LITERATURA
Autor baiano lança livro que expõe caos da vida em condomínio
Livro reúne contos que misturam humor e tensão em histórias urbanas conectadas pelo destino

Por Beatriz Santos

O psicólogo baiano Alexandre Lino faz sua estreia na literatura com Reunião de Condomínio, uma coletânea de contos que mergulha nas dinâmicas sutis e desarmoniosas da vida urbana.
Em histórias marcadas por personagens comuns, mas longe de serem simples, o autor constrói um universo em que o cotidiano vira palco de conflitos, absurdos e decisões que parecem pequenas, mas têm peso suficiente para alterar tudo ao redor.
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Na obra, ambientada em uma cidade tão genérica que nem recebe nome, cada conto ganha um narrador diferente, ampliando as perspectivas e mostrando como as relações humanas são feitas de nuances, contradições e dilemas.
Com textos que transitam entre o cômico e o trágico, o livro conecta suas tramas por fios discretos do destino, revelando como pessoas aparentemente distantes podem estar mais ligadas do que imaginam.
O tom de Reunião de Condomínio aparece logo em situações que parecem familiares para quem vive em prédio. No conto 'Condomínio', por exemplo, o morador do segundo andar, sempre que discute com alguém no grupo do prédio, deixa um “presente” na porta da pessoa.
Há também a idosa que chega à assembleia para reclamar de um vizinho por causa de um desenho na porta, além do homem que faz festas até tarde, sem que qualquer reclamação resolva. A lógica é simples: ninguém é santo em uma reunião de condomínio.
Ao longo das páginas, Alexandre Lino apresenta personagens como Thiago, dono de uma empresa que jura que não vai ser como os outros empresários, e Ferraz, um trabalhador decidido a pedir demissão.
Há ainda Abílio, um idoso multimilionário fascinado pela vida simples de Luiz Américo, que, na verdade, é um agiota fingindo viver em paz para não ser descoberto. Já Angelique acredita que foco é suficiente para alcançar o sucesso, mas carrega uma dívida enorme com Luiz Américo.
Ao recorrer a diferentes ângulos das vivências retratadas, o escritor une sua formação em Psicologia ao fazer literário para construir narrativas que recusam um olhar simplista. A proposta é mostrar o mundo como ele é, sem separar personagens em mocinhos e vilões, mas sim em pessoas atravessadas por contradições, muitas vezes pequenas e quase imperceptíveis.
"Reunião de Condomínio é minha primeira oportunidade de mostrar um pouco de como a desordem de meus pensamentos se formam, e como eu interpreto a vida: não existem vilões, não existem heróis, e no fim das contas é difícil simplesmente ser quem a gente é. A vida é cheia de contradições e pequenas hipocrisias. As personagens em sua maioria são pessoas comuns, que vivemos e vemos por aí todos os dias" , explica o autor.
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