TEMPO PRESENTE
Wagner vê 2018 longe, mas dá seus palpites
Há três consensos na política baiana hoje.
1 — 2018 está muito distante, há muita água a rolar (na ponte e na ribanceira).
2 — Rui Costa é candidato a reeleição tendo como potencial adversário ACM Neto, também líder da oposição.
3 — A questão nacional influencia e se hoje o cenário é difuso, mirando 2018 torna-se mais que isso, fica confuso.
É a partir da compreensão desses fatos, que Jaques Wagner, ex-governador, ex-ministro de Lula e Dilma, hoje secretário de Rui, fala sobre o momento.
Diz que Rui vai bem, é governador num momento bastante adverso do dele, quando todos os ventos (do Planalto para cá) sopravam a favor, e a economia ia bem, contra um cenário de crise como o atual.
Mas ressalta que Rui mantém a base unida e se Lula não for impossibilitado pela Lava Jato de disputar a presidência, se consolida mais favoravelmente.
— Aí eu acho que até os nossos adversários vão pensar duas vezes.
Lula em campo — Recluso em São Bernardo do Campo desde a morte da mulher, Mariza Letícia, Lula vai abrir uma agenda de viagens. Wagner diz que nada com 2018, o foco é a rearrumação do PT.
— Mas se ele não for interditado, virá.
Guerra fiscal
O deputado federal Paulo Azi (DEM) dispara: o governo mostrou insensibilidade ao reajustar as taxas da Adab num momento de seca: a taxa de Guia de Trânsito Animal vai pular de R$ 2,20 para R$ 4.
— Reajuste penaliza mais o produtor.
Já os aliados de Rui Costa disparam noutro flanco. Dizem que enquanto o governo baixou o IPVA, a prefeitura de Salvador subiu o IPTU.
No frigir dos ovos, os dois estão certos.
Íntegra, eleita pelo voto popular, Dilma foi afastada definitivamente no Senado. O golpe estava consumado! Não há como ficar calado
É um adversário recebendo um prêmio de um governo que ele considera ilegítimo
Uber hoteleiro
Glicério Lemos, presidente da secção baiana da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH) esteve com ACM Neto, em audiência, e tratou de longa pauta.
Um dos ítens é particularmente instigante: está a pleno vapor em Salvador o Airbnb, um site de intermediar aluguéis de apartamentos em ocasiões como a do carnaval. Avisou que em outras cidades como Berlim, na Alemanha, e o governo lá enquadrou o negócio, passou a cobrar imposto.
— Pagamos uma carga de 40% de tributos. Não tememos concorrência. Mas ela tem que ser leal, conforme as regras do jogo.
Em suma, o Airbnb é o Uber dos hotéis.
Barracas de praia —Diz Glicério:
— Que venham, mas com bons serviços.
Epigrama do Moreira
O poeta Antonio Lins volta com os seus geniais epigramas, desta vez reagindo contra a liberação de Moreira Franco para permanecer ministro e com foro privilegiado:
Eu quero ser renitente,
O Temer que me perdoe:
O ministério foi de repente
Mas o Moreira não foi
POLÍTICA COM VATAPÁ
O caso do caso
"O caso eu conto como o caso foi", a bela obra do pernambucano Paulo Cavalcanti, velho militante comunista, narrando o périplo dele pelos porões da ditadura, só foi contestado depois que o autor morreu. E deu rebu. Gilberto Marques, falando sobre o amigo que se foi ao Jornal do Commércio, de Recife, criticou:
— O livro é bom, mas tem um porém. Foi feito em cima da oralidade e, portanto, é contaminado.
A viúva de João, Ofélia Cavalcanti, mandou carta protestando:
'Lamento ver o sr. Gilberto Marques fazer considerações desfavoráveis aos fatos narrados por Paulo. No dia 14 de junho de 1995, apenas 14 dias após a morte de meu marido, recebi, das mãos dele, um poema de sua autoria, sob forma de cordel, em que dizia:
O caso fica contado/Do jeito que ele contou/Não pode ser emendado/Não carece de rasura/Pois trouxe delineados/Os rasgos da ditadura".
Dias depois aparece outro cordel nas ruas de Recife intitulado "O caso do caso bem contado que alguém se deu mal por ter dito que foi mau". Um trecho:
"E quando a ofensa viu/A viúva Ofélia reagiu/Quando João morreu/O que de você saiu/Era puro elogio/Pois agora fique calado/Que o caso fica contado/Como João contou".