LITERATURA
Coleção de livros faz viagem pelo universo da arquitetura
Victor nasceu miúdo e foi aprendendo que o lugar onde a gente está sempre cresce, depois acha um limite e aí cresce de novo. Da barriga da mãe para o colo, depois para a casa, a rua, o bairro e a cidade.
Curioso, o menino passa por três fases na vida: a de espiar, a de passear e a de inventar. Essa aventura está contada em livro, aliás, em três livros, que a escritora Iara Sydenstricker lança no dia 2 de abril em Salvador.
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A história tem uma parte real, que a autora pegou emprestada das experiências do filho, Victor de Jesus, quando ele era criança. Victor hoje tem 26 anos. A outra parte ela inventou.
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Iara, que também é arquiteta, lembrou que ela e o filho costumavam andar muito pela cidade do Rio de Janeiro, onde moravam. A pé, os dois viam meninos jogando bola, o pipoqueiro na esquina, famílias que se mudavam.
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“A gente nunca pisa na mesma cidade duas vezes. A luz, as pessoas, as casas, o desenho das ruas, tudo é mutante”, observou a autora.
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Mundo maior
Acostumada a pensar na relação das gentes com o espaço, Iara quis que seu personagem não se contentasse em ver.
O Victor dos livros vira um criador, assim como o Victor real, que brincava com a mãe de fazer maquetes de papelão. “Quanto mais você cresce, mais o mundo cresce com você”, ensinou a escritora.
Um lugar onde todo mundo tem os mesmos direitos
Quem conhece o musical Os Saltimbancos, inspirado no conto Os Músicos de Bremen, dos irmãos Grimm, e que no Brasil virou disco com músicas de Chico Buarque, vai perceber alguma semelhança.
Tanto porque estes livros têm partes que podem ser cantadas, quanto pelo que os personagens das duas histórias querem: uma cidade para todos.
Iara Sydenstricker propôs uma utopia de lugar, que é onde todos estão bem: “E uma utopia de criança, porque elas ousam, não têm medo das ideias”. Na cidade de Victor, “todo mundo é igual, não importa a idade ou a classe social”.
Iara, que já fez roteiros de programas infantis de TV, pensa em um dia animar essa história. “Mas deixa ela começar no papel”.