PAPO PET
Iniciativa pioneira dá esperança a gatas e cadelas com câncer
Ação realizada em universidades este mês oferece atendimento a pets com tumor mamário

Parece um detalhe, mas antes da existência da Campanha Outubro Rosa Pet, em Salvador, o que havia para cadelas e gatas com câncer de mama era só desesperança. Hoje, 12 anos depois da criação da ação pioneira, que em 2026 acontece no próximo dia 17, no Hospital de Medicina Veterinária (Hospmev) da Universidade Federal da Bahia (Ufba), em Ondina, o cenário é de prevenção e tratamento.
A iniciativa consiste na oferta de atendimento de prevenção e diagnóstico da doença em cadelas e gatas, em regime de plantão neste dia. Os agendamentos devem ser feitos pelo (71)98166-7895.
Os atendimentos são realizados pela equipe do Núcleo de Pesquisa em Oncologia Mamária, o Projeto MAMA. "O Projeto MAMA trouxe uma mudança de paradigma para Salvador. O tumor mamário em animais de estimação passou a ser tratado como uma doença de abordagem completa: prevenção, diagnóstico precoce, cirurgia planejada, diagnóstico histopatológico e, quando indicado, quimioterapia", explica a professora Alessandra Estrela, criadora do projeto e diretora do Hospmev.
Foi lá que Mônica da Silva Souza encontrou tratamento adequado para a yorkshire Bela, 13 anos e 11 meses. Ela já costumava fazer o chamado Toque Amigo, que é a palpação das mães do animal, e foi nele que acordos nódulos nas mamas de Bela.
“Costumo olhar minha cadela e palpar todo o corpo para verificar se tem algo estranho e percebi que tinha algumas “corações” pequenas”, conta Mônica. Foi feita uma ultrassonografia que acordos nódulos na área mamária. Foi feita uma biópsia e depois da cirurgia, e hoje ela está em acompanhamento no Projeto Mama.
Este é o exemplo de que a prevenção começa em casa, como diz a professora Alessandra. "Papar periodicamente e de forma delicada as mamas da cadela ou da gata deve fazer parte da rotina de quem tem pet. Esse gesto simples pode identificar lesões precocemente e aumentar muito as chances de sucesso no tratamento", explica a professora.
Bombom, um shitzu de 12 anos, também encontrou no Hospmev um prognóstico positivo após identificar a doença. Ela passou pela mastectomia e está bem. "O Projeto Mama oferece atendimento de qualidade, a custos acessíveis. Toda e quipe foi muito cuidadosa", afirma Sabrina Guanais, 47 anos, tutora de Bombom.
Alessandra Estrela afirma ainda que qualquer nódulo, independentemente do tamanho, deve levar o responsável a procurar um médico veterinário. Também receba atenção, segundo ela, sinais como crescimento rápido da lesão, ocorrido, dor, feridas que não cicatrizam, solicitação pelo teto e aumento de linfonodo.
Fazendo escola
Além da Ufba, pioneira na iniciativa, pelo menos duas universidades privadas da capital - UniFTC e Unifacs - também realizaram ações semelhantes neste mês. Na Unifacs, o atendimento acontecerá na Clivet, nos próximos dias 15 e 16, das 8h às 20h, no campus Unifacs Tancredo Neves. Haverá também atendimento no campus Santa Mônica, em Feira de Santana, entre os dias 19 e 30, das 13h às 17h. Para participar, basta entrar em contato com o telefone/WhatsApp (71) 3203-2649 para Salvador; e (75) 99954-7446 para Feira de Santana
Já na UNIFTC, os atendimentos serão na Clínica-Escola de Medicina Veterinária UniFTC - Rua Desembargador Polybio Mendes da Silva, 41 - Jaguaribe. Os responsáveis podem levar os animais no dia da ação ou agenda pelo WhatsApp (71) 98810-8416.
Foi na clínica da UNIFTC que a siamesa Lila, 11 anos, gatinha da psicóloga Bianca Dantas, foi levada após identificar nódulos no abdõmen. “Começaram a aparecer nódulos em diversos locais, um acabou ulcerando, ela ficou apática”, conta. Foi feita punção e biópsia, veio o diagnóstico mas antes dela foi encaminhada para mastectomia completa. Agora, está sendo acompanhado.
Segundo o médico veterinário João Bahia, 36 anos, que atendeu a felina, felizmente não houve metástase (disseminação da doença em outros órgãos). “Após exames, entramos com quimioterapia, que ela respondeu bem, apresentou alguns efeitos colaterais e concluiu o protocolo corretamente”, descreveu.
Atualmente, procedimentos que não existiam em Salvador, no início dos anos 2000, transformaram um cenário desolador em esperança.
DR. PET
A castração pode reduzir o risco de tumor mamário
A castração e outros cuidados podem prevenir ou reduzir o risco de câncer de mama em gatas e cadelas?
Sim. A castração pode reduzir significativamente o risco de desenvolvimento de tumores mamários, principalmente quando realizada nas fases mais precoces da vida. Porém, é importante que a indicação e o momento da castração sejam avaliados individualmente pelo médico veterinário, considerando idade, espécie, raça, histórico e condições de saúde do animal.
Quais outras medidas recomendadas para evitar a doença?
Não fazer uso de “vacinas anti-cio” e consultas veterinárias periódicas são fundamentais. O responsável também pode observar regularmente as cadeias mamárias. A identificação de um pequeno nódulo e a busca rápida por atendimento podem fazer diferença no tratamento.