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Enem 2026: prova de Linguagens aborda inclusão, diversidade e inteligência artificial

Análise é de Maria Raquel Dias Sales Ferreira, professora de Português do Bernoulli Educação

Redação
Por Redação
Exame manteve o perfil interpretativo,
Exame manteve o perfil interpretativo, - Foto: Divulgação

A prova de Linguagens do Enem 2026 apresentou uma abordagem contemporânea, com destaque para temas relacionados à inclusão, diversidade e tecnologia. Segundo a professora Maria Raquel Dias Sales Ferreira, do Bernoulli Educação, o exame manteve o perfil interpretativo, com textos bem selecionados e alternativas cuidadosamente elaboradas. O maior desafio esteve nas questões de Literatura, que exigiram conhecimentos mais aprofundados e repertório dos candidatos. A educadora também destacou a relevância do tema da redação, que abordou a valorização do Sistema Único de Saúde (SUS) como direito universal.

“O tema da redação foi excelente e bastante alinhado ao perfil do Enem. Os textos motivadores trouxeram fundamentos constitucionais, com os artigos 196 e 198, reforçando a saúde como um direito de cidadania, e não como privilégio. Também apresentaram dados sobre a utilização do SUS, suas contribuições para a vacinação, os transplantes e a vigilância sanitária e epidemiológica, além da redução da mortalidade infantil desde 1990.

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Trata-se de um direito social de grande relevância, cuja importância ficou ainda mais evidente após a pandemia. O candidato poderia abordar os desafios para a valorização do SUS ou estabelecer um contraste entre sua importância e os obstáculos enfrentados pelo sistema. Considero essa segunda abordagem especialmente rica, pois permite relacionar saúde, cidadania e direitos constitucionais, aspectos bastante presentes nos textos motivadores.

Em relação à prova de Linguagens, a avaliação foi coerente, com boas escolhas textuais e alternativas bem construídas, deixando pouca margem para interpretações ambíguas. As temáticas foram atuais e voltadas à inclusão, com questões sobre racismo, machismo, capacitismo e arte indígena. Também ganharam espaço assuntos ligados às redes sociais e à inteligência artificial, incluindo uma charge sobre IA e uma questão relacionada a ferramentas de identificação de textos produzidos por essa tecnologia.

A prova apresentou ainda campanhas publicitárias sobre segurança no trânsito e expressões capacitistas, um infográfico sobre a Lei Rouanet e referências artísticas e culturais, como obras de Candido Portinari, uma produção fotográfica que utiliza cartelas de medicamentos como suporte, uma canção de Dona Onete e a obra Calabar, de Chico Buarque.

Como é característico do Enem, também foram cobrados conhecimentos sobre funções da linguagem, gêneros textuais, estruturas argumentativas e estratégias de fundamentação, além de interpretação textual e aspectos gramaticais, como o uso do pretérito imperfeito.

O maior desafio da prova, no entanto, esteve nas questões de Literatura, que apresentaram um nível de sofisticação superior ao observado em edições anteriores. Um dos destaques foi o bloco de questões baseado em um trecho de Menino de Engenho, de José Lins do Rego, obra vinculada ao romance de 1930.

As questões exploraram aspectos estruturais, temáticos e estéticos da narrativa, além de variação linguística, escolhas gramaticais e seus efeitos de sentido, estabelecendo relações com a historiografia literária. Foi uma abordagem ampla e aprofundada, que valorizou os candidatos com leitura atenta, domínio dos conteúdos literários e repertório consolidado.”

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