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POLÍTICA & MEMÓRIA

Polarização histórica entre petistas e tucanos durou 20 anos

Coluna Política e Memória traz disputa de duas décadas

Cássio Moreira
Por
| Atualizada em
Lula e Fernando Henrique Cardoso na década de 1970
Lula e Fernando Henrique Cardoso na década de 1970 - Foto: Divulgação | Acervo Lula

Entre 1994 e 2014, o Brasil assistiu a uma das maiores rivalidades políticas da história do país. Petistas e tucanos polarizaram por duas décadas o debate público e eleitoral, alternando nas duas primeiras colocações nas urnas em eleições presidenciais.

A coluna Política e Memória desta semana relembra os embates protagonizados por PT e PSDB nas eleições presidenciais pós-redemocratização.

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Aliança improvável

Antes de PT e PSDB se tornarem adversários ferrenhos, as duas siglas estiveram juntas no segundo turno da eleição presidencial de 1989. Na ocasião, os tucanos tiveram o então senador Mário Covas como candidato derrotado no primeiro turno, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi ao segundo turno contra Fernando Collor de Mello (PRN).

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Na disputa entre Lula e Collor, Covas, assim como um grupo majoritário dentro do PSDB, abraçou o petista, que acabou derrotado.

Plano Real embola o jogo

Com a queda de Fernando Collor, em 1992, assumiu Itamar Franco (PMDB), que tinha como principal missão estabilizar a conturbada economia do Brasil. A solução, na contramão das medidas extremas tomadas pelos governos anteriores, foi a criação de uma nova moeda: o Real.

Imagem ilustrativa da imagem Polarização histórica entre petistas e tucanos durou 20 anos
Foto: Acervo | Cedoc

O Plano Real, liderado pelo ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, foi lançado no primeiro semestre de 1994, ano de eleição presidencial. FHC, como é conhecido, foi logo alçado ao posto de candidato ao Planalto por integrantes do governo Itamar Franco.

Em março de 1994, Fernando Henrique confirmou sua candidatura a presidente da República. O Jornal A Tarde registrou a decisão de FHC na edição do dia 30 de março. Meses depois, o candidato anunciou Marco Maciel, ex-governador de Pernambuco, como vice na sua chapa.

A escolha por Maciel se deu na construção da aliança histórica entre PSDB e PFL. Antes disso, o governador de Minas Gerais, Hélio Garcia (PTB), chegou a ser cogitado para o posto.

Tenho a bandeira da vitória nas mãos e vou empunhá-la com os ventos da esperança

Fernando Henrique Cardoso

Lula, novamente candidato a presidente, elegeu FHC como seu algoz no pleito. O tucano, no entanto, embalado pelo sucesso inicial do plano, que estabilizou os números da economia, venceu ainda no primeiro turno, com 54,28%.

Jornal A TARDE de março de 1994
Jornal A TARDE de março de 1994 - Foto: Acervo | Cedoc

Repetição

Em 1998, já com a PEC da Reeleição aprovada pelo Congresso, FHC foi novamente candidato ao Planalto. Ainda sob o efeitos dos primeiros anos de Plano Real, que impulsionou a economia do país, o tucano foi reeleito novamente com folga no primeiro turno, com 53,06%.

Imagem ilustrativa da imagem Polarização histórica entre petistas e tucanos durou 20 anos
Foto: Acervo | Cedoc

Era petista

Apesar das duas vitórias de Fernando Henrique Cardoso, em 1994 e 1998, o PT se tornou hegemônico nos anos seguintes. Em 2002, o PSDB escolheu o então ministro da Saúde, José Serra, como candidato à sucessão.

Serra estava embalado pela criação dos genéricos, mas enfrentou dificuldades durante a campanha. Derrotado nas três eleições anteriores, Lula chegou ao pleito como grande favorito.

Ao longo da campanha, Serra cresceu nos embates com Anthony Garotinho (PSB) e Ciro Gomes (PPS), conseguindo chegar ao segundo turno contra Lula. Enquanto o petista adotou como carro-chefe "a esperança vai vencer o medo", em uma tentativa de rebater os questionamentos sobre a linha econômica de um eventual governo, Serra pregou um trabalho de continuidade, mas crítico a FHC.

Enquanto um grupo de artistas abraçou a campanha de Lula, outra parte aderiu a Serra, que acabou sendo derrotado pelo petista.

Capa do jornal registra vitória de Lula
Capa do jornal registra vitória de Lula - Foto: Acervo | Cedoc

Em 2006, Lula foi candidato à reeleição, em meio aos ataques do PSDB ao escândalo do mensalão. Desta vez, o adversário do presidente petista foi Geraldo Alckmin, hoje seu vice, na época ex-governador de São Paulo.

Durante a campanha, Alckmin fez duras críticas a Lula e ao governo. Já o presidente apontou a existência de um dossiê do candidato do PSDB e sua gestão à frente de São Paulo.

O embate terminou favorável a Lula, reeleito com 60,83%, ou 58.295.042 de votos, a maior votação de um presidente no Brasil até então.

Sucessão e polarização

PT e PSDB voltaram a protagonizar as duas eleições presidenciais seguintes. Em 2010, quando a sucessão de Lula estava em jogo, os petistas escolheram pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, enquanto os tucanos optaram por José Serra.

Dilma e Serra repetiram a dose das últimas eleições, chegando ao segundo turno. A candidata do PT terminou sendo eleita, se tornando a primeira mulher presidente da história do Brasil.

O pleito seguinte, no entanto, foi marcado como o mais polarizado desde a redemocratização. Em 2024, Dilma e Aécio Neves, escolhido pelo PSDB, protagonizaram uma eleição tensa, marcada por ataques pessoais e políticos.

Na reta final da eleição, Dilma subiu o tom nas críticas ao adversário, que respondeu à altura.

"Ao contrário deles, nós empregamos. Eles desempregam. Nós não aceitamos que o salário mínimo seja razão de inflação. Nunca aceitamos isso, daí o salário cresceu 71% acima da inflação. Hoje é bem diferente o salário mínimo do que era na época deles", disparou a então presidente durante um ato de campanha.

Dilma conseguiu a reeleição contra Aécio, mas o resultado passou longe de ser folgado. A presidente obteve 51.64%, enquanto o tucano teve 48.36%, uma das menores diferenças da história das eleições brasileiras.

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Aécio Neves dilma rousseff Lula PT

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