Busca interna do iBahia
HOME > cultura > LITERATURA

LITERATURA

Escritor baiano lança livro em que relata viagem frenética pela Europa

Lula: “Realidade e fantasia em uma viagem multifásica”

Tiago Freire*
Por Tiago Freire*
Além de escrever o livro, Lula Afonso também produziu desenhos entre os capítulos
Além de escrever o livro, Lula Afonso também produziu desenhos entre os capítulos - Foto: Divulgação | Lula Afonso

Com base em memórias durante uma peregrinação pelo continente europeu no ano 2000, o autor baiano Luiz Afonso Costa, ou Lula Afonso, lança o novo livro Transbordos, via Solisluna Editora. Para o lançamento do livro está marcado um evento hoje, às 17h30, no restaurante Póstudo, no Rio Vermelho.

Apesar de ter feito a viagem 22 anos atrás, Luiz nunca deixou de desenvolver a ideia de Transbordos, lapidando ela, e desenvolvendo melhor o que hoje é o livro. O autor conta como usou de suas memórias, anotações em caderninhos e fotos como base e a partir delas, fez suas pinceladas fictícias que dão o tom da obra.

Tudo sobre Literatura em primeira mão! Compartilhar no Whatsapp Entre no canal do WhatsApp.

“Levei na mochila um caderno de notas no qual fui registrando, ao longo dos 15 dias da viagem, fragmentos de acontecimentos, lugares, pessoas e também as emoções e reminiscências que iam brotando nos trens, estações, mesas de bares, ruas e quartos de hotel. Nesse período de 22 anos lancei outros quatro livros e fui desenvolvendo, alinhavando e dando formato às anotações do caderno”, relata.

“O livro é um painel ficcional baseado nas realidades cotidianas de uma viagem física e mental. Pode ser chamado de romance, há um fio condutor amoroso que se mantém na linha, mesmo em momentos de loucura. Pode ser chamado de relato de viagem, é isso o tempo todo. Em menor escala, é ficção, como a maioria do que se escreve e para quem acredita, não são poucos, que a realidade não passa de uma ficção”, conta Luiz.

Durante a criação do livro em que Lula foi dando uma nuance maior ao que estava sendo escrito, ele foi notando como que o contar daquela história era mais do que apenas sobre a viagem em si, mas também um relato bem psicológico. “Percebi que as estações em sequência, as cidades e acontecimentos vividos e relatados se assemelham ao próprio desdobramento da existência. Percebi que, bem mais que um relato de viagem, mergulhei fundo nos conteúdos do inconsciente e nos significados, mesclei-os em livre fluxo e vi que dali saía criação literária. Enredo de vida em formato literário”, detalha.

O livro conta também com ilustrações de Enéas Guerra, trabalhando na capa e com outras artes dentro do livro. Luiz Costa ressalta como foi poder trabalhar com o artista para poder incrementar a obra.

“Foi um privilégio contar com a edição e a capa de Enéas Guerra, designer de primeira grandeza. A sintonia foi produtiva e resultou num belo trabalho gráfico, como tudo o que Enéas faz”, ressalta.

“Na capa, ele trabalhou sobre uma foto do autor. As três ilustrações, que funcionam como separatrizes, são também da minha lavra” conta.

Peregrinação pela Europa

A viagem de fato começou em Marselha, na França, logo após conclusão da defesa de uma tese.

Lula Afonso embarcou em um trem para Barcelona. Lá, a esbórnia foi tamanha, segundo o autor, que escapuliu, pegou sua bagagem no hotel e embarcou em um trem noturno para conhecer a Europa Central, em uma aventura solitária.

“Viagem ‘pé no trilho’, solitária e aventuresca. Iniciada em Barcelona, passei por Zurique e depois desembarquei em Munique sem saber o que era Oktoberfest, e lá eu me esbaldei. Deu dois capítulos. Fui em seguida para Berlim, depois Praga, e logo voltei pra Berlim. Digno de nota que a cidade estava lotada de eventos e não encontrei vagas em hotel”, relata.

“Percebi que estava há 4 dias vagando para cima e para baixo em trens. Fui então para Amsterdam, onde me hospedei por uma semana em um quarto de subsolo de um hotel na rua Danrak, perto da estação ferroviária central. A viagem transbordou então do físico para o mental”, pontua.

Apesar de ter sido uma viagem de apenas 15 dias, para o autor, o que não faltaram foram situações inusitadas e momentos que parecem ter saído direto de um livro de ficção. Todas essas situações resultaram em uma viagem que além de física, também parecia ir além do real.

“Bateu aquela energia de ‘navegante atrevido’ e o destino pôs no caminho policiais de ferrovia, filósofos embriagados, um anão agressivo, atendentes de bar, um grupo de skinheads que me perseguiu na madrugada de Berlim, gangsters brasileiros em um refeitório de Amsterdam, uma prostituta cheia de opiniões no Distrito da Luz Vermelha, fantasmas e personagens de reminiscências na Bahia nos anos loucos da contracultura, amigos, amores, dissabores, enfim um painel que transbordou realidade, fantasia e memórias em uma viagem multifásica”, resume Luiz.

Além de episódios insólitos e momentos que transcendem a realidade, Costa enxerga nesta viagem e na escrita uma revelação sobre como, no fim, essa viagem também foi sobre amadurecimento.

“A maior revelação foi de fato juntar tudo e fazer um livro. O enredo começa com o escape de uma bebedeira, percorre os trilhos e estações que são os capítulos e etapas da vida, e terminam, na estação derradeira, com o (re)nascimento”, conclui.

*Sob a supervisão do editor Chico Castro Jr.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Google Noticias Siga o A TARDE no Google Noticias

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no Email

Relacionadas

Mais lidas