Busca interna do iBahia
HOME > cultura > LITERATURA

LITERATURA

II Feira Literária de Canudos começa nesta quinta-feira

Eduarda Uzêda
Por Eduarda Uzêda
O diretor Zé Celso Martinez Correia e elenco da peça Os Sertões. Ele participa de mesa com o diretor Paulo Dourado, que montou a peça Canudos | Foto: Marcos Camargo | Divulgação | 25.2.2007
O diretor Zé Celso Martinez Correia e elenco da peça Os Sertões. Ele participa de mesa com o diretor Paulo Dourado, que montou a peça Canudos | Foto: Marcos Camargo | Divulgação | 25.2.2007 - Foto: Marcos Camargo | Divulgação | 25.2.2007

“Canudos não se rendeu. Exemplo único em toda a história, resistiu até o esgotamento completo. Vencido palmo a palmo, na precisão integral do termo, caiu no dia 5, ao entardecer, quando caíram os seus últimos defensores (...) Eram quatro apenas: um velho, dois homens feitos e uma criança, na frente dos quais rugiam raivosamente cinco mil soldados”.

O icônico trecho final de Os Sertões (1902), de Euclides da Cunha, narra a história do massacre de Canudos e exalta uma história de resistência que inspirou autores de todo o país e até de fora do Brasil, a exemplo do escritor peruano, Prêmio Nobel de Literatura, Mario Vargas Llosa (no romance A Guerra do Fim do Mundo, 1981).

Tudo sobre Literatura em primeira mão! Compartilhar no Whatsapp Entre no canal do WhatsApp.

Vozes sertanejas resistentes ou que são representadas por outras que se insurgem contra a história oficial, que há 125 anos exaltava os vencedores, se reúnem na segunda edição da Feira Literária de Canudos (Flican). O evento, que será realizado desta quinta-feira, 8, a sábado, 10, de forma virtual, discute temas diversos permeados pelo universo do sertão real e mítico de Antônio Conselheiro.

A Feira Literária de Canudos traz, entre as atividades, palestras, mesas de debates, videodocumentários, exposições, lançamentos de livros e performances artísticas. São muitos os convidados de destaque, como Aleilton Fonseca, Franklin Carvalho e Marcelino Freire, os poetas Bráulio Tavares e Cida Pedroso e os diretores teatrais Paulo Dourado e José Celso Martinez, criador do lendário Teatro Oficina.

A Flican tem ainda entre os convidados os jornalistas Xico Sá e Franklin Martins e o cineasta Antônio Olavo. Entre as atrações musicais estão Targino Gondim, Gereba, Fábio Paes, Roze, a Orquestra Sisaleira de Conceição de Coité e Bião de Canudos. São muitos os nomes e estes exemplos configuram apenas um recorte, sem valoração.

Imagem ilustrativa da imagem II Feira Literária de Canudos começa nesta quinta-feira
Entrada do Parque Estadual de Canudos, localizado no município distante 450 quilômetros de Salvador | Foto: Divulgação

Discursos resistentes

Toda a vasta programação da Feira poderá ser conferida, gratuitamente, pelo público no canal de YouTube do Campus Avançado da Uneb em Canudos e pela Canudos TV (youtube.com/user/lequinhocriativo).

Escritor e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), o baiano Aleilton Fonseca afirma que “o sertão precisa falar. Nos interessa buscar a história a partir das vozes sertanejas que ficaram emudecidas pela narrativa oficial”, reivindica.

Autor de diversas obras, inclusive sobre Canudos, Aleilton observa que “vem surgindo uma narrativa sertaneja, e nós precisamos ouvir novas falas outras interpretações”.

No sábado, às 16h10, o escritor participa da mesa 6 (Lançamentos), que contempla obras de autores como Franklin Carvalho, Ádila Mandança, Pedro Vasconcelos, Ester Figueiredo e Geraldo Prado.

Em parceria com Silvio Jessé, lança o livro Belo Monte Canudos: a Terceira Margem. As obras são do artista visual conquistense Sílvio Jessé e o texto, de Aleilton.

A poeta Cida Pedroso, que no ano passado foi agraciada com o Prêmio Jabuti nas categorias Livro do Ano e poesia por Solo para vialejo, longo poema sobre o sertão pernambucano, afirma que “Canudos tem importância histórica. Conheci quando participei da Feira Literária de Uauá. Senti todo o peso da história de Canudos no meu corpo quando fui visitar o Campo Santo. Senti a voz, a dor das pessoas, a luta”, revela.

A autora, que participa amanhã, às 20 horas, da mesa 5 (Literatura, Poesia e Virtualidade) em parceria com Emmanuel Mirdad com mediação de Maviel Melo, lembra que as pessoas estão convivendo com a morte diariamente e que a arte foi a primeira a entrar na casa delas para levar conforto. “Estou louca para voltar o modo presencial, mas o virtual democratiza. Se não fosse ele, não poderia estar em Canudos”, conta.

Homenageados

O tema central é o mesmo da primeira edição: “O Sertão vai virar Arte”. A primeira mesa tem início às 14h40, abordando o tema “Assombros e Encantados no Imaginário Sertanejo”. A mesa contará com a professora da Universidade do Sudoeste da Bahia (Uesb) Ester Figueiredo e os escritores Franklin Carvalho e Márcio Benjamin.

O curador da feira, Luiz Paulo Neiva, informa que na abertura, nesta quinta, às 16 horas, acontece o lançamento do Selo Flican e a premiação do concurso literário voltado para a produção intelectual dos estudantes de Canudos, quando serão contemplados os melhores colocados com tablets e aparelhos celulares. Os textos serão também publicados em livro. Neiva, que amanhã às 14h15 participa da mesa 3, Evocação de Canudos, frisa que “o caráter virtual permitiu que muitos autores e pesquisadores de renome pudessem participar do evento que mobiliza a cidade”.

Esta edição homenageará quatro personalidades pelas suas valiosas contribuições à preservação da memória e da história de Canudos: o professor José Calasans Brandão da Silva (1915-2015), considerado um dos maiores conhecedores da guerra de Canudos e o educador e Edivaldo Machado Boaventura (1933-2018), que, entre outras iniciativas, criou quando secretário da Educação do Estado, em 1986, o Parque Estadual de Canudos.

Também serão homenageados o artista plástico Trípoli Francisco Gaudenzi e o laureado fotógrafo Evandro Teixeira. O artista visual conta que suas fotografias foram incorporadas ao acervo do Instituto Moreira Sales, no Rio Janeiro, mas antes disso uma parte pode ser vista no Museu de Canudos. Evandro é autor dos livros Fotojornalismo (1983) e Canudos 100 anos (1997), entre outras publicações.

A conferência inaugural sobre José Calasans, o demiurgo de Canudos, que acontece nesta quinta as 20h30, será proferida por Walnice Galvão, professora emérita de teoria literária e literatura comparada da USP. Com mais de 42 livros publicados, foi consagrada como uma das maiores estudiosas da obra de Euclides da Cunha e da história da luta de maior resistência do sertão brasileiro.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Google Noticias Siga o A TARDE no Google Noticias

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no Email

Relacionadas

Mais lidas