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PLANEJAMENTO FINANCEIRO

Como fazer uma reserva de emergência sendo autônomo?

Mais da metade da população não possui qualquer proteção financeira para imprevistos

Lívia Oliveira
Por
| Atualizada em
Ter uma reserva de emergência exige controle na entrada do dinheiro e disciplina.
Ter uma reserva de emergência exige controle na entrada do dinheiro e disciplina. - Foto: Agência Sebrae

Com as oscilações na renda mensal, o profissional autônomo precisa ter uma reserva de emergência disponível para lidar com situações inesperadas e, até mesmo, meses de baixo faturamento. O valor ideal indicado é juntar entre 6 e 12 meses do próprio custo de vida fixo.

Embora seja importantíssima, mais da metade da população brasileira não possui nenhuma proteção financeira ou esgotaria todo o orçamento disponível em poucas semanas. Esse dado é da 9ª edição do Raio X do Investidor Brasileiro, pesquisa realizada pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA) em parceria com o Datafolha.

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Para não fazer parte da estatística, desde que comecei a trabalhar como pessoa jurídica (PJ), levo muito a sério o compromisso de fazer depósitos mensais na caixinha no banco destinada a guardar minha na minha reserva de emergência. Hoje, vou compartilhar alguns aprendizados que acumulei com esse processo.

Quanto guardar na reserva de emergência sendo autônomo?

No Portal do Investidor, do governo Federal, encontrei uma orientação que me trouxe um certo alívio: o valor guardado para imprevistos não precisa ser igual todo mês. Isso porque o tamanho e a construção da reserva financeira precisam considerar fatores como o custo de vida mensal (moradia, alimentação, transporte, etc) e a estabilidade profissional.

Em geral, a recomendação dos especialistas é guardar o equivalente a:

  • 3 a 6 meses do seu custo de vida: indicado para quem é funcionário público ou trabalha de carteira assinada, já que essas categorias contam com proteções como FGTS e seguro-desemprego.
  • 6 a 12 meses do seu custo de vida: indicado para profissionais autônomos, empresários, freelancers ou pessoas cuja renda varia mês a mês.

Exemplo prático: se as suas despesas essenciais para viver somam R$ 3.000 por mês e você busca uma proteção de 6 meses, o objetivo final da sua reserva será atingir o montante de R$ 18.000.

Para não travar, comece pensando em juntar o suficiente para atravessar um mês de faturamento baixo ou inexistente. Usei essa estratégia para ter um ponto de partida e funcionou.

Será que vale a pena deixar de ser CLT ? Aprenda o que considerar antes de aceitar a proposta para ser PJ com a coluna No Fim das Contas.


Onde guardar a reserva de emergência?

Para o profissional autônomo, o dinheiro da reserva de emergência deve ser aplicado em investimentos de baixo risco e com liquidez imediata (resgate em até 24 horas).

As opções mais adequadas hoje são:

  • Caixinhas e porquinhos de bancos digitais (CDBs a 100% do CDI): Opção prática diretamente no aplicativo do seu banco, com rendimento diário superior à poupança e resgate imediato para cobrir imprevistos do dia a dia.
  • Tesouro direto: É a aplicação de menor risco do país, emitida pelo Governo Federal. Garante rentabilidade diária acompanhando a taxa básica de juros e resgate rápido em dias úteis.
  • CDBs de liquidez diária de grandes bancos: Títulos de renda fixa com garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), ideais para quem prefere manter a reserva no mesmo banco tradicional onde já possui conta.

A poupança tradicional, embora acessível, não é indicada. Com essa modalidade, a poupança só rende no aniversário do depósito e oferece rendimento inferior à inflação, o que faz o dinheiro perder poder de compra no longo prazo.

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Passo a passo para montar uma reserva financeira do zero

1. Entenda o padrão do seu faturamento

Antes de definir o valor que pretende guardar no mês, vale olhar para os últimos seis ou doze meses de recebimento. É importante identificar quanto entrou de dinheiro nos períodos mais fortes, nos mais fracos e na média.

Esse histórico ajuda a reconhecer sazonalidades, atrasos recorrentes e meses que parecem bons, mas foram apenas exceções.

2. Defina quanto você precisa para passar o mês

Assim que o dinheiro entrar, organize o destino de cada centavo: separe o valor dos impostos e das despesas do trabalho, o necessário para pagar suas contas pessoais e o que ficará guardado.

Imagine que, depois de separar os custos profissionais, restaram R$ 5.000. Se você precisa de R$ 3.000 cobrir suas contas pessoais, sobram R$ 2.000. Em vez de torrar esse excedente, aplique a seguinte regra: destine 75% (R$ 1.500) direto para a reserva financeira e deixe R$ 500 para seu lazer.

Assim, você garante a sua proteção nos meses fracos de faturamento sem abrir mão de curtir o presente.

3. Independentemente do valor, lembre-se de separar a quantia para reserva

A quantia para guardar pode variar com o cenário de faturamento do mês vigente. A única coisa que não pode acontecer é deixar de separá-la.

Em um mês fraco, adote a regra dos 5% mínimo. Se após as despesas de trabalho sobraram R$ 3.100 e suas contas pessoais somam R$ 3.000, separe R$ 50 para a reserva.

4. Defina quando pode mexer na quantia separada

É importante ter em mente quais situações justificam o uso do dinheiro reserva. Por aqui, considero três: perda de renda, problemas de saúde ou despesas inesperadas que não podem ser adiadas.

Além disso, crie uma regra para repor o valor assim que possível em casos de retirada.

Por que é importante ter uma reserva de emergência sendo autônomo?

A reserva financeira, popularmente conhecida como reserva de emergência, funciona como uma proteção para rotina. Trata-se de um valor em dinheiro guardado exclusivamente para encarar os imprevistos da vida.

O objetivo desse recurso é garantir o pagamento das suas contas em dia sem precisar recorrer a empréstimos, cheque especial ou faturas estouradas do cartão de crédito.

Para os profissionais autônomos, qualquer queda no faturamento pode desencadear uma crise, e a reserva de emergência vai funcionar exatamente como o estepe do carro. Esse recurso garante que você continue “rodando” até que o faturamento voltar ao normal, sem ficar “parado na estrada”.

Na próxima semana, volto com outro conteúdo para te ajudar a organizar melhor as suas finanças.

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economia reserva de emergência

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