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Cofundadador da Netflix diz que produzir originais continua sendo a receita de sucesso

Debora Rezende* | São Paulo, Especial para A TARDE
Por Debora Rezende* | São Paulo, Especial para A TARDE
O CEO da Netflix anunciou ainda duas séries nacionais
O CEO da Netflix anunciou ainda duas séries nacionais - Foto: Henrique Manreza | Netflix

Na segunda-feira, chovia muito em São Paulo. Com as nuvens no céu, o tempo era perfeito para quem gosta de deitar debaixo das cobertas e imergir no mundo das séries. Era, para a gente, uma experiência quase parecida, já que no dia seguinte tínhamos um encontro marcado com um dos chefões da Netflix.

Reed Hastings, o CEO e cofundador do gigante do streaming, não vinha ao Brasil – onde começou a expansão internacional da marca – há cinco anos. “Era um país diferente”, disse, abrindo a coletiva de imprensa na manhã da última terça-feira.

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A Sala Sumatra do Hotel Unique estava em vermelho e preto para a ocasião, ladeada pelos pôsteres das séries originais do streaming. O palco, ornamentado com cadeiras que Hasting não ocupou. De pé, ele falou durante cerca de meia hora sobre os avanços da Netflix e sua principal preocupação: a experiência do consumo.

“É uma coisa inacreditável o que a Netflix tem feito”, comenta. Em 1997, ele e Marc Randolph começaram um negócio de entrega de DVD pelo correio. A coisa evoluiu. Hoje, a ideia da empresa gira principalmente em torno de “produzir conteúdo em todo o mundo e espalhá-lo”, afirma Hastings.

A grande aliada da Netflix no ideal de distribuir conteúdo é a internet e suas várias possibilidades. Em 2007, eles colocaram pela primeira vez o serviço por streaming. De lá para cá, a premissa cresceu.

“As pessoas realmente gostam de assistir séries de televisão”, salienta. Gostar, no entanto, não é mais o único elemento do jogo do entretenimento. “Realmente, o que as pessoas querem é demanda. A flexibilidade fundamental é o que traz consumidores pelo mundo”.

A vantagem, Hastings fala com entusiasmo, é que consumir televisão pela internet não nos deixa presos. “Sempre foi a televisão programada”, pontua. Com a Netflix, ele vende o peixe: você escolhe o que assiste, o idioma do programa e coloca a legenda que quiser.

Briga de gente grande

Nessa história de mudar de plataforma, a Netflix agora encara concorrência. Serviços como HBO GO, Globo Play e Amazon Prime Video no Brasil nos dão mais opções de streaming para experimentar. Hastings não liga. “Tem muitas coisas com as quais nós competimos”, pontua.

Para o CEO, o ramo do entretenimento está o tempo todo lutando por atenção – livros, músicas, conversas: qualquer coisa pode distrair o consumidor. “Sempre vai ter muita competição. O nosso trabalho é ser o melhor que podemos. Nós não focamos na competição porque tem simplesmente muito dela”.

A produção de originais, então, parece continuar sendo a receita para o destaque. Quem costuma acessar o serviço diariamente percebe que tora hora tem séries e filmes novos com o selinho da Netflix. “O que nós estamos tentando fazer é produzir conteúdo por todo o mundo”.

Ao lado de séries originais gringas conhecidas – como Orange is The New Black, House of Cards e Jessica Jones –, tem também produção nacional em evidência. 3%, a pioneira, tem uma boa saída nos Estados Unidos e na Europa, segundo Hastings. “Nós vamos produzir mais e mais conteúdo aqui no Brasil”, promete.

E, de fato, vem coisa nova por aí. Durante a coletiva, ele anunciou o nome da próxima série original da Netflix a ser produzida por aqui: Samantha. “Acredito que será uma série que vai espalhar a cultura brasileira pelo mundo”, diz.

A comédia, que terá as filmagens iniciadas ainda esse ano, vai contar a história de uma ex-celebridade mirim que tenta voltar à fama ao mesmo tempo em que lida com o retorno do marido para casa, um ex-jogador de futebol e ex-presidiário.

Lava-Jato

Outra série nossa também está em fermentação, a que leva a Lava-Jato como tema. O projeto ainda está em desenvolvimento com José Padilha (Narcos), mas Hastings avisa: “Tenho certeza que será controversa”. Ao ser questionado, ele diz que a intensão não é ser enviesado. “Acredito que, no entretenimento, você realmente não está escolhendo um lado, está contando uma história”.

O CEO da Netflix, de fala rápida e objetiva, contou ainda acreditar que a internet só tende a avançar mundo afora e que “está ficando melhor”. Para ele, a ideia é que os consumidores façam valer sua voz para melhorar o serviço e pagar um preço justo por isso. “Espero que isso aconteça aqui também. Ninguém gosta de pagar mais taxas”.

Na volta para Salvador, dessa vez sem chuvas, um bebê chorava o tempo todo. O sistema de entretenimento do avião permitia um jazz duvidoso ou alguns poucos episódios repetidos de poucas séries repetidas. Mas tudo bem: maratona boa a gente faz em casa – e por demanda.

*A jornalista viajou para São Paulo a convite da Netflix

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