É importante identificar quanto entrou de dinheiro nos períodos mais fortes, nos mais fracos e na média.

Esse histórico ajuda a reconhecer sazonalidades, atrasos recorrentes e meses que parecem bons, mas foram apenas exceções.

2. Defina quanto você precisa para passar o mês

Assim que o dinheiro entrar, organize o destino de cada centavo: separe o valor dos impostos e das despesas do trabalho, o necessário para pagar suas contas pessoais e o que ficará guardado.

Imagine que, depois de separar os custos profissionais, restaram R$ 5.000. Se você precisa de R$ 3.000 cobrir suas contas pessoais, sobram R$ 2.000. Em vez de torrar esse excedente, aplique a seguinte regra: destine 75% (R$ 1.500) direto para a reserva financeira e deixe R$ 500 para seu lazer.

Assim, você garante a sua proteção nos meses fracos de faturamento sem abrir mão de curtir o presente.

3. Independentemente do valor, lembre-se de separar a quantia para reserva

A quantia para guardar pode variar com o cenário de faturamento do mês vigente. A única coisa que não pode acontecer é deixar de separá-la.

Em um mês fraco, adote a regra dos 5% mínimo. Se após as despesas de trabalho sobraram R$ 3.100 e suas contas pessoais somam R$ 3.000, separe R$ 50 para a reserva.

4. Guarde sua reserva em um lugar separado e fácil de resgatar

Não deixe a reserva misturada ao dinheiro usado para pagar as contas do mês. Quando tudo fica no mesmo saldo, é mais fácil gastar sem perceber.

Especialistas indicam manter o valor em uma conta separada ou em uma aplicação de baixo risco (saldo principal não vai cair ou oscilar com a realidade do mercado financeiro) e liquidez diária (possibilidade de resgatar o dinheiro no mesmo dia que precisar).


Exemplos de aplicação de baixo risco:

  • Tesouro Selic: título público do Governo Federal, considerado o investimento mais seguro do país.
  • Certificado de Depósito Bancário (CDB): títulos de bancos que pagam pelo menos 100% da taxa CDI (que acompanha de perto a taxa básica de juros da economia, a Selic) e contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

5. Defina quando pode mexer na quantia separada

É importante ter em mente quais situações justificam o uso do dinheiro reserva. Por aqui, considero três: perda de renda, problemas de saúde ou despesas inesperadas que não podem ser adiadas.

Além disso, crie uma regra para repor o valor assim que possível em casos de retirada.

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O caminho para sair da estatística da montanha-russa já começou

Depois da primeira meta alcançada, já estou planejando a nova. Assumi um compromisso mensal de ter uma proteção financeira para me resguardar em casos de baixa no faturamento ou outro imprevisto.

A renda do autônomo pode continuar sendo imprevisível, mas a forma de lidar com isso não precisa ser.

Na próxima semana, volto com outro questionamento que me fez parar, pesquisar e traçar um caminho resolutivo para o problema. Talvez a minha dúvida te ajude a transformar a sua realidade financeira também.

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economia reserva de emergência

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