Busca interna do iBahia
HOME > CULTURA

NOVA PEÇA

A noite em que Wagner Moura me fez duvidar de tudo que julgava certo

Astro de 'O Agente Secreto' debate críticas e verdades no palco do Trapiche Barnabé

Priscila Melo | Especial para A TARDE
Por Priscila Melo | Especial para A TARDE
Salvador recebe Wagner Moura em peça que questiona a verdade e a opinião pública
Salvador recebe Wagner Moura em peça que questiona a verdade e a opinião pública -

Há uma saudade da volta pra casa, visível assim que o primeiro holofote iluminou o rosto emocionado de Wagner Moura, como Thomas Stockmann, no palco do Trapiche Barnabé, durante o espetáculo 'UM JULGAMENTO – depois do Inimigo do Povo', em Salvador.

Uma outra saudade é a de uma boa discussão, daquelas que fazem a gente firmar num pensamento, ou, quem sabe, até mudar de ideia. Numa conversa com outros jornalistas antes do início da peça, falávamos sobre a falta do contraditório, da performance moderna de — mais que estar— parecer o certo em toda história, nos empobrece enquanto povo.

Tudo sobre Cultura em primeira mão! Compartilhar no Whatsapp Entre no canal do WhatsApp.

O mistério sobre a Verdade permeia o espetáculo, mas a Dúvida brilha em cena. A tensão do conflito de Thomas e seu irmão, Peter, provoca os personagens e a plateia a refletir, como um lembrete de que o questionamento precede a afirmação.

No texto, Christiane Jatahy, Wagner Moura e Lucas Paraizo convidam ao palco, uma sociedade que provavelmente já foi apresentada ao conceito do “tribunal da internet”, que julga e condena na velocidade da fibra óptica.

Leia Também:

EMOÇÃO

Famosos prestigiam Wagner Moura em pré-estreia da peça ‘Um Julgamento’
Famosos prestigiam Wagner Moura em pré-estreia da peça ‘Um Julgamento’ imagem

CULTURA

Festival “Viva a Língua” começa hoje com arte, música e gastronomia
Festival “Viva a Língua” começa hoje com arte, música e gastronomia imagem

BRASIL JAMAICA

Baiana, filha de Jimmy Cliff e estrela em Hollywood: a vida de Nabiyah Be
Baiana, filha de Jimmy Cliff e estrela em Hollywood: a vida de Nabiyah Be imagem

“É uma peça que fala de um bocado de coisa do mundo contemporâneo. De coisas que eu tinha vontade de falar, de fake news, cancelamento, democracia, tecnologia. Sobre a verdade, sobretudo”, contou ao Portal A TARDE um Wagner Moura reluzente após o fim da peça.

O Julgamento traz o cinema como ferramenta para contar os tantos lados dessa história, que fica mais complexa com a liberdade da imaginação e do improviso do teatro, e faz o público se perguntar durante todo o espetáculo sobre o que é cena ou real. – Quem está ali é Wagner ou Thomas? –, me perguntei tantas vezes. No sonoro “falso uma porra”, definitivamente ‘Wagneresco’, com seu sotaque inabalável, caiu muito bem a Thomas.

“Eu digo na peça: ‘eu queria estar aqui’. Era eu dizendo”, contou Wagner.

Imagem ilustrativa da imagem A noite em que Wagner Moura me fez duvidar de tudo que julgava certo
| Foto: Divulgação | Caio Lírio

Thomas carrega consigo a melancolia de quem se depara com o aspecto mais complexo de uma democracia: a decisão da maioria. Ou melhor, como a maioria toma suas decisões, já que a Verdade pode vestir tantas roupas diferentes.

Na conversa com os colegas do lado de fora, também falamos sobre a esperança ainda resistir. Me nego a cair no conto de que “o mundo está perdido”, e não estou só. Thomas, como se estivesse de butuca durante nosso desabafo, fala sobre sua crença de que, assim como o ser humano pode ser terrível, também pode ser extraordinário.

UM JULGAMENTO – depois do Inimigo do Povo não é uma peça que entrega respostas prontas, mas se você estiver atento, leva umas boas interrogações na volta para casa.

Ver essa foto no Instagram

Uma publicação compartilhada por A TARDE (@atardeoficial)

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Compartilhar no Whatsapp Clique aqui

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no X Compartilhar no Email

Tags

wagner moura

Relacionadas

Mais lidas