TELEVISÃO
"Tá no Ar" deixa evidente a busca por um trabalho cada vez mais autoral
A equipe do Tá no Ar: A TV na TV sabe que está "bem na fita" na Globo. O programa, que estreia sua quarta temporada na próxima terça, dia 24, depois do Big Brother Brasil 17, é sucesso de crítica e figura sempre entre os assuntos mais comentados das redes sociais quando é exibido. Talvez por isso os autores Marcius Melhem e Marcelo Adnet e o diretor Maurício Farias não queiram mexer muito no formato – que se destaca, principalmente, pelas altas doses de irreverência e transgressão.
Além dos quadros fixos Balada Vip, Jardim Urgente, Militante Revoltado e Te Prendi na TV, a abertura ganha a interpretação de Lulu Santos para a música Televisão e participações especiais de nomes como Regina Duarte, Sandy e Angélica estão confirmadas. Uma enquete, denominada Quem é a Celebridade Misteriosa?, movimenta os 11 episódios, assim como um reality show da hilária família Karlakhian.
"A gente explora a TV, então tudo que se destaca ali ou que chama a nossa atenção serve de inspiração", diz Marcius Melhem.
As pessoas estão cada vez mais reativas às opiniões dos outros
Revolução comunista
O desejo por um trabalho cada vez mais autoral segue em alta. E não há, por parte da equipe, medo de exceder limites. "Tudo que criamos para a primeira temporada foi exibido exatamente como fizemos. A partir dali, percebemos que abrimos uma estrada interessante para explorar", garante Maurício Farias.
Dia 24
No vídeo de apresentação divulgado à imprensa, há um esquete sobre as ocupações escolares, por exemplo. "Não se trata de defender aluno ou polícia, a questão é que acreditamos que o estudante precisa ser ouvido", resume Adnet, que recebe diversas críticas na internet.
"As pessoas estão cada vez mais reativas às opiniões dos outros. Há uma criminalização da arte, que vê o artista como vagabundo e acha que não precisamos de cultura, e, sim, de mais armas, tiros e mortes de bandidos", desabafa, sem perder a chance de fazer piada com a situação.
"Só estou aqui porque estou apoiando uma revolução comunista e ganhando muito dinheiro para implantar no Brasil o 'bolivarianismo'. O governo de Cuba me paga, não é a Globo. A emissora, aliás, é ligada a Cuba e ao PSOL. O brasileiro finalmente está entendendo que a Globo é um braço do PSOL. E eu faço parte disso, me alimento da (lei) Rouanet", brinca.