Ministério discutirá vacinação de adolescentes, mas prioridade é imunizar acima de 18 anos

Publicado sexta-feira, 11 de junho de 2021 às 18:35 h | Atualizado em 11/06/2021, 18:42 | Autor: Rodrigo Aguiar

Após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizar a aplicação da vacina da Pfizer em adolescentes entre 12 e 15 anos, o Ministério da Saúde informou que discutirá o assunto, mas destacou que a prioridade é vacinar todos os grupos de risco e a população acima de 18 anos.

"O Ministério da Saúde informa que a ampliação da vacinação para adolescentes a partir dos 12 anos, com o imunizante da Pfizer, será debatida na Câmara Técnica Assessora em Imunização e Doenças Transmissíveis. A pasta reforça que, neste momento, a prioridade é vacinar todos os grupos prioritários estipulados pelo Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19 e imunizar a toda a população acima de 18 anos", afirmou o ministério, por meio de nota.

A assessoria da Secretaria Municipal de Saúde de Salvador (SMS) informou que ainda não há uma discussão local sobre ampliar o público-alvo da vacinação, já que o ministério ainda não incorporou essa faixa etária ao Plano Nacional de Imunização (PNI). A Secretaria de Saúde do Estado (Sesab) se posicionou na mesma linha, ao dizer que o assunto ainda não é debatido.

No Brasil, o imunizante já tinha autorização para uso em maiores de 16 anos. Com a nova decisão da Anvisa, a bula incluirá adolescentes a partir dos 12 anos.

Para o infectologista Carlos Brites, professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba), a autorização da Anvisa era esperada, em função de decisões semelhantes de outros países. "A vacina se mostrou efetiva e segura nessa população, então é natural que tenha aprovado aqui também, já que o Brasil tem acompanhado essas evoluções. É uma população também vulnerável e que necessita de atenção", apontou.

No começo de maio, a agência regulatória americana FDA autorizou o uso do imunizante da Pfizer em maiores de 12 anos. A vacina já vinha sendo aplicada em toda a população maior de 16 anos nos Estados Unidos. No final de maio, Reino Unido e União Europeia também liberaram a aplicação em menores de 16.

O primeiro país latino-americano a imunizar adolescentes com a vacina da Pfizer foi o Uruguai - na última quarta-feira (9), adolescentes de 12 a 17 anos foram incluídos na campanha de vacinação. O Chile já autorizou a vacinação de adolescentes entre 12 e 16 anos com a Pfizer, mas a campanha só será iniciada no dia 20 de junho.

Ainda segundo Brites, a tendência é de que outros imunizantes também consigam autorização para uso nos mais jovens, já que a princípio não há nenhum diferencial que sugira maior toxicidade no grupo, por exemplo. O especialista ressaltou, entretanto, que o processo leva tempo. "A maioria das vacinas deve ter liberada essa aplicação, mas para isso é preciso ter dados, que vão surgindo aos poucos", afirmou.

A Pfizer foi a primeira fabricante a anunciar o resultados dos testes em adolescentes de 12 a 15 anos. Conforme os dados do estudo combinado de fases 2 e 3 em adolescentes, iniciado em 12 de outubro, foram identificados 16 casos de Covid-19 entre os 2.260 voluntários, todos no grupo placebo.

Além de se mostrar segura, a vacina possui imunogenicidade, ou seja, a capacidade de induzir resposta imune no organismo, quase duas vezes maior na faixa etária de 12 a 15 anos em relação àqueles com 16 a 25 anos.

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