NO RIO VERMELHO
Casa de shows famosa em Salvador, Bombar RV fecha após oito anos
Empresária relata dívidas e desgaste emocional

O que deveria ser o início de um novo ciclo no Rio Vermelho transformou-se em uma despedida dolorosa. Em um desabafo emocionante publicado nesta quinta-feita, 9, a empresária e DJ Gabi da Oxe anunciou o fechamento do BOMBAR RV. Após oito anos de história e uma tentativa recente de mudar para um novo casarão (acima do Parador Z1), a sócia confirmou que a tradicional casa de festas não resistiu aos desafios financeiros e estruturais.
O fechamento ocorre de forma abrupta, logo após o que Gabi descreveu como um "abismo financeiro" que se tornou insustentável, apesar do sucesso aparente de público.
"O Bombar não existe mais"
Visivelmente abalada, Gabi compartilhou a decisão, revelando que o último final de semana, que contou com uma programação especial, acabou sendo o último da casa sem que ela mesma tivesse planejado.
“Eu tenho noites e noites e noites sem dormir, pensando como é que eu viria aqui falar isso tudo. Fazendo conta, tentando achar soluções, tentando achar novos caminhos... e tentando lidar com, talvez, a decisão mais dura que eu já tomei na minha vida. A partir de hoje, o Bombar não existe mais".
No relato, a empresária expôs as dificuldades de manter um negócio de grande porte sem uma rede de apoio empresarial e os obstáculos enfrentados por ser mulher no setor do entretenimento noturno. Segundo ela, o faturamento da casa, embora alto em dias de lotação, não era suficiente para cobrir os custos estruturais e as dívidas acumuladas.
“Por muitas e muitas vezes vocês viram o mar cheio, lotado de gente, lotado de vida, lotado de alegria... Só que isso não se refletia, de fato, no dinheiro deixado. Um dinheiro de um fim de semana não serve só para o fim de semana, ele serve para toda uma cadeia, uma estrutura que envolve custos, que envolve aluguel e tudo mais".
Gabi também detalhou o sacrifício pessoal para tentar salvar o estabelecimento:
“Eu envolvi minha família, eu pedi empréstimos, eu trabalhei incansavelmente como DJ, ia para eventos exausta... porque eu precisava pegar essa grana e colocar dentro do Bombar. E essa grana não vinha nem para a minha vida pessoal, que por tabela virou uma grande bagunça".
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Respeito e saúde mental
O depoimento também tocou em feridas profundas sobre o ambiente de trabalho e o desgaste emocional. Gabi mencionou episódios de assédio moral e a necessidade de adotar posturas rígidas para ser ouvida em um meio majoritariamente masculino.
“Quando você é mulher tentando empreender na noite, isso se torna ainda pior. Foram muitas e muitas vezes tendo que me provar exaustivamente, sofrendo assédio moral, tendo que gritar para ser respeitada. Foram infinitas as vezes tendo que parecer uma pessoa grosseira, uma pessoa insuportável, para que eu pudesse ter pelo menos um pouco de respeito".
A empresária encerrou o comunicado pedindo desculpas àqueles que foram afetados pelo caos financeiro da empresa e garantiu que trabalhará para resolver os problemas deixados.
“Eu peço muitas desculpas a todo mundo que, por conta desse caos do Bombar, também está passando por suas questões. Existem muitos problemas e eu vou correr atrás incansavelmente para resolvê-los. O Bombar acabar hoje, junto com ele acaba muita coisa dentro de mim... mas eu espero que em breve eu possa estar vindo aqui de novo falar coisas boas".
Eventos famosos
Um dos bares mais famosos da noite soteropolitana, recentemente, o bar vinha se tornando point conhecido entre os jornalistas da cidade devido à festa Break, organizada no local por uma assessoria de imprensa. O espaço também costumava receber rodas de samba e eventos alternativos, com a presença de DJs. Confira o pronunciamento de Gabi da Oxe:
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