LITERATURA
Bienal do Livro Bahia cresce e bate recorde de público em 2026
Evento cresce em público, vendas e programação, enquanto reforça identidade local e impacto no mercado editorial

Com mais de 130 mil visitantes ao longo de sete dias de programação, a Bienal do Livro Bahia encerrou, em 2026, sua edição mais robusta até agora, consolidando-se como o maior evento literário do Nordeste e o terceiro maior do Brasil.
O número supera o registrado em 2024, quando pouco mais de 100 mil pessoas passaram pelo evento, que também ampliou sua área de exposição em mais de 25%.
O crescimento se refletiu diretamente no desempenho comercial. Editoras relataram aumento nas vendas e no faturamento, impulsionados pelo maior fluxo de público e pela diversidade da programação.
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A Companhia das Letras registrou alta de 30% em relação à edição anterior. “Esse movimento reforça a conexão do público, principalmente os jovens, com o nosso catálogo e autores”, afirma Mariana Figueiredo, diretora executiva de comunicação e marketing da Companhia das Letras.
Já a HarperCollins Brasil apontou crescimento de 70% no faturamento. “A principal palavra que o evento deixa é: representatividade”, atesta Daniela Kfuri, diretora de Marketing e Vendas da HarperCollins Brasil. Daniela destacou, ainda, a “animação” da HarperCollins diante da presença das escolas.
A estreia da Editora Planeta também apresentou resultados positivos. “Atendemos as nossas expectativas numéricas e institucionais. É muito importante a gente fazer esse evento junto do público com os nossos autores, muitos deles aqui da Bahia, dentro de um ambiente com toda a estrutura que a Bienal oferece”, reconhece Gerson Ramos, diretor comercial da Editora Planeta.
Contente com os resultados, Gerson emenda: “A gente sai dessa primeira experiência na Bienal Bahia com vontade de voltar”.
O impacto também foi percebido por editoras e livrarias locais. Na LDM, cerca de 10 mil livros foram vendidos. “A nossa experiência esse ano, eu diria que de uma maneira geral foi muito boa. O fato de ter um dia a mais eu acho que também contribuiu, porque dá uma distensão mais no público, ele não se concentra tanto”, elogiou Primo Maldonado, diretor da LDM.
Segundo Primo, a LDM vem se estabelecendo como um ponto de referência dentro da Bienal. “As pessoas têm que dar uma passada na LDM. A gente tem percebido isso.”
A P55 Edição também superou as expectativas, com faturamento cerca de 40% acima da meta. “Mais do que os números, no entanto, o que levamos de mais valioso foi a visibilidade da marca e as conexões que criamos — a Bienal se mostrou um ambiente genuinamente propício para encontrar novos parceiros e semear projetos futuros. Com certeza estaremos de volta em 2028”, garantiu Marcelo Portugal, sócio-diretor da P55 Edição. “O público baiano compareceu em peso e a interação foi intensa e calorosa ao longo de todos os dias”, completou.
Outro destaque foi o desempenho de iniciativas independentes. “Foi uma experiência muito potente. O estande virou, de fato, um ponto de encontro, não só de leitores, mas também de editores, autores, bibliotecários, professores e pessoas interessadas em pensar o livro para além das letras”, afirmou Kin Guerra, representante do Coletivo Compiladas, que teve resultado 30% acima do esperado.
Além do desempenho comercial, o evento ampliou sua programação, com mais de 100 horas de conteúdo e mais de 170 atrações distribuídas em espaços como Café Literário, Arena Farol e Espaço Infantil. A edição contou ainda com um dia a mais em relação a 2024, o que contribuiu para a diluição do público ao longo da semana.
O ápice da visitação ocorreu no sábado, 18 de abril, quando mais de 30 mil pessoas passaram pelo evento em um único dia, com ingressos esgotados. O número representa o maior público diário já registrado na história da Bienal e também do Centro de Convenções Salvador em um único evento.
O projeto de Visitação Escolar, realizado em parceria com as secretarias de educação estadual e municipal, também foi ampliado, com aumento de 45% no investimento. A iniciativa levou estudantes da rede pública ao evento, reforçando a presença jovem e escolar.
A edição de 2026 também manteve como eixo central a valorização da identidade baiana, tema sintetizado em “Bahia - Identidade que ecoa nos quatro cantos do mundo”. A curadoria foi inteiramente composta por profissionais do estado, distribuídos em diferentes eixos temáticos.
"Desde 2022, quando pudemos retornar com o evento em Salvador, a Bienal Bahia vem numa espiral crescente muito interessante, atraindo novas marcas a cada edição, algo que nos deixa felizes e seguros de que o trabalho está dando certo e que o mercado tem progressivamente percebido a importância do evento para se conectar ainda mais com o seu público do Nordeste”, analisa Tatiana Zaccaro, diretora-geral da GL events Exhibitions.
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