PAPO PET
Usar comedouro suspenso exige prescrição veterinária
Especialistas explicam que vasilhames elevados só devem ser adotados por recomendação médica


Esqueça tudo o que você viu pelas redes sociais sobre 0 uso de comedouros elevados pelos pets. Não, eles não são indicados para todos os bichos, Especialistas ouvidos pela PAPO PET são unânimes em afirmar que usá-los em cães jovens e saudáveis, por exemplo, sem indicação veterinária, não é condição para evitar lesões.
Na verdade, eles são recomendados em situações específicas e devem ser personalizados. “Não podemos afirmar que todo cão ou gato necessita de um comedouro elevado. Para animais saudáveis, alimentar-se com o recipiente próximo ao chão pode ser perfeitamente adequado”, explica a médica veterinária Lorena Sampaio, coordenadora de Medicina Veterinária da Unifacs, campus Santa Mônica, em Feira de Santana.

Segundo ela, a elevação pode ser uma adaptação interessante para alguns pacientes, especialmente idosos ou animais com dificuldades para abaixar a cabeça, dor cervical ou alterações articulares.
Patas curtas
O dachshund Kibe, 1 ano, utiliza o comedouro suspenso por recomendação médica. “Utilizamos preferencialmente comedouros suspensos, posicionados a aproximadamente 5 cm do chão” explica a engenheira Roberta Spinelli que, junto com a irmã, a arquiteta Liliana, adotou a medida por orientação da clínica onde o cão realiza fisioterapia preventiva, a Reabavet.
“Optamos por esse tipo por ele ser um cão de patas curtas e pertencente a uma raça com maior predisposição a problemas de coluna”, explica. Ela afirma que o objetivo é evitar que ele precise abaixar excessivamente o pescoço durante as refeições, buscando proporcionar uma postura mais confortável. “Passamos a utilizá-lo por recomendação da clínica onde ele realiza fisioterapia”, conta.

Idosos
“As próprias diretrizes de cuidados geriátricos consideram a elevação dos recipientes de alimento e água entre as possíveis adaptações ambientais para melhorar conforto e mobilidade”, afirma o médico veterinário Lucas Nogueira Paz, doutor em Ciência Animal dos Trópicos, docente da Unifacs.
Os veterinários explicam que a postura durante a alimentação faz parte da mecânica corporal do animal. Para alcançar o alimento, há participação da coluna cervical, musculatura do pescoço, membros anteriores e articulações. “Eu não considero correto dizer que todo cão ou gato precisa de um comedouro elevado para ter uma postura adequada”, diz, taxativo, o médico veterinário comportamentalista Rafael Ramos.
Ele afirma que “canídeos podem consumir alimentos no nível do solo e felinos também assumem naturalmente posições baixas durante a alimentação.”
Então, conforme explica, não existe uma necessidade fisiológica de manter o alimento elevado simplesmente porque o animal é doméstico. “A elevação pode ser uma adaptação interessante para alguns pacientes, especialmente idosos ou animais com dificuldades para abaixar a cabeça, dor cervical ou alterações articulares”, explica Lorena Sampaio.
O gerente de projetos de TI César Neto, 31 anos, prefere usar os comedouros tradicionais para os seus dois cães, o labrador Danete e o basenji Tesla. “O Tesla come em cima do sofá — eu coloco o comedouro no braço do sofá, então o pote fica na altura do braço, bem acima do chão. “O Dante come no chão, com o comedouro direto no piso. Os dois usam comedouro interativo, aquele modelo com "obstáculos" internos que obriga o cão a comer mais devagar”, conta.
Ele acredita que os fatores que mais pesam na escolha são a raça e a idade. “Algumas raças têm maior predisposição a problemas de articulação, e um cão mais velho tende a ter mais dificuldade para se abaixar até o chão. Nessas situações, a altura do comedouro pode fazer diferença no conforto”, afirma.
A visão casa com o que diz o veterinário Rafael Ramos. “Um dos erros é acreditar que existe uma regra única para todos os animais. Às vezes o tutor compra um comedouro elevado porque ouviu que é melhor para a coluna”, disse. Por isso, primeiro identifica-se a doença ou limitação e depois adapta-se o ambiente à necessidade do paciente.
DR. PET
Veja quais os tipos de vasilhames mais indicados
Além da altura, o formato e o material do comedouro fazem diferença? Entre louça ou cerâmica, plástico e metal inoxidável, quais características devem ser consideradas na escolha?
Higiene, segurança, estabilidade e facilidade de limpeza são mais importantes do que simplesmente escolher pelo aspecto estético. O aço inoxidável de boa qualidade é uma excelente opção porque é resistente, não poroso e fácil de higienizar. Cerâmica pode ser uma boa escolha, desde que esteja íntegra. Quando começa a apresentar trincas ou lascas, deve ser substituída. Recipientes plásticos porque eles riscam com facilidade e esses pequenos danos podem dificultar uma higienização.
E no caso dos felinos, o que é recomendável?
Nos gatos, também podemos observar a preferência individual pelo formato do recipiente. Pratos mais largos e rasos são frequentemente recomendados. Recursos como alimentação, água, descanso e caixa sanitária devem ser distribuídos considerando segurança, tranquilidade e preferências do animal.