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O Carrasco
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ACERVO DA COLUNA
14 | Sep | 2026

O Carrasco - Máscara caiu

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MÁSCARA CAIU

O Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA) ajuizou ação civil pública contra as intermediadoras de pagamento Nuoro Pay, Select Credit e Cartos por viabilizarem operações financeiras para plataformas ilegais de apostas. A Nuoro Pay acumula mais de 1,5 mil queixas por mascarar os reais destinatários do dinheiro por meio de empresas recém-criadas e documentos adulterados. O MP pede o bloqueio de R$ 5 milhões em bens das empresas e dos sócios, o encerramento definitivo das atividades do trio e a obrigatoriedade de controle rígido para que só processem valores de operadores autorizados pelo Ministério da Fazenda.

BALCÕES FECHADOS

Os bancários da Bahia cruzaram os braços e decretaram greve por tempo indeterminado nas agências do Banco do Brasil, Caixa Econômica e Banco do Nordeste. A rejeição às propostas das instituições beirou os 98% na Caixa, escancarando a insatisfação com os reajustes oferecidos na Campanha Salarial. Enquanto o setor privado aceitou o acordo e segue rodando normalmente, o cidadão que depende dos bancos públicos para atendimento presencial vai amargar portas fechadas ou filas quilométricas nas poucas unidades que operarem a meio-pau. A conta do impasse nas negociações, como de praxe, sobra todinha para o trabalhador do outro lado do balcão.

COMPRINHAS COM ATRASO

Os trabalhadores dos Correios decidiram entrar em greve por tempo indeterminado após o encerramento de mais uma rodada de negociação sem avanços concretos. A paralisação acontece em meio a uma severa crise financeira que atinge a empresa pública e que já causou prejuízo de R$ 5,6 bilhões só no primeiro semestre de 2026. A suspensão acendeu o alerta em quem fez compras online nos últimos dias. Segundo o sindicato da categoria, a entrega de correspondências e a distribuição de encomendas podem sofrer atrasos e interrupções em todo o território nacional.

VENDAS SUSPENSAS

A Uster 71 Empreendimentos e Participações S.A, construtora ligada ao empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro do Banco Master, entrou na mira do MP-BA. A 4ª Promotoria de Justiça de Meio Ambiente, Habitação e Urbanismo da Capital recomendou a suspensão da divulgação e da venda de um empreendimento de uso misto que está em construção pela empresa na Avenida Anita Garibaldi, no bairro de Ondina, em Salvador. A medida foi tomada após análise técnica identificar pendências em diferentes áreas, incluindo questões ambientais, urbanísticas, documentais e registrais. Quem comprou, coloque as barbas de molho.

MANIFESTO

A empresária Luiza Trajano e o apresentador Luciano Huck encabeçam o manifesto "Pela Lei e pelo Brasil", pedindo uma varredura nas instâncias superiores do Judiciário e da política às vésperas do pleito. A mobilização, que conta com petição pública, surge em resposta à crise do caso Master, envolvendo suspeitas de favorecimento e negociação de decisões que atingem os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes. O documento alerta para a erosão da confiança nas instituições e exige urgência na apuração de denúncias que respingam não apenas no STF, mas também na Polícia Federal, no Ministério Público, no Congresso e nos núcleos mais próximos de Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva.

SAÚDE EM XEQUE

O fechamento das portas do Hospital Unimec para os pacientes do SUS em Vitória da Conquista, voltou a incendiar os debates na Câmara Municipal e colocou a gestão Sheila Lemos no centro das pressões. A unidade privada, que historicamente desempenhava um papel fundamental no suporte à assistência hospitalar do município, deixou um vácuo assistencial que preocupa vereadores e usuários da rede pública. Diante do descaso com a Saúde local, a prefeita vai precisar esquecer um pouco o foco na eleição do marido para focar nos problemas do município.

QUE IRONIA

A Justiça Eleitoral aplicou a regra da cota de gênero em Sítio do Mato e o resultado virou uma daquelas ironias sem tamanho. Para punir uma fraude de candidatura feminina fictícia do PP, o tribunal anulou a votação da chapa e arrancou do cargo uma das poucas mulheres eleitas na cidade, que nem sequer participou do esquema. Sem direito a choro, ela perdeu o mandato junto com um colega de bancada para dar lugar a dois homens. Quando o remédio burocrático contra o machismo eleitoral consegue a proeza de reduzir a bancada feminina no parlamento local, fica cristalino que a Súmula do TSE precisa passar por um ajuste urgente de rota.

NUDISMO POLÍTICO

Em plena era da transparência, o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia precisou baixar um decreto formal com multa de R$ 50 mil para proibir campanhas eleitorais de usarem mulheres nuas ou com o corpo pintado em seus atos de campanha. É preciso esfregar os olhos para acreditar: em pleno século XXI, uma coligação majoritária ainda apela para a objetificação escancarada do corpo feminino em cima de trio elétrico para tentar garimpar uns votinhos de esquina. A defesa correu para culpar um "apoiador entusiasmado" e o entorno de um deputado aliado, mas o vexame já estava dado de papel passado. Ter que esperar um despacho judicial para lembrar a políticos que mulher não é atração de comício é o fim da picada.

KLEBER E AS ROSAS CAPITALISTAS

Candidato a deputado estadual pelo Psol, que vive arrotando pureza dentro da política, Kleber Rosa recebeu uma boa grana para turbinar a sua campanha, o que é comum, de uma doadora improvável. Daniela Moreau, da família que durante muito tempo foi quem manteve de pé o domínio do Banco da Bahia. Os R$ 20 mil vão fazer muita diferença na campanha do psolista, que parece não odiar tanto assim o capitalismo.

CHAMA O CAMILO

Diante do cenário eleitoral recente, uma ala do PT tem falado, ainda que timidamente, que o melhor cenário para o partido nas eleições deste ano, até para uma derrota, seria Camilo Santana candidato a presidente no lugar de Lula. O entendimento é de que Lula não deveria ter enfrentando uma disputa tão dura, com riscos de derrota.

CENTRÃO NOSSO DE CADA DIA

O centrão não tem discutido absolutamente nada sobre a eleição presidencial. Depois de abandonar a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) antes mesmo de aderir, o bloco tem feito esforços para eleger seus deputados, ignorando a existência de um pleito para o Planalto em menos de um mês.

O APAGÃO DA TOGA

A lavar roupa suja em praça pública, os ilustres ministros do Supremo Tribunal Federal finalmente levaram um chega-pra-lá do presidente da Corte, Edson Fachin. Quem diria: precisou o próprio presidente da República vir a público elogiar a "ordem na casa" para que a briga de vaidades entre Alexandre de Moraes e André Mendonça saísse das manchetes de fofoca jurídica. A exposição vexatória do STF, com direito a acusações de abuso de autoridade e pedidos de investigação cruzados, só serviu para desgastar ainda mais a imagem do Poder Judiciário. Se até o chefe do Executivo precisa pedir compostura aos togados, é sinal de que o topo do Judiciário andava funcionando como um verdadeiro balcão de desavenças. O Carrasco seguirá atento para observar se o coleguismo vai prevalecer no julgamento de 15 de setembro.

TOMA LÁ, DÁ CÁ

No entanto, há quem veja como ato heroico o pedido do ministro Alexandre de Moraes, pela quebra total do sigilo do caso que envolve o Banco Master, seguindo o que fez Fachin. O problema é que, ao abrir tudo, Moraes pode acabar levando outros junto na queda. Se é para cair, parece que ele não quer ir sozinho.

DIA TENSO

Diante de tudo isso, a sessão extraordinária do STF marcada para 15 de setembro promete ser um dos momentos mais tensos da história recente da Corte. A pauta inicial, que era decidir se valida o relatório da Polícia Federal e abre uma investigação formal contra Alexandre de Moraes, se transformou em um tudo ou nada jurídico e institucional.

VAI AFUNDAR DE VEZ?

O presidente do STF, Edson Fachin, está sendo pressionado para que a sessão extraordinária de 15 de setembro ocorra a portas fechadas, sem transmissão pela TV Justiça. O problema é que, se a ideia é conter o estrago, esconder a discussão pode produzir justamente o efeito contrário. Em uma crise de confiança, quanto menos transparência, maior a desconfiança.

ENQUADRADA

O selo semanal do Carrasco vai para a gestão em Euclides da Cunha. Sem rumo e sem abrigo, a falta de planejamento na assistência social do município custou caro à gestão do prefeito Heldinho (PDT) e virou alvo de ultimato da Justiça. Em decisão liminar, após Ação Civil Pública do Ministério Público da Bahia (MPBA), a Prefeitura foi obrigada a implantar, no prazo improrrogável de 90 dias, pelo menos uma residência inclusiva para pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade. O estopim para a intervenção judicial foi o absurdo de se manter um adulto com deficiência abrigado de forma irregular em uma unidade destinada exclusivamente a crianças e adolescentes. O que torna o caso ainda mais grave é que a inércia da gestão municipal não se deu por falta de aviso. Conforme apurou o MPBA, os alertas sobre a obrigatoriedade legal do serviço eram de conhecimento da prefeitura há anos, mas foram solenemente ignorados a passos largos.

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